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08/05/2020 18:34 -03

STF dá 24h para PGR se pronunciar sobre vídeo de reunião citada por Moro

AGU, que representa Bolsonaro, pediu para reconsiderar, não entregar vídeo na íntegra e não dar publicidade ao conteúdo.

Andressa Anholete via Getty Images
AGU, que representa Bolsonaro, tenta ganhar tempo para apresentar o vídeo de reunião ministerial à Justiça.

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Celso de Mello deu 24h para a PGR (Procuradoria-Geral da República) se manifestar sobre os pedidos da AGU (Advocacia-Geral da União) sobre o vídeo no qual o presidente Jair Bolsonaro teria pressionado o ex-ministro Sergio Moro a trocar o comando da Polícia Federal e da Superintendência da corporação no Rio, ameaçando inclusive demiti-lo. 

O prazo para o governo entregar a gravação ao STF acabaria às 22h30 desta sexta-feira (8). Relator do inquérito 4831 que apura as acusações de Moro contra o mandatário, o ministro Celso de Mello havia concedido, na noite de terça (5), 72h para a apresentação do material. 

A Advocacia-Geral da União apresentou 4 recursos ao ministro. Pediu primeiro uma reconsideração do decano da Corte sobre a solicitação da gravação, alegando que na reunião interministerial em questão foram tratadas questões de estado, que tangiam, inclusive, “segurança nacional”. 

Num segundo pedido, quis entregar apenas trechos do vídeo, aqueles que dizem respeito ao inquérito - as partes em que se tratou de cargos para a PF. Por fim, nesta sexta, solicitou sigilo ao material e que o STF apontasse quem teria acesso a ele no Judiciário. 

Há muitas versões da história nos bastidores do governo. Pelos corredores do Planalto, corre a versão de que o chip com a gravação teria sido formatado pelo assessor especial da Presidência Célio Faria Júnior. Ele, contudo, nega que isso seja sua atribuição, mas sim da Secretaria de Comunicação. 

Ainda nos bastidores, a informação é que o governo cogita alegar que não tinha a gravação da reunião inteira, e que esses encontros de fato não eram registrados integralmente por conta do conteúdo. 

A reunião mencionada pelo ex-ministro Sergio Moro, segundo relato ao HuffPost de fontes que participaram do encontro, teve mais que a pressão de Bolsonaro sobre o ex-juiz pelo controle da PF. 

De acordo com as narrativas, o presidente ameaçou demitir qualquer ministro ou auxiliar não alinhado ao governo ou que descumprir suas ordens. Bolsonaro teria usado palavrões, o que, conforme pessoas presentes, faz parte do comportamento do mandatário em reuniões e quando está à vontade. 

Ainda de acordo com o que foi dito ao HuffPost, houve discussão sobre decisões do Supremo até aquela ocasião, como deixar que somente estados e municípios determinem o isolamento social. Nesse contexto, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, criticou os ministros da Corte. 

O nível das críticas e as palavras usadas são alguns dos motivos a mais para que o Planalto esteja receoso em compartilhar o conteúdo da gravação na íntegra. Procurada pelo HuffPost sobre a fala de Weintraub no vídeo, a assessoria do MEC não retornou.