MULHERES
22/02/2020 21:12 -03 | Atualizado 22/02/2020 21:25 -03

'Tapa-mamilos', a tendência que fez as mulheres 'botarem a teta na rua' no Carnaval

Já que é pra tampar, que seja com glamour. ✨

Não é novidade. A censura ao chamado “top less” e aos mamilos femininos é constante tanto em redes sociais quanto fora delas. E no Carnaval, quando a escolha de roupas e adereços que exibam o corpo se torna tanto uma forma de liberdade de expressão, quanto um protesto, mamilos continuam tampados - seja por vergonha de exibir os seios, censura, ou até receio de sofrer assédio.

Mas há quem acredite que “já que é pra tampar, que seja com glamour” e dribla a censura para transformá-la em uma outra forma de expressão e exercício de potência dos corpos femininos. Em 2020, um acessório já comum entre as mulheres em algumas ocasiões, os chamados “tapa-mamilo”, “tapa-teta”, “nipple pastie” se transformaram em uma das tendências de fantasias.

Segundo a Folha, magazines de grande circulação como Renner e Marisa optaram por fazer coleções específicas e vender o acessório que, em pouco tempo, se esgotou neste período do ano. De acordo com o UOL, o acessório também estava esgotado em lojas de fantasias da 25 de março, em São Paulo.

Uma das mulheres que aderiu à moda para a festa foi a cantora Ana Cañas. No bloco Acadêmicos do Baixo Augusta, ainda no pré-Carnaval, ela usou um “tapa-teta” em formato de coração e com as cores da bandeira LGBT.

Durante outros blocos no início deste Carnaval, vários tipos e tamanhos de “tapa-mamilos” foram vistos ― desde em formato circular, com estrelas, com corações e até raios, ou com sobreposições; outros, no formato de patinhas de gato ou até de folhas ou chifrinhos, combinam com a escolha da fantasia.

Assim, os “tapa-mamilos”, mesmo com o objetivo de esconder os mamilos, podem garantir certa sensação de liberdade, assim como igualdade com os homens que não têm seus corpos censurados ao andar sem camisa. Entre outros motivos que justificam o sucesso do acessório, está a garantia de ter mais espaço para passar purpurina no corpo e driblar o calor.

Marcas independentes e que fabricam o acessório, como Aghata’s Glow e Yvette Burlesque, ganharam popularidade nas redes sociais. É A Yvette que, em seu perfil, afirma que “já que é pra tapar (sic), que seja com glamour”. 

As marcas não disponibilizam preço das peças. Cada uma delas é feita sob medida, adequada ao tamanho do seio, e no modelo desejado. Em geral, os preços variam entre R$ 29 e R$ 89 reais, dependendo da marca e modelo.

Como utilizar o ‘tapa-mamilo’ no Carnaval 

Existem alguns truques para que o adesivo não desgrude da pele durante a folia. O primeiro é simples: antes de colocar, limpe a região da pele com álcool e algodão de maneira suave. Assim, a aderência da cola será mais eficaz.

Lembrando que como a região é sensível, pressione sempre com cuidado em cima do mamilo. Uma opção para modelos que não sejam auto-adesivos é colar a fita dupla-face no acessório, com o mesmo processo, limpando a área.

Ao remover é preciso cuidado e é indicado que o movimento para retirá-los seja iniciado pelas pontas e laterais. Se necessário, use o álcool novamente para retirar a cola da pele ou até um lenço-umedecido. E, sim, bote sua teta na rua. 

É sempre bom lembrar que ‘não é não’

ASSOCIATED PRESS
Foliãs posam para foto com placa da campanha "Não é Não" durante bloco Simpatia e Quase Amor, no Rio de Janeiro.

Investidas sem consentimento durante a folia no tumulto dos blocos é sinônimo de assédio sexual, uma prática que não deve ser encarada com naturalidade. O Carnaval 2020 é o segundo em que a Lei de Importunação Sexual está em vigor e que o crime de assédio foi tipificado. As penas para este tipo de contravenção é de 1 a 5 anos de prisão para o agressor.

“Acho que agora, neste Carnaval, nós estamos falando muito mais sobre todas essas formas de violência sexual. E isso é muito importante porque apesar de a gente ter uma lei, ela é recente e ainda é preciso que ela chegue às pessoas. Muita gente ainda não sabe da existência dela e nem identificar assédio”, aponta Paula Machado, defensora pública de São Paulo, ao HuffPost Brasil.

A nova lei define a importunação sexual como a prática de ato libidinoso contra alguém sem o seu consentimento “com o objetivo de satisfazer a própria lascívia ou a de terceiro”.

“Os próprios exemplos do que se caracteriza uma importunação sexual é algo que ainda está em um momento de construção”, diz a defensora. “Existem entendimentos que vão abranger a passada de mão, a masturbação, beijo roubado; mas, de todo modo, independentemente se for uma conduta mais grave ou menos grave, é importante que, caso a vítima sinta necessidade, procure um atendimento adequado tanto de saúde quanto da segurança pública.” Saiba como denunciar.