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06/05/2020 12:17 -03 | Atualizado 06/05/2020 13:00 -03

Escolha de Tácio Muzzi para comandar PF no Rio diminui temor de interferência política

Delegado não estava na lista do presidente Jair Bolsonaro e já integrava quadros de Maurício Valeixo, nomeado por Sergio Moro. Para categoria, nomeação afasta "narrativa de intervenção".

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Muzzi é escolhido para Superintendência do Rio. Nome não estava na lista de Bolsonaro.

O novo diretor-geral da Polícia Federal, Rolando Alexandre de Souza, escolheu nesta quarta-feira (6) o delegado Tácio Muzzi para a Superintendência da PF no Rio de Janeiro. Ele não estava na lista do presidente Jair Bolsonaro, que chegou a cobrar a troca da cadeira do ex-ministro Sergio Moro em reunião ministerial. Com o nome escolhido, policiais federais descartam que possa haver interferência política na corporação.

Muzzi já esteve interinamente no cargo no ano passado quando Ricardo Saad, criticado publicamente por Bolsonaro em agosto de 2019, se afastou da vaga. Atuante na superintendência, trabalhou com crimes financeiros e desvios de recursos públicos. 

A indicação de Tácio Muzzi foi bem vista pelos policiais federais, que estavam preocupados com os rumores de intervenção política na PF. Segundo o delegado federal Edvandir Paiva, presidente da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF), de forma geral, a diretoria escolhida pelo novo diretor-geral “é uma boa notícia”.

“São superintendentes que já estavam no cargo na gestão do dr. Valeixo [Maurício Valeixo, ex-diretor da PF exonerado por Bolsonaro, que foi pivô da saída de Moro], com boas carreiras e são respeitados pelos demais”, afirmou Paiva ao HuffPost. Para ele, isso afasta “a narrativa de intervenção”.

O presidente nega qualquer intenção de intervir na Polícia Federal. Nos bastidores, contudo, sabe-se que ele queria emplacar na vaga Alexandre Saraiva, superintendente no Amazonas, ou o delegado Rodrigo Piovesan. Ambos contam com a simpatia do clã bolsonarista.

Rolando Alexandre tomou posse esta semana menos de uma hora após sua nomeação ser publicada no DOU (Diário Oficial da União). O temor do governo é que ocorresse o mesmo “contratempo” da semana passada, quando o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes impediu a posse de Alexandre Ramagem, próximo à família Bolsonaro, para o cargo. 

Em seu depoimento no âmbito das investigações que correm para averiguar as acusações que fez contra Bolsonaro, o ex-ministro Sergio Moro afirmou que o presidente disse que desejava trocar o comando da PF e a Superintendência do Rio em uma reunião no dia 22 de abril, na frente de outros ministros.

O ministro do STF Celso de Mello deu 72 horas para o Palácio do Planalto enviar o vídeo desse encontro.