Este projeto está contando sonhos da pandemia no Instagram

O Sonhando Alto coleta sonhos curiosos e mostra que não é só você que está tendo sonhos malucos.

Desde que começou o isolamento social para evitar a propagação do novo coronavírus, milhões de pessoas estão em casa em quarentena e, consequentemente, tendo sonhos malucos.

Entre os meses de março e abril, os relatos nas redes sociais eram de sonhos com coisas como festas, casamentos, aglomerações e situações do passado. Mais recentemente, as pessoas começaram a compartilhar sonhos e pesadelos com álcool gel, cloroquina, máscaras, gente morta, distanciamento social, entre outros elementos típicos deste novo cotidiano.

Para estudar estes sonhos, um grupo de pesquisadores brasileiros começou o projeto Inventário de Sonhos, em que as pessoas contam seus sonhos e pesadelos. Mais de mil pessoas já relataram suas histórias e algumas delas começaram a vir a público em vídeos nas redes sociais do grupo Psicanalistas Pela Democracia em um projeto chamado Sonhando Alto.

Entre os relatos está um sonho que começa com um notebook na pia de uma cozinha e termina com o narrador estacionando um carro errado numa praça e uma discussão envolvendo muitas pessoas.

Ou este sonho que envolve ondas gigantes, pedras, mar em ressaca e submerssão embaixo d’água.

Em entrevista ao episódio 14 do podcast do Tamo Junto, uma das organizadoras do projeto, a psicanalista Denise Mamede, explicou que desde Freud tem-se a ideia de que nos sonhos estão as realizações de desejos que não podem se tornar realidade.

“O sonho é uma coisa extremamente íntima e uma formação do nosso inconsciente. Ele dá pista de sua existência de várias maneiras, uma dessas é por meio do sonho e ele não tem intenção de fazer sentido”, afirma Denise.

Ela também nos contou que o projeto foi baseado no livro Sonhos do Terceiro Reich, em que a jornalista Charlotte Beradt coletou e escreveu sonhos do tempo em que o nazismo imperava na Alemanha. “Ela fala uma coisa muito linda, que os sonhos são sismógrafos do tempo presente. Quer dizer, eles dão notícia, contam pra gente o que está se passando na intimidade das pessoas”, explicou.

Ouça mais de nosso papo no episódio completo do Tamo Junto no Spotify, na Deezer, no Google Podcasts e na Apple Podcasts.