MULHERES
03/10/2019 18:50 -03 | Atualizado 03/10/2019 19:25 -03

A emoção de Sydney Leroux, atacante que voltou a campo 3 meses após dar a luz

"É muito importante ver que a vida não para, e você pode ter uma família e também ter uma carreira."

Reprodução/Instagram
Sydney Leroux segura a pequena Roux, de apenas três meses, em partida do Orlando Pride realizada em Nova Jersey, nos Estados Unidos.

Fazia apenas 93 dias que a jogadora de futebol norte-americana Sydney Leroux tinha dado à luz a sua segunda filha, Roux. Desafiando o que se espera de uma mulher que acabou de ser mãe, a atacante ― que é medalhista olímpica e campeã da Copa do Mundo ― entrou em campo novamente.

A craque, que joga pelo Orlando Pride ― mesmo time de Marta nos Estados Unidos ― entrou como substituta no último domingo (29), no momento em que o placar contra o Sky Blue FC estava em 1 a 1. Assim que pisou no gramado, foi ovacionada até pela torcida rival, que valorizou a importância do momento.

Ela ficou poucos minutos em campo, mas mesmo assim foram suficientes para emocionar tanto Leroux, quanto suas colegas de time e a torcida; além de passar uma mensagem que a atleta reforçou em entrevista para a ABC News.

“Nós muitas vezes achamos que, quando começamos uma família e temos filhos, nós não podemos continuar com nossos sonhos e ambições”, disse.

“Acho que é muito importante ver que a vida não para, e você pode ter uma família e também ter uma carreira. É possível fazer as duas coisas ao mesmo tempo”, completou na conversa com a ABC.

Após o fim da partida, realizada em Nova Jersey, a atleta apareceu em campo com a pequena Roux no colo. Emocionada, ela foi acolhida por suas colegas de time. “Eu amo este jogo”, escreveu Leroux em seu Instagram, quando publicou imagem do momento em que está com sua filha nos braços.

Voltar ao trabalho é sempre um desafio para uma mulher ― seja porque empresas ainda não estão completamente adaptadas às demandas da maternidade, seja pela relação de dependência entre bebê e mãe.

“Ano passado foi cheio de altos e baixos, mas prometi a mim mesma que voltaria. Não importa o quão difícil fosse. Tem sido um longo caminho, mas eu fiz. 3 meses e um dia depois que dei à luz a minha filha”, escreveu Leroux.

Howard Smith/ISI Photos via Getty Images
Leroux em partida do Orlando Pride contra o Sky Blue FC.

Mas sobretudo para uma atleta, que tem o corpo como instrumento de trabalho, tornar-se mãe traz muitos “altos e baixos”, como pontou Leroux: recuperar o desempenho físico, estar em um clube que apoie esta decisão e contar com o apoio do parceiro que, muitas vezes, não abre mão da carreira.

No Brasil, a lateral Tamires é a única atleta da seleção de futebol feminino que é mãe; enquanto na seleção masculina apenas seis jogadores não têm filhos. Já Marta, considerada a melhor do mundo, tem o desejo de ser mãe mas só considera esta ideia caso algum dia aposente suas chuteiras.

Leroux já é mãe de Cassius, que hoje tem três anos. Ela é casada com Dom Dwyer - que também é jogador de futebol nos Estados Unidos. Ao jornal britânico The Guardian, ela contou que entrou em modo “caótico” com a segunda gestação. “Tenho orgulho de mim mesma - foi uma longa jornada”.