ENTRETENIMENTO
28/07/2019 06:00 -03 | Atualizado 06/08/2019 11:49 -03

Ranking Tarantino: Todos os 10 filmes do diretor, do pior para o melhor

Está chegando a hora de nos despedirmos de um dos cineastas mais influentes das últimas décadas?

Divulgação/Montagem
Qual dos clássicos de Tarantino é o seu preferido?

Com a chegada de Era Uma Vez em Hollywood, que estreia nos cinemas brasileiros no dia 15 de agosto, começamos a ficar preocupados. Isso porque este é o 10º título da carreira do diretor Quentin Tarantino, e ele sempre disse que se aposentaria quando completasse dez filmes. [Detalhe: Kill Bill é considerado por Tarantino um filme só, dividido em duas partes. Mas nós resolvemos avaliá-los separadamente; por isso, o ranking tem 10 títulos.]

O que será do mundo sem os filmes desse cineasta que praticamente definiu o cinema da década de 1990 e nos diverte com sua metralhadora de referências pop há 27 anos?

Ao nos questionar isso, veio a ideia de fazer uma viagem pela memória cinematográfica de Tarantino, relembrando e ranqueando seus (até agora) 10 filmes.

Veja aqui o resultado do nosso ranking — do pior para o melhor — dos filmes de Quentin Tarantino: 

10 - Os Oito Odiados (2015)

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É impressionante como o ego cega o bom senso. Se um dia os imensos diálogos cheios de jogos de palavras e referência foram o charme dos roteiros de Tarantino, a fórmula foi desandando com o tempo e se transformando em uma autoparódia não intencional. Os Oito Odiados é o auge disso. Insuportavelmente verborrágico, esse “faroeste de inverno” tem até alguns (poucos) bons momentos. Muito devido a um time de atores como Tim Roth, Bruce Dern, Kurt Russell e, principalmente, a sumida Jennifer Jason Leigh. Mas o carisma do grupo não é suficiente para salvar a direção arrastada e sem inspiração do cineasta. Curiosamente, o filme rendeu o único Oscar de Melhor Trilha Sonora para o maior mestre de trilhas de todos os tempos, o italiano Ennio Morricone. Um absurdo!

9 - Django Livre (2012)

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Irônico que as maiores escorregadas de Tarantino sejam no faroeste, gênero preferido de seu grande mestre, o italiano Sergio Leone. Por Um Punhado de Dólares (1964), Por uns Dólares a Mais (1965), Três homens em Conflito (1966), Era uma vez no Oeste (1968) e Quando Explode a Vingança (1971) influenciaram o cinema de Tarantino profundamente. São obras fundamentais na formação do diretor americano, que tenta emulá-las em diversos outros gêneros com sucesso, mas em seu próprio ambiente, fracassa. Django Livre é sua ode ao western spaghetti que saiu pela culatra. Boa parte disso se deve à escolha do tema da escravidão, um tópico sensível demais para o estilo irreverente do cineasta, que aqui passa do ponto de sua obsessão com “palavra que começa com N”.

8 - À Prova de Morte (2007)

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Quando está apenas se divertindo, Tarantino consegue relembrar os “velhos tempos”. E À Prova de Morte é uma grande brincadeira. O filme faz parte do projeto Grindhouse, que ele realizou em parceria com seu amigo Robert Rodriguez. Nele, cada um dos diretores faria um longa intercalado com trailers fictícios em homenagem às sessões de filmes B muito comuns em drive-ins, cinemas ao ar livre em que as pessoas assistiam filmes dentro de seus carros. Planeta Terror, de Rodriguez, não supriu as expectativas, mas a metade de Tarantino, sim. Primeira parceria do diretor com o ator Kurt Russell (que aqui arrasa como dublê/serial killer Stuntman Mike), À Prova de Morte é uma explosão pulp cheia de badass girls, muito sangue e carros velozes sem a mínima pretensão de ser algo mais do que pura diversão.

7 - Kill Bill Vol. 2 (2004)

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A saga da Noiva (Uma Thurman) continua, mas parece que as melhores sequências ficaram quase todas na primeira parte. A luta contra Elle Driver (Darryl Hannah) e seu treinamento kung-fu style com Pai Mei (Chia-Hui Liu) são os pontos altos, mas a bonanza tresloucada de referências pop por segundo perde um pouco do ritmo no confronto com Budd (Michael Madsen) e descamba logo no esperado encontro com Bill, um anticlímax verborrágico e excessivamente arrastado.

6 - Era uma vez em Hollywood (2019)

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Era uma vez em Hollywood é o filme mais sensível de Tarantino. Uma mudança muito bem-vinda no estilo do cineasta depois da direção de mão pesada e do roteiro extremamente verborrágico de Os Oito Odiados. Aqui, a opção é pela leveza e utilização cirúrgica dos diálogos. Antes de ser lançado, o que se sabia era que o filme retrataria o crime mais famoso da Família Manson, um bando de hippies malucos liderados por Charles Manson, um psicopata manipulador que queria ser uma estrela da música. Mas, na verdade, o crime que vitimou a atriz inglesa Sharon Tate, uma estrela em ascensão na época, é o pano de fundo para a história de um ator de TV decadente, Rick Dalton (Leonardo DiCaprio), que luta por uma carreira no cinema, e seu inseparável dublê Cliff Booth (Brad Pitt). No final das contas, Era uma vez em Hollywood é uma grande carta de amor de Tarantino à Los Angeles entre as décadas de 1960 e 1970.  

5 - Bastardos Inglórios (2006)

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Dos filmes “de época” de Tarantino, Bastardos Inglórios é disparado o melhor. Aqui ele acerta em tudo que errou a mão em Os Oito Odiados e Django Livre. O tom é mais engraçado (a seu estilo, claro) e o vilão, mais marcante. O austríaco Christoph Waltz apareceu para o mundo com o assustador (e hilário) oficial nazista Hans Landa, um dos personagens mais marcantes da filmografia do diretor. Talvez por tentar menos imitar Sergio Leone, Tarantino parece mais leve aqui. Tanto que ignorou até a História matando Hitler da forma que ele deveria morrer e todo mundo adorou. Menos os nazistas, claro.

4 - Kill Bill Vol. 1 (2003)

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Quando se pensava que Tarantino nunca faria algo mais estrambólico que Pulp Fiction, ele me vem com Kill Bill, um filme de vingança que mistura faroeste, filme de samurai e de kung-fu de mais de quatro horas dividido em duas partes. Tinha tudo para ser o cúmulo da autoindulgência, mas o diretor conseguiu, sei lá como, transformar esse monstro de pretensão em algo divertido e empolgante que transformou o personagem de Uma Thurman, A Noiva, em um ícone pop da primeira década dos anos 2000.

3 - Jackie  Brown (1997)

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Tarantino é famoso por seus roteiros originais e seu único filme adaptado de um livro não poderia ser de outro autor que não Elmore Leonard - no caso, Ponche de Rum (1992). O texto de um dos grandes mestres do romance policial pulp é cheio de diálogos divertidamente afiados e uma malemolência cool que combina perfeitamente com o estilo do cineasta. Jackie Brown é o filme mais sóbrio e subestimado de Tarantino — talvez por ser o longa que seguiu Pulp Fiction, obra dele que teve diversas indicações ao Oscar. Mas essa releitura dos Blaxploitation da década de 1970 é uma joia que merece mais reconhecimento. Pam Grier, a estrela desse sub-gênero do cinema setentista, é homenageada com o papel de sua vida e consegue se destacar em um dos melhores elencos de todos os títulos do diretor, com Robert De Niro, Robert Forster, Samuel L. Jackson e Bridget Fonda.

2 - Cães de Aluguel (1992)

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Com seu primeiro longa, Tarantino já chegou metendo o pé na porta. Cães de Aluguel causou furor no Festival de Cannes de 1992, mesmo estando fora da competição. Naquele ano, aliás, ele exibiu o filme na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e andou pelas ruas da capital paulista ainda como um jovem e anônimo cineasta. Suas cenas com diálogos imensos e cheios de referências pop influenciaram uma geração de artistas. Mas ninguém conseguia ter a capacidade daquele nerd de locadora de Los Angeles em misturar todas as suas referências em um caldeirão e transformá-las em seu próprio e inconfundível estilo. Quem diria que com um pequeno filme independente ele já estaria conquistando o mundo e chamando a atenção de ninguém menos que Madonna?

1 - Pulp Fiction - Tempo de Violência (1994)

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Poucos diretores em Hollywood tiveram o privilégio de ganhar carta branca de um estúdio para fazer seu filme do jeito que eles querem sem que ninguém meta o bedelho no processo. Tarantino foi um deles, e o resultado disso foi sua obra-prima: Pulp Fiction - Tempo de Violência. O cineasta que definiu o cinema na década de 1990 chegava a seu auge logo em seu segundo longa, um pastiche de referências bem ao seu estilo elevado à enésima potência. Recheado de personagens marcantes como Vincent Vega, Jules Winnfield, Mia Wallace, Marsellus Wallace e Butch Coolidge (só para ficar em alguns), o filme conseguiu também o feito de reativar a carreira de John Travolta, na época uma estrela esquecida. Depois que foi lançado, sua narrativa não linear foi copiada à exaustão. É “o” filme dos anos 1990 e ponto final.