OPINIÃO
08/07/2019 17:17 -03 | Atualizado 08/07/2019 22:23 -03

'Stranger Things' cresceu e sua terceira temporada é a melhor da série até aqui

Adolescência de personagens deu à trama da Netflix mais complexidade e liberdade para crescer.

Após uma segunda temporada insossa que não trouxe nada de muito diferente à trama a não ser outro monstro e alguns personagens recém-chegados a Hawkins, Stranger Things precisava urgentemente de algo novo. Uma injeção de ânimo para recuperar o status de série mais legal da Netflix, algo que ganhou logo que estreou na plataforma, em 2016. 

E isso aconteceu.

Tanto que a terceira temporada é a melhor da série até aqui.

Ironicamente, o principal fator desse “chacoalhão” não foi fruto da imaginação de roteiristas e diretores, mas da própria natureza. Eleven (Millie Bobby Brown), Mike (Finn Wolfhard), Dustin (Gaten Matarazzo), Lucas (Caleb McLaughlin), Will (Noah Schnapp) e Max (Sadie Sink) não são mais crianças.

O fato dos personagens — e os atores que os interpretam, claro — terem entrado na adolescência  deu a pimenta necessária que a trama pedia para dar um passo além em sua jornada nostálgica cheia de aventura, humor, suspense e terror com mais liberdade e complexidade.

É claro que aquele caminhão de referências à cultura pop da década de 1980 que tanto amamos está presente em cada frame da série, mas o tema do fim da inocência dá muito mais profundidade à história, por mais que ela não seja assim tão diferente das contadas nas temporadas anteriores.

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A palavra-chave desta terceira temporada de Stranger Things é "crescer".

Como é comum em Stranger Things, há um problema central que é detectado por diferentes núcleos de personagens que vão investigá-lo separadamente até o momento que todos convergem em uma grande batalha final. Algo que acontece da mesma forma na terceira temporada.

O que difere esta das outras é o tom com que a história é contada. Os garotos — menos Will — não querem mais brincar. Mike e Lucas entram em uma guerra dos sexos com suas namoradas Eleven e Max. Enquanto isso, Dustin volta de um acampamento de verão apaixonado por uma garota que pode (ou não) ser fruto de sua imaginação.

Nancy (Natalia Dyer), por sua vez, não quer apenas ficar servindo cafezinho como estagiária do jornal local e Steve (Joe Keery) sente o peso de ter ficado para trás ao não entrar em uma faculdade. Já Jim Hopper (David Harbour) tem de lidar com o fato de ser pai de uma adolescente e Joyce (Winona Ryder) pensa em se mudar, porque ninguém vai mais a sua loja depois que um novo shopping center abriu na cidade. 

A palavra-chave desta terceira temporada é crescer. E dar esse passo à frente pode ser muito doloroso. Tanto para os personagens quanto para Hawkins, que vê toda a sua estrutura social mudar com a instalação do Starcourt Mall. O shopping, aliás, tem um papel importantíssimo na trama, dando um tom de crítica social bem ao estilo dos filmes do mestre George Romero, um dos grandes homenageados da temporada ao ter seu Dia dos Mortos (1985) exibido na tela do cinema do Starcourt.

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Priah Ferguson rouba a cena como Erica, irmã mais nova de Lucas.

Outra bela adição à nova temporada foram coadjuvantes com bastante carisma, como Robin (Maya Hawke), a esperta e descolada colega de Steve na sorveteria Scoops Ahoy, e, principalmente Erica (Priah Ferguson), a espevitada irmã mais nova de Lucas, que rouba qualquer cena. 

No final das contas, tudo é maior na terceira temporada de Stranger Things. Ela tem mais aventura, mais humor, mais suspense e mais terror (com bastante meleca).

Porém, o mais importante é que a série amadureceu como seus atores/personagens, permitindo um final bem mais tocante e sombrio. Algo necessário nesse processo doloroso que é crescer.