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Por que eu suo tanto?

Hiperidrose. É esse o nome científico da doença que causa suor excessivo nas mãos, pés ou axilas.
Suor excessivo caracteriza hiperidrose, distúrbio que afeta 3% da população do mundo.
Suor excessivo caracteriza hiperidrose, distúrbio que afeta 3% da população do mundo.

Hiperidrose. É esse o nome científico da doença que afeta 3% da população mundial, segundo pesquisa realizada em 2018 pela Icahn School of Medicine, dos Estados Unidos. Essa condição leva algumas pessoas a suar muito mais que outras.

A dermatologista Samantha Neves, especialista no distúrbio, explica que a doença não tem uma causa específica, mas alguns gatilhos podem desencadeá-la.

“Basicamente a gente sua porque isso é um processo de normalização da temperatura do corpo”, afirma a membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia ao HuffPost. “Quem sua mais é porque tem um descompasso, uma alteração nessa regulação do sistema [nervoso] simpático e parassimpático. Não se sabe a causa disso. Provavelmente é uma alteração nervosa, mas do ponto de vista neural e não emocional.”

Quando estamos nervosos, é comum que a gente note a presença do suor até mesmo nas mãos. Porém, as pessoas que convivem com a hiperidrose produzem uma quantidade de suor muito maior. Ou seja, o nervosismo é um gatilho, e não uma causa da doença.

Além do nervosismo, a especialista aponta outros gatilhos para a sudorese excessiva.

“No Hospital das Clínicas fizemos uma pesquisa que relaciona o suor ao IMC. O índice de massa corpórea hoje não é mais usado pelos endocrinologistas como referência de saúde, mas a gente comprovou que índices maiores do que 25, ou seja, de sobrepeso, aumentam o grau de sudorese em quem tem hiperidrose”, disse.

Isso acontece, segundo a médica, porque a capa de gordura faz que o indivíduo segure o calor dentro do corpo e, com isso, sue mais para regular a temperatura.

Hiperidrose: Saiba identificar

Nem sempre o fato de você suar bastante significa que tenha a hiperidrose. Segundo a médica, a doença costuma aparecer ainda na infância ou na adolescência e, por conta disso, é muito importante diferenciá-la, por exemplo, do suor excessivo causado pela transição entre essas duas fases.

“Um adolescente sabe te explicar e vai te falar se está suando muito. Uma criança de 4 anos já não te conta, pois não tem essa percepção.”

Essa falta de percepção pode causar sérios problemas às crianças com a condição, e é por isso que a atenção com os pequenos tem de ser dobrada.

“Hiperidrose é extremamente limitante do ponto de vista emocional. Às vezes a criança é introspectiva, não se relaciona com os amigos, não dá a mão para ninguém. Às vezes as mãos não chegam a pingar, mas elas são geladas. São sinais que os familiares podem observar”, explica.

Para detectar a hiperidrose em pacientes que já saíram da infância, é possível realizar alguns testes, como o de iodo-amido.

Mas os exames clínicos, com base em conversas e questionários sobre a qualidade de vida, acabam sendo mais eficientes no diagnóstico.

“Se o paciente tem uma sudorese suficiente para incomodar, vou tratar. Isso é detectado no exame clínico, na conversa com o paciente e, muitas vezes, nas histórias que os familiares contam. Em geral, quando pego um paciente, procuro verificar se a sudorese limita a vida dele. Por exemplo, se é uma pessoa que compra roupas apenas em cores monocromáticas (branca, preta e cinza), se é uma pessoa que, quando escreve, não encosta a mão na folha, se não usa determinado sapato, pois alguns escorregam”, descreve a especialista.

A hiperidrose não deve ser confundida com a cromidrose (uma condição rara em que o paciente produz suor com cores diferentes) ou com a bromidrose (quando o suor vem acompanhado de um forte mau cheiro).

“Nem todo mundo que tem hiperidrose tem bromidrose. Pelo contrário. Quem tem hiperidrose ‘lava’ a região e não acumula bactérias. Quem tem bromidrose faz o tratamento com agentes tópicos, antibacterianos”, explica.

A especialista também faz um alerta para quem já saiu da adolescência, está na casa dos 25 anos (ou mais) e começou a apresentar sudorese excessiva.

“Suor repentino após a adolescência não é comum. Vale a pena procurar ver se tem alguma doença de base, como anemia, diabetes, tireoidopatias, infecções ou algum tipo de câncer, nem que seja para excluir. Se você não suava antes e começou de repente, tem que investigar”, reforça a médica.

Os tratamentos para suor excessivo

A hiperidrose pode ser tratada basicamente de 3 formas: utilização de remédios por via oral, aplicação de toxinas botulínicas e cirurgia, chamada de simpatectomia. Essa última, no entanto, só é indicada quando a doença está localizada em, no máximo, duas áreas (normalmente ela atinge axilas, mãos e pés).

“A cirurgia está sendo cada vez menos realizada, pois tem um efeito colateral, que é a hiperidrose compensatória, que te faz suar em outras partes, como barriga, costas, bumbum. Isso não acontece com a aplicação da toxina botulínica ou com o uso dos remédios”, pondera a dermatologista Samantha Neves.

A utilização de cremes para a redução do suor excessivo também é uma opção, embora menos eficaz nas pessoas que efetivamente sofram com a doença.

“Há cremes à base de alumínio que fazem um plug na glândula sudorípara diminuindo a produção de suor. Para quem tem a doença, no entanto, eles não são suficientes”, completa.