ENTRETENIMENTO
30/10/2020 16:10 -03 | Atualizado 30/10/2020 16:19 -03

SPFW institui cota racial obrigatória de 50% para desfiles

Medida inédita no setor exige que pelo menos metade dos modelos sejam negros, afrodescendentes ou indígenas.

Principal evento de moda do País, a São Paulo Fashion Week terá cota obrigatória para modelos negros, afrodescendentes e indígenas em seus desfiles. Até o ano passado, o evento recomendava que 20% dos profissionais nas passarelas fossem afrodescendentes, indígenas ou asiáticos.

A nova regra foi anunciada às grifes por meio de um comunicado e deve valer já para a próxima SPFW, que na semana que vem comemora 25 anos em uma edição virtual. De 4 a 8 de novembro, desfiles e outras peças audiovisuais serão exibidos via YouTube e projeções serão realizadas pela cidade.

De acordo com o G1, o comunicado pontua que é obrigatório que a marca mantenha mínimo de 50% de modelos entre negros, afrodescendentes e/ou indígenas, do total dos modelos participantes em seu desfile.

“Serão considerados modelos afrodescendentes aqueles com ascendente por consanguinidade até o 2º grau. Os nomes destes modelos devem ser destacados na lista de casting”, diz o texto. 

Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, o idealizador do evento, Paulo Borges, explicou que a motivação para a criação da regra nasceu após conversas sobre mudanças no evento. “Uma das coisas que prometi de partida era que não era mais possível recomendar coisas. Quando se fala em equidade racial, isso foi entendido por todo mundo”, disse Borges. 

O documento diz também que a marca que descumprir a regra estará fora do line-up da edição seguinte. 

“Não estamos aqui para julgar ninguém. Esses são processos colaborativos e não queremos forçar mudanças. Mas é claro que as marcas que não queiram compartilhar dessas discussões sairão do calendário por elas mesmas. Chegamos no ponto de deixar de criar frases e passamos a partir para a ação”, disse Borges. 

A medida chega quatro meses após a modelo Thayná Santos trazer à tona em seu Instagram as práticas racistas que ocorrem nas seleções para desfiles. A exposição dos fatos veio na esteira de manifestações de cunho antirracista impulsionadas pelo assassinato de George Floyd. Na sequência, Thayná criou o coletivo Pretos na Moda junto com as modelos Camila Simões, Natasha Soares e Cindy Reis. Em junho passado, Paulo Borges participou de uma live com Natasha em que discutiram as práticas racistas que predominam no setor.