ENTRETENIMENTO
11/02/2020 02:00 -03

O que você não viu no documentário sobre Taylor Swift, 'Miss Americana'

A diretora Lana Wilson compartilha algumas coisas sobre seu documentário, que se debruça sobre uma superestrela pop.

A documentarista Lana Wilson sentiu uma ligação imediata com Taylor Swift.

As discussões que elas tiveram sobre arte fluíram facilmente. Suas opiniões sobre a experiência das mulheres no mundo do entretenimento coincidiam. Lana era a candidata mais bem cotada para dirigir um filme sobre a vida e a carreira de Taylor desde que a cantora reagiu a seus filmes After Tiller e The Departure (ambos inéditos no Brasil), sobre temas importantes como o aborto em fase avançada da gestação e a prevenção ao suicídio.

“Ela entendeu que, para mim, era realmente importante sentir que não estou criando um filme apenas para defender um ponto de vista ou tentar impor uma visão ao público, mas simplesmente dar espaço a ele para enxergar pessoas e vivências como sendo complexas, feitas de muitas partes”, disse Lana ao HuffPost durante o Festival Sundance de Cinema, que aconteceu em janeiro em Park City, no estado americano de Utah.

“Taylor estava interessada em fazer um documentário que fosse genuíno e íntimo. Ela deixou claro que queria uma diretora que tivesse uma compreensão das coisas pelas quais ela estava passando.”

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Taylor Swift e Lana Wilson falam na lançamento de "Miss Americana" no Festival de Sundance, em janeiro.

Wilson e Taylor acabaram criando Miss Americana, o filme extremamente pró-Taylor Swift que já está disponível no catálogo da Netflix.

Miss Americana enfoca o retorno de Taylor ao mundo depois de ela enfrentar reações negativas nas redes sociais em 2016 e depois da estreia de seu sexto álbum, Reputation. O filme mapeia o crescimento da cantora, de jovem ingênua sem posições políticas declaradas a ativista dos direitos das pessoas queer, adversária do presidente Trump e “rompedora do silêncio” no movimento Me Too.

“Eu me identifiquei com essa ideia de ser ‘uma boa menina’ – alguém que precisa de aprovação, de receber tapinhas nas costas – e depois ganhar consciência política feminista crescente e tomar consciência de ser vítima de dois pesos, duas medidas”, disse Wilson.

“Achei muito inspirador o fato de a Taylor ter decidido que precisava ser quem era de verdade e arrancar a mordaça de uma maneira que não havia feito antes.”

Criar um filme de 85 minutos quando se tem horas e horas de imagens à disposição não é uma tarefa simples. Lana Wilson nos explicou um pouco sobre os materiais que ficaram de fora do filme e por que não foram incluídos.

Netflix
Taylor Swift em cena do documentário "Miss Americana".

A história vista da perspectiva de Kanye West

Aquele momento infame no MTV Video Music Awards de 2009 em que Kanye West arrancou o microfone da mão de Taylor é mencionado nos primeiros 15 minutos de Miss Americana. Taylor ganhou o prêmio de melhor vídeo de uma cantora por You Belong With Me, passando à frente de Beyoncé com Single Ladies (Put A Ring On It), e Kanye invadiu o palco para interromper e expressar sua desaprovação.

No documentário, vemos as consequências do incidente. O presidente Barack Obama descreveu Kanye como “imbecil” e Dr. Phil disse que o rapper roubou a atenção dos holofotes que deveria estar voltada a uma cantora teen, “só porque ele podia”.

“Quando você está vivendo para receber a aprovação de desconhecidos e é dela que vem toda sua alegria e seu senso de realização, uma coisa negativa pode levar tudo a desmoronar”, comenta Taylor, falando daquele momento. Para ela, o incidente com Kanye West a levou a abandonar aquela atitude de boa menina e “desencadear muitos dos caminhos psicológicos que percorri desde então”.

Quando perguntaram a Lana Wilson se ela chegou a cogitar procurar Kanye para ouvir a visão dele sobre a eventual reaproximação/falsa amizade entre ele e Taylor e toda a loucura decorrente disso nas redes sociais, a diretora respondeu que não queria que o filme fosse sobre Kanye.

“Taylor Swift foi um prodígio da música country. A ascensão dela foi como um conto de fadas que culminou com sua chegada ao VMA numa carruagem puxada por cavalos”, disse Wilson.

“Quando Kanye arrancou o microfone dela e a plateia vaiou, Taylor achou que as vaias eram dirigidas contra ela. O filme não podia ser tanto sobre Kanye, mas sobre uma artista de 19 anos que adora se apresentar e ser aplaudida, que passa por uma experiência humilhante e devastadora, e como tudo isso a afetou.”

Muito mais tempo no estúdio

O filme proporciona ao espectador enorme acesso ao processo de composição de Taylor Swift e seu trabalho no estúdio de gravação. Um dos momentos marcantes do documentário é quando ela trabalha sobre Getaway Car com o produtor Jack Antonoff. O espectador vê o resultado desse processo criativo: um estádio lotado de pessoas acompanhando Taylor, cantando suas letras enquanto ela se apresenta sobre o palco.

“Há muito mais material sobre o processo de composição dela que tivemos que cortar”, disse Wilson. “Não foi fácil cortar tudo aquilo. Sei que, em dado momento, tínhamos 40 minutos de imagens de Taylor escrevendo Only the Young.”

Wilson disse que foi emocionante observar Taylor Swift usando seu celular para gravar letras e lembretes para si mesma. Hoje a diretora também usa seu celular como ferramenta no processo de filmagem. “A inspiração vai e vem”, ela explicou. “É preciso registrá-la na hora que ela chega.” 

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Taylor Swift e o CEO da Big Machine Records, Scott Borchetta, nos bastidores de um show dela no MetLife Stadium, em 21 de julho de 2018.

O drama da Big Machine

Algumas das manchetes mais recentes sobre Taylor Swift envolveram sua ruptura com Scott Borchetta e a Big Machine Records, que foi sua gravadora por 13 anos e é dona do catálogo musical de Taylor, desde seu álbum de estreia, Taylor Swift, até Reputation, de 2017.

Taylor se transferiu para a Republic Records e o Universal Music Group no outono de 2018 e estava animada em relação ao futuro, até que o empresário musical Scooter Braun anunciou que sua empresa havia comprado a Big Machine.

Em novembro de 2019 Taylor disse que Scooter e Scott a estavam impedindo de apresentar um pot-pourri de suas canções no American Music Awards. E, embora os dois executivos musicais a tenham acusado de difundir informação falsa, ela alegou que eles também a impediram de usar canções em Miss Americana.

Lana Wilson disse que simplesmente não havia informação nova sobre essa situação a acrescentar ao documentário.

“Taylor já explicou tudo com suas próprias palavras, e a questão toda já foi tão extensamente coberta pela imprensa que eu quis enfocar a parte da história de Taylor que não foi contada antes – a história da experiência que essa mulher viveu ao longo de dois anos que a levou a decidir utilizar sua voz de uma maneira nova. Foi isso”, insistiu a diretora.

Taylor fazendo as mãos de Todrick Hall 

Numa das cenas mais simpáticas do filme, Taylor pinta as unhas de seu amigo e colaborador Todrick Hall nos bastidores do VMA 2019. Ela diz a Todrick que é ela mesma que faz suas mãos há mais de um ano, porque ela percebeu que realmente gosta de estar com as unhas bonitinhas, mas não tem como ir a um salão em público.

“Essa cena na realidade teve uma hora de duração”, disse Wilson. “Foi super relaxante de filmar. Taylor passou tipo uma hora fazendo as unhas dele. Ela fez um monte de coisas que quase nenhuma manicure sabe fazer!”

“Acho que foi uma das melhores manicures que já fiz na vida”, Todrick diz a Taylor, que responde: “Bom saber, me dê uma avaliação boa no Yelp!”

Como diz Todrick, o Salão Swift é o melhor lugar para quem quer unhas bem feitas.

*Este texto foi originalmente publicado no HuffPost US e traduzido do inglês.