ENTRETENIMENTO
27/05/2019 08:04 -03 | Atualizado 27/05/2019 08:07 -03

A sociedade secreta de supervilões artistas que está lutando por mudanças

Grupo global e informal de artistas faz protestos, arrecada dinheiro para instituições de caridade, defende causas, faz exposições e promove colegas.

A Sociedade Secreta de Supervilões Artistas tem integrantes em todo o mundo e usa arte para protestar contra a injustiça social.

A Sociedade Secreta de Supervilões Artistas está determinada a “fazer diferença no mundo, sempre se divertindo”, declara sua missão.

Esse grupo global e informal de artistas faz protestos conta a injustiça social, arrecada dinheiro para instituições de caridade, defende causas, faz exposições e promove o trabalho dos colegas. Eles se autodenominam vilões.

Um dos vilões, o artista de rua britânico Angus, compara o movimento ao Clube da Luta, do filme de mesmo nome de 1999. Os integrantes “têm todo tipo de perfil, e temos uma coisa em comum: a arte”.

Tudo começou com um “feliz acidente”, diz o fundador do coletivo, um artista britânico conhecido como Silent Bill.

Ele se descreve como “um cara de família, de meia idade, com 2 filhos e uma namorada artista”. Ele trabalha com saúde, então precisa manter o anonimato. Silent Bill diz que começou o grupo “de brincadeira” quando criou um logo e o compartilhou nas redes sociais anos atrás.

Boooooooooooom isso sim é uma porra de um distintivo para as costas de uma jaqueta, feito de couro, ao lado de um distintivo de tamanho normal.

Seus amigos artistas ficaram intrigados. Silent Bill criou uma “ficha de inscrição”, que outros artistas preencheram e lhe enviaram com exemplos de seus trabalhos. Foi aí que ele pensou: “Talvez saia algo bom disso”.

A sociedade cresceu. Silent Bill diz que centenas, talvez milhares de pessoas possam estar envolvidas, no mundo inteiro.

“De vez em quando vejo facções em lugares remotos, fazendo coisas e mostrando arte que nem sabíamos que existia”, explica ele. ”É bizarro, e sempre me pergunto: ‘Como eles sabem que a gente existe? Como eles descobriram o logo?’ Em geral eles fazem sua própria variação do logo, sempre com muita criatividade. A gente adora.”

Mas, dada a “estrutura anarquista” do grupo, Silent Bill não tem como conhecer todos os vilões do grupo.

Alguns elementos “rebeldes” cometeram atos de vandalismo e prejudicaram a imagem da sociedade, admite Silent Bill, mas ele não apoia esse tipo de atitude. Seu objetivo é apenas “incentivar as pessoas a ser criativas e a compartilhar sua arte”.

Outra arte @ssosva que fiz nas Ilhas Maurício. Essa é para todas as meninas. Inspirada por @gal_gadot e a Mulher Maravilha.

Não tenho os direitos da Mulher Maravilha. Eles são da DC Comics.

Os integrantes “fazem sua própria” arte e se reúnem “quando há um projeto grande”, diz Silent Bill.

Em 2018, eles fizeram um protesto pedindo ajuda do governo para recuperar uma área devastada por uma explosão causada por gás. Eles vendem e leiloam obras regularmente para arrecadar fundos destinados a abrigos de animais e instituições de caridade, além de patrocinar equipes esportivas e comprar instrumentos para crianças nos territórios palestinos.

Hex, um vilão de Liverpool que trabalha com cerâmica, disse ao HuffPost que este ”é o espírito da sociedade: ajudar e retribuir.”

“Somos todos humanos, todos temos dificuldade para vender nossa arte, mas é mais fácil doar uma obra, assim as pessoas têm a chance de ganhar um trabalho que jamais teriam condições de comprar na vida real”, disse RS75, de Londres. “Acho que, no fundo, queremos mostrar que somos todos iguais e queremos ajudar todo mundo que precise.”

Evento de caridade Banned Aid Charity, de 2 a 9 de junho, The Underdog Gallery.

Vários artistas descrevem a sociedade como “uma família”.

“Ela junta artistas de vários países diferentes”, diz John D’Oh, de Bristol. Ele afirma que a sociedade o ajudou a exibir seu trabalho na Espanha e na Austrália.

De sonhos a pesadelos: #martinlutherkinday Há 51 anos ele foi assassinado. #martinlutherkingjr era um pastor batista e ativista americano que se tornou o porta-voz mais visível e líder do movimento dos direitos civis de 1954 até seu assassinato, em 1968.

Hex diz que ficou “maravilhado com a camaradagem e o incentivo” dos colegas da sociedade. Agora, seus companheiros são “a primeira parada na hora de pedir críticas ou ajuda técnica”.

É um movimento “verdadeiramente igualitário”, acrescenta Hex. “Eles me colocaram em revistas, galerias internacionais e esquinas do mundo inteiro”.

Ainda rio com essas.

Meu melhor trabalho até hoje.

“Os integrantes da sociedade fazem de tudo para ajudar a comunidade”, diz o artista de rua Kiwi, também do Reino Unido. “Nunca me deixei contaminar pela apatia do observador, e parece que a sociedade é composta por pessoas parecidas comigo.”

Diff, artista de rua de Bristol, disse que ser parte do grupo lhe dá “um senso de valor e propósito” numa época em que ele estava lidando com “desafios da vida”.

Receber conselhos sinceros dos colegas “foi muito importante” para seu trabalho, afirma Diff.

Ele finalmente começou a construir seu muro. Trump.

Os bastiões da sociedade estão em cidades britânicas como Londres, Liverpool e Bristol ― de onde vem o famoso e ainda anônimo Banksy. Também há integrantes nos Estados Unidos, na Austrália e em outros países europeus.

Silent Bill - Sinal dos Tempos. #Síria Parem de matar crianças

Silent Bill se recusou a confirmar que Bansky é um dos membros da sociedade, mas admitiu ter “contato com o cara” e que o astro da arte de rua lhe mandou “um presente muito legal”.

“Nunca o conheci, mas, segundo todos os relatos, ele é um cara legal e gosta do que fiz”, disse Silent Bill, que fez referência a Banksy com este pôster-paródia:

A sociedade continuam evoluindo e atraindo mais membros, diz Silent Bill. A hashtag #SSOSVA tem mais de 10 000 posts no Instagram. Mais de 8 000 pessoas seguem o grupo no Facebook.

“Ela reuniu muita gente e está tentando fazer diferenças pequenas onde é possível”, diz Silent Bill. Ele vê o movimento indo além da “subcultura da arte urbana”, buscando atingir um público maior.

Do incrível Jef Aitch.

“A arte emociona e inspira”, explica ele. “Não lembro a última vez que o [programa de calouros] X-Factor me inspirou a fazer uma obra sobre a ganância dos bancos ou algo antifascista, mas arte de rua me faz pensar em temas sociais como feminismo ou anticonsumismo.”

Ele acrescenta:

“Comecei fazendo arte de rua porque é tipo sua única voz, ninguém te escuta, você vota e não conta, você protesta e te chamam de criminoso, é difícil e frustrante ter voz no mundo. Mas não é assim com a arte de rua, todo mundo tem sua voz. Acho que é nossa alfinetada no estado atual do mundo. Não acho que uma pessoa consiga mudar o mundo, mas acho que podemos mudar o mundo de uma pessoa.”