04/07/2019 17:30 -03 | Atualizado 05/07/2019 15:59 -03

Como o skate se tornou uma marca registrada do esporte brasileiro

O skate se prepara para estrear como modalidade olímpica em 2020 e representa uma das maiores chances de medalhas para o Brasil.

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Skate tem quase 60 anos de história no mundo.

Ao longo de quase 60 anos de história, o skate se consolidou como um dos esportes mais queridos pelos brasileiros, que veem os atletas brilharem em competições internacionais. Mas quem torce por ídolos como Bob Burnquist, Yndiara Asp, Rayssa Leal, Kelvin Hoefler e Murilo Peres pode não saber que as origens do esporte no país são bem mais modestas que os grandiosos campeonatos que vemos hoje na televisão.

Trazido para cá por intermédio de surfistas americanos nos anos 1960, o esporte virou moda no Rio de Janeiro, de onde se espalhou para todo o Brasil. O primeiro campeonato aconteceu em 1975, na Quinta da Boa Vista, disputado em plena rua. Os skatistas brasileiros só ganhariam sua primeira pista no ano seguinte, em Nova Iguaçu.

Nos anos 1980, o skate foi fortemente associado aos movimentos punkrock, heavy metal e new wave, e a modalidade street foi ganhando força. Ao mesmo tempo, importantes campeonatos começaram a se estruturar, como um torneio nacional disputado em Guaratinguetá, no interior paulista. Nessa década, o mundo também conheceu o poder dos skatistas brasileiros, com uma equipe nacional participando do mundial de 1986, no Canadá. Também foi em 1988 que Tony Hawk, eterno ícone do skate, veio ao Brasil para competir pela primeira vez.

A crise econômica do final dos anos 1980 e início dos 1990 afetou o mercado do skate, já que vários produtos—como revistas especializadas, roupas e peças—eram importados. Muitos pararam de ser vendidos. Ainda assim, o skate se tornou extremamente popular no Brasil durante os anos 1990 e, mais para o fim da década, surgiram os primeiros atletas profissionais.

Em 1997, Bob Burnquist foi eleito o melhor skatista do ano e, dois anos depois, a primeira confederação nacional para o esporte foi criada. Na mesma época, outro ídolo do skate brasileiro, Sandro Dias, o Mineirinho, começou a ganhar destaque nas competições mundo afora. O surgimento de videoclipes e programas voltados ao skate na TV por assinatura ajudaram a popularizar a cultura do esporte.

A partir dos anos 2000, o skate virou febre no Brasil, com o surgimento de novos campeonatos e diversas edições da MegaRampa. Hoje, o esporte é um dos mais difundidos pelo país e atrai adeptos em todas as regiões. Segundo dados oficiais, a modalidade movimenta mais de 1 bilhão de reais por ano com a venda de roupas e acessórios.

O skate se prepara para estrear como modalidade olímpica em 2020 e representa uma das maiores chances de medalhas para o Brasil.

O futuro do skate

Como em qualquer esporte, o futuro do skate está nas próximas gerações. Sabendo disso, a BV voltou seu olhar a projetos e atletas que podem fortalecer ainda mais a modalidade no Brasil. Um exemplo é o patrocínio a skatistas da primeira Seleção Brasileira de skate, como a catarinense Yndiara Asp, que aos 21 anos já surge como um dos maiores nomes da nova geração;  Kelvin Hoefler, paulista de 26 anos que tem seis títulos mundiais no currículo; Rayssa Leal, de apenas 11 anos e com um futuro muito promissor pela frente; e Murilo Peres, de 23 anos, campeão brasileiro de mini rampa e grande nome da modalidade park .

Outra fonte de inspiração para esporte que a BV apoia é o projeto Burnkit, fundado por Bob Burnquist. A iniciativa promoverá a entrega de kits modulares para a prática de skate em cinco escolas públicas brasileiras, além da reforma de pistas pelo país. Até o momento, já foram entregues três pistas: em Santa Catarina, no Rio de Janeiro e no Rio Grande do Sul.

Outras duas devem ser entregues ainda este ano em Minas Gerais e na Bahia.