COMPORTAMENTO
10/04/2019 01:00 -03

Tentativas de suicídio entre pessoas de 5 a 18 anos dobraram na última década

Estudo aponta que suicídio nos EUA é crise nacional de saúde pública.

Karimpard via Getty Images
"Números são alarmantes", diz autor de estudo sobre suicídios e tentativas nos EUA.

O número de crianças que chega aos centros de emergência de hospitais americanos após tentativas de suicídio dobrou na última década. O dado é de um estudo realizado em nível nacional nos Estados Unidos e que foi divulgado nesta última segunda-feira (8).

Uma análise dos dados das visitas emergências em hospitais americanos, feita entre 2007 e 2015, constatou que as visitas anuais para pacientes de 5 a 18 anos com pensamentos suicidas e tentativas de suicídio aumentaram de 580.000 para 1,12 milhão.

Aproximadamente 43% dos casos ocorreram entre crianças realmente jovens, com idades entre 5 e 12 anos.

“Estes números são muito alarmantes”, disse o autor do estudo Dr. Brett Burstein, médico do departamento de emergência do Hospital Infantil de Montreal do Centro de Saúde da Universidade McGill, em entrevista ao HuffPost.

“E essa tendência provavelmente poderá crescer. O fato de o estudo ter constatado o problema entre crianças realmente jovens é muito preocupante”, acrescentou. 

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Crescem visitas a pacientes que tentaram se suicidar nos Estados Unidos.

As novas descobertas, publicadas na revista acadêmica JAMA Pediatrics, reforçam um estudo realizado ainda em 2018, mas que trazia dados muito mais baixos do que os diagnosticados pela pesquisa mais recente.

No estudo do ano passado, foi constatado que houve mais de 115 mil hospitalizações de crianças relacionadas a suicídio em hospitais infantis entre 2008 e 2015.

A discrepância dos números ocorre porque a recente investigação analisou os registros hospitalares dos departamentos gerais de emergência que atendem adultos e crianças, e não somente os casos de crianças que foram levadas para as emergências apenas em hospitais pediátricos.

“Após o estudo realizado em 2018, nós fizemos a pergunta: este problema é ainda maior?”, questionou Burstein.

Agora, o suicídio é reconhecido como uma crise nacional de saúde pública nos Estados Unidos. Ele é a segunda principal causa de morte entre os americanos com idades de 10 a 34 anos.

Ainda não está claro por que os pensamentos e tentativas de suicídio parecem ter aumentado tanto na última década, e é provável que muitos fatores estejam em relacionados a esses números.

Uma possibilidade é que responsáveis pelas crianças e os profissionais de saúde estejam cada vez melhores em reconhecer os fatores de risco nos seus filhos. Assim, eles levam as crianças nos hospitais para obter ajuda profissional.

No entanto, apenas cerca de 12% das hospitalizações analisadas pelo novo estudo foram por conta de pensamentos suicidas, enquanto cerca de 88% das hospitalizações são por conta das tentativas reais de suicídio.

Isso, para Burstein, sugere que o aumento nas hospitalizações provavelmente não seja apenas porque crianças em risco são diagnosticadas mais cedo.

Pelo contrário, o número sugere que exista uma tendência angustiante de aumento do comportamento suicida entre os jovens americanos.

Não há respostas simples sobre como lidar com a crescente crise. O médico e pesquisador afirma que os pais devem estar cientes dos possíveis sinais que os seus filhos podem desenvolver.

Mas essa não é uma responsabilidade individual. De acordo com ele, cabe a sociedade como um todo fazer um trabalho melhor de prevenção ao suicídio conectando as crianças aos recursos da comunidade e aos cuidados continuados de saúde física e mental. 

*Este texto foi originalmente publicado no HuffPost US e traduzido do inglês.

Leia nossa série especial Quebrando o Silêncio em torno do Suicídio

Caso você — ou alguém que você conheça — precise de ajuda, ligue 141, para o CVV - Centro de Valorização da Vida, ou acesse o site. O atendimento é gratuito, sigiloso e não é preciso se identificar. O movimento Conte Comigo oferece informações para lidar com a depressão. No exterior, consulte o site da Associação Internacional para Prevenção do Suicídio para acessar uma base de dados com redes de apoio disponíveis.