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28/01/2020 11:46 -03 | Atualizado 28/01/2020 12:06 -03

Brasil deve ter resposta sobre suspeita de coronavírus até sexta-feira, diz ministro da Saúde

“Não há evidência de que o vírus esteja circulando [no Brasil]”, disse Luiz Henrique Mandetta. Foram analisados 7.063 rumores de coronavírus no País.

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, afirmou nesta terça-feira (28) que espera uma resposta sobre um caso suspeito de coronavírus no Brasil até o fim da semana. “Acho que até sexta-feira, o final de semana”, disse. A paciente, cujo nome não será revelado, está em Minas Gerais e aguarda a confirmação metagenômica, um estudo do material genético.

O Ministério da Saúde informou que analisou 7.063 rumores de coronavírus e que 127 desse total exigiu verificação. De acordo com o ministro, a paciente do caso suspeito está em isolamento e as 14 pessoas mais próximas a ela estão sendo monitoradas. “Não há evidência de que o vírus esteja circulando [no Brasil]”, disse Mandetta.

De acordo com a Secretaria de Saúde de Minas Gerais, a paciente de 22 anos esteve recentemente em viagem à China, epicentro da disseminação do vírus, e apresentou sintomas compatíveis com os noticiados em casos confirmados em outros países. Ela chegou ao Brasil em 24 de janeiro.

Mikhail Solunin via Getty Images
“Não há evidência de que o vírus esteja circulando [no Brasil]”, disse Luiz Henrique Mandetta, ministro da Saúde.

Na próxima semana, o Ministério da Saúde fará uma reunião  com secretários de saúde estaduais e de capitais para tirar dúvidas. O ministro também afirmou que a pasta conta com um centro de monitoramento permanente, que participará de uma reunião com a OMS (Organização Mundial da Saúde) nesta terça.

Ainda de acordo com Mantetta, o Instituto Butantã participará de um “esforço internacional” para a produção de uma vacina contra o coronavírus e os planos de contingência do sistema de saúde serão atualizados. “Nosso sistema já lidou com a SAR (síndrome aguada respiratória), com o H1N1. Não é um  sistema que está sendo preparado agora, afirmou.

O governo brasileiro montou um centro de operações de emergência para preparar a rede pública e a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) reforçou a atenção para casos suspeitos em portos e aeroportos.

Nesta segunda-feira (27), a pasta elevou a classificação de risco do Brasil para o nível 2, que significa “perigo iminente”. A partir desta terça, o governo brasileiro irá monitorar mais casos suspeitos, segundo Mandettta. Também na segunda, a OMS passou a classificar como “elevado” o risco internacional de contaminação pelo novo coronavírus. 

O ministro da Saúde disse que informou o presidente Jair Bolsonaro sobre a situação na manhã desta terça. “O presidente solicitou que mantenha a população bem informada, com números transparentes e claros e que o sistema de saúde esteja preparado para enfrentar uma questão que não está devidamente clara em temores de potencial de epidemia”, afirmou.

Brasileiros na China

De acordo com o Ministério da Saúde, a recomendação é para evitar viagens à China. O ministro também entende que brasileiros suspeitos de terem sido contaminados na Ásia devem permanecer em isolamento. “Não é orientada a remoção, mesmo porque não tem um tratamento específico para essa doença. Que primeiro se esclareça o caso para depois fazer qualquer tipo de mobilização”, afirmou.

Mandetta também informou que não há “nenhum plano de retirada de brasileiros na China”. Segundo o ministro, cerca de 250 pessoas chegam do país asiático ao Brasil todos os dias.

Mais cedo, o presidente fez uma declaração semelhante. “Pelo que parece, tem uma família na região lá onde o vírus está atuando. Não seria oportuno retirar de lá, com todo respeito. Pelo contrário. Não vamos colocar em risco nós aqui por uma família apenas. A gente espera que os dados da China sejam reais. [Que seja] só isso de pessoas contaminadas. Se bem que é bastante. Mas a gente sabe que esses países são mais fechados no tocante a informações”, afirmou Bolsonaro a jornalistas.

Uma família brasileira está nas Filipinas, mas que passou por Wuhan, cidade chinesa epicentro da disseminação do vírus. Uma criança brasileira de 10 anos com suspeita de contaminação está isolada no local, assim como seus pais.

De acordo com o Itamaraty, cerca de 70 brasileiros estão isolados em cidades da província de Hubei, onde fica Wuhan. O ministério também informou, em nota, que está em contato com o governo chinês. “Recorde-se que qualquer evacuação demandará, além da autorização chinesa, cumprimento das normas internacionais sobre quarentena e permissão de sobrevoo e pouso de avião com pessoas provenientes de área que experimenta surto da doença”, diz o texto.

Coronavírus no mundo

Subiu para 106 nesta segunda-feira (27) o número de mortos pelo coronavírus na China, de acordo autoridades locais. Já foram registrados 4.231 casos no país asiático.

Em todo o mundo, 4.295 pessoas foram infectadas pelo vírus que pode provocar síndromes respiratórias graves. São 15 os países com casos registrados: China, Tailândia, Estados Unidos, Austrália, Cingapura, Japão, Coreia do Sul, Malásia, França, Vietnã, Canadá, Alemanha, Camboja, Nepal e Sri Lanka.

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