OPINIÃO
13/02/2020 04:00 -03 | Atualizado 13/02/2020 04:00 -03

'Sonic - O Filme' está (muito) longe de ser a porcaria que parecia em seu 1º trailer

Paramount ouve os fãs e salva produção que se mostra uma aventura divertida, leve e pronta para agradar gamers de 8 a 40 e poucos anos.

Por décadas, um tipo de maldição assombrava os filmes baseados em videogames. De Super Mario Bros. (1993) a Assassin’s Creed (2016), essa relação entre games e cinema gerou muito mais fracassos do que sucessos.

Porém, de uns tempos para cá (com algumas exceções, claro), essa balança vem pendendo mais para o lado do sucesso. Como no caso de Jogador Nº 1 (2016), Tomb Raider (2018), Detetive Pikachu (2019) e, para a supresa geral da nação, Sonic - O Filme, que estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta (13).

A “surpresa” se deu não pelo potencial do personagem, que chega até a rivalizar com o onipresente Mario como um dos mais queridos mascotes desse universo, mas por conta do primeiro trailer do filme, lançado em abril do ano passado, quando o estranho visual humanizado do ouriço mais veloz do mundo dos games transformou a produção em motivo de chacota nas redes sociais.

Ao contrário do que a Universal fez em Cats (2019), ignorando a repercussão negativa do público e lançando o filme do jeito (tosco) que estava, a Paramount decidiu ouvir a voz do povo. Adiou o lançamento de novembro de 2019 para fevereiro de 2020 e refez todo o visual do protagonista.

Uma decisão que provou-se mais do que acertada quando o estúdio lançou o trailer com o “novo” Sonic, em novembro. O público aprovou o visual do personagem, mais fiel ao videogame.

Mesmo assim, seria esse o único problema de Sonic - O Filme? Assim como nos jogos do encanador bigodudo da Nintendo, a história nunca foi o forte dos games do ouriço azul da Sega. Fato que deixava uma grande dúvida quanto a força da trama do filme.

Mas o fato é que Sonic - O Filme, não decepciona. Não por ser um grande filme, longe disso, mas porque a produção entrega exatamente o que se espera dela: um filme leve e divertido que não tem pretenção nenhuma a não ser entreter crianças e adultos fãs de videogame.

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Tika Sumpter e James Marsden como Maddie e Tom Wachowski.

Sonic (voz de Ben Schwartz) é um ouriço azul de outra dimensão que vive correndo por seu mundo até que é descoberto por uma tribo inimiga que quer roubar seu poder de super velocidade e se vê obrigado a usar um anel que o transporta para outros mundos.

Ele acaba caindo em nosso mundo, mais precisamente na pequena cidade de Green Hills, no interior do estado de Montana, e passa anos escondido, vendo (e admirando) a vida de seus moradores de longe. É assim que ele se afeiçoa à figura do xerife Tom Wachowski (James Marsden), um policial amado e respeitado por todos no local. Só que Sonic se cansa da solidão e, em um acesso de raiva, libera um pulso elétrico poderoso que chama a atenção do governo americano.

Sem conseguir identificar a origem daquele fenômeno, o comando militar americano acaba se rendendo e pedindo auxílio ao genial e estranho Dr. Ivo “Eggman” Robotnik (Jim Carrey), um cientista arrogante e pateta, porém perigoso, que fica obcecado em capturar Sonic. Mas o ouriço, meio que por acaso, acaba contando com a ajuda do xerife Wachowski para se livrar de seu perseguidor.

As soluções encontradas pelos roteiristas para colocar o personagem em nosso mundo não são lá as mais criativas do mundo, mas funcionam o suficiente para não incomodar e deixa o palco pronto para o divertido jogo de gato e rato entre Sonic e o bobalhão Robotnik.

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Como o Dr. Ivo “Eggman” Robotnik, Jim Carrey, retorna a seus dias de Ace Ventura e O Máscara.

Aliás, talvez esse seja o segredo de Sonic - O Filme. Não apenas confiar no carisma do mascote da Sega, dando o devido espaço aos atores de carne e osso. Com isso, Marsden não se restringe ao papel de escada de Sonic, dando mais dimensão e humanidade ao xerife Wachowski.

O caso de Jim Carrey é diferente. Seu Robotnik ganha exatamente por não ser humano. Ele é praticamente um cartoon, e ninguém melhor para interpretar um desenho animado vivo que Carrey, que retoma aqui seus tempos de comédia 100% física de Ace Ventura e O Máscara.

O veredito final é que, claro, Sonic - O Filme nunca entrará em listas de melhores filmes de 2020, mas consegue superar o desafio de transformar um jogo de plataforma em uma aventura bonitinha e divertida cheia de referências pop que agradarão gamers de 8 a 40 e poucos anos. Tanto que já deixa o caminho pronto para uma sequência, que tem tudo para se tornar realidade. 

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