POLÍTICA
10/07/2019 18:17 -03

Tabata Amaral justifica voto a favor da reforma da Previdência por ‘convicção’: ‘Meu sim não é ao governo’

De acordo com a parlamentar, ser “de esquerda” não significa ser contrário a uma proposta que pode tornar o País "mais inclusivo”.

EVARISTO SA via Getty Images
Para Tabata Amaral, a Previdência hoje é um impasse ao desenvolvimento do País.

Criticada pelo PDT por ter anunciado voto a favor da reforma da Previdência, a deputada Tabata Amaral (PDT-SP) argumentou que “fechar a questão contra a proposta do governo era ignorar que a Previdência é um assunto sério e que necessita de uma revisão e um tratamento igualmente sério”.

De acordo com a parlamentar, ser “de esquerda” não significa ser contrário a uma proposta que pode tornar o País “mais inclusivo”.

Para ela, defender as propostas de mudança não significa demonstrar apoio ao presidente Jair Bolsonaro, mas “olhar para o futuro do Brasil”. 

“O meu voto é um voto de consciência, não é um voto por dinheiro. Ao tomar essa decisão, eu olho para o futuro do meu País. Quem me conhece sabe da minha luta pelos mais pobres. Hoje, a Previdência tira dinheiro de quem menos tem e transfere para os mais ricos. Ela é um impasse ao desenvolvimento do País”, afirmou a deputada em vídeo compartilhado.

Além da gravação, ela publicou um perguntas e respostas detalhando seu posicionamento. 

“Se há críticas a pontos de reforma, por que não fechar questão contrária à proposta do governo?

O Movimento Acredito se propôs a realizar uma análise minuciosa de todos os pontos contidos na PEC enviada à Câmara. Fugimos de um debate raso e fácil, e evitamos promover ainda mais a polarização. Buscamos dados e evidências para explorar os argumentos e orientar a tomada de decisão de forma que, para nós, fechar a questão contra a proposta do governo era ignorar que a Previdência é um assunto sério e que necessita de uma revisão e um tratamento igualmente sério. Dessa forma, preferimos adotar um comportamento mais propositivo, não sendo oposição apenas pela oposição, mas analisando ponto a ponto a Reforma proposta e propondo alterações aos tópicos que consideramos que, da forma como apresentados pelo governo, contribuem para aumentar desigualdades e perpetuar privilégios e irresponsabilidade fiscal.”

A deputada já sinalizava apoio à proposta para a reforma da Previdência. Ela lidera um grupo dentro do PDT que é favorável às mudanças, contrariando o resto da sigla.

Na última terça (9), Carlos Lupi, presidente do partido, chegou a realizar uma reunião de urgência com a bancada e afirmou que quem apoiasse a reforma seria desligado.

“Eu fiz um apelo humilde pelo voto dela, para que seja contrário à reforma da Previdência”, afirmou Lupi ao Estadão. “O governo tem um poder de convencimento que a gente não tem. Nós temos as palavras e eles têm emendas. Eles têm olhos azuis e nós, negros. Então, muita gente usa a Tabata para se proteger da decisão, alguns por convicção e outros por utilidade pública.”

O ex-ministro Ciro Gomes também procurou a deputada para que ela seguisse a determinação do partido. No entanto, a deputada afirma que a reforma em pauta não pertence ao governo Bolsonaro.

O meu ‘sim’ não é ao governo. Em momentos como esse, é preciso olhar para o futuro do País. Não é fácil e não é cômodo escolher esse caminho, mas é absolutamente necessário.Tabata Amaral, deputada federal

De acordo com o governo, o propósito da reforma é demonstrar responsabilidade com as contas do País e conter o déficit previdenciário. Em 2018, o rombo foi de R$ 264,4 bilhões, considerando o INSS, servidores públicos e militares. 

A expectativa do Executivo com a proposta era economizar R$ 1,236 trilhão em dez anos. O substitutivo que está previsto para ser votado nesta quarta-feira (10) reduziu o montante para R$ 987,5 bilhões no mesmo período.