ENTRETENIMENTO
13/08/2019 11:00 -03

'Sintonia' não perde tempo moscando e mostra a periferia como ela é na Netflix

'Precisamos ouvir o que o outro tem a dizer', diz Bruna Mascarenhas, que interpreta Rita na série idealizada por KondZilla.

Criada por KondZilla — mente criativa por trás do sucesso da cena do funk ostentação — em parceria com Guilherme Quintella e Felipe Braga, Sintonia acaba de estrear na Netflix.

A série conta a história de três jovens da periferia de São Paulo: Doni (MC Jottapê), Nando (Christian Malheiros) e Rita (Bruna Mascarenhas), que seguem caminhos muito diferentes na vida dentro do universo da música, do crime e da religião. O trio nunca deixa que nada abale a grande amizade entre eles. 

“Os três personagens têm algo que eu gosto muito, que é a ambição. Essa vontade de correr atrás dos sonhos deles. É algo que eu mesmo levo para mim e comecei a levar ainda mais depois de fazer esse personagem. Não desistir independente de seu sonho”, disse Jottapê, que interpreta Doni, um aspirante a MC que tem muito talento, mas precisa superar algumas barreiras rumo ao sucesso, como empresários mal-intencionados e a descrença de seus pais em relação à carreira musical. 

Aliás, “família” é uma palavra chave em Sintonia, que reverbera na convivência harmoniosa, mesmo que contraditória, desses três pilares tão importantes para a trama: música, crime e religião.

“Os três personagens formam uma família que eles escolheram. A família está presente na série de diferentes formas, mas tem o mesmo significado”, conta Malheiros, que interpreta Nando. Ele se tornou pai ainda muito jovem e se envereda cada vez mais pelo mundo do crime para sustentar sua família.

“O Doni e o Nando sabem mais o que querem, já a Rita, por conta da reviravolta dela, só sabe o que ela não quer. Ela está descobrindo, assim como vocês, o caminho que ela pode trilhar”, explica Bruna, intérprete de Rita, uma garota que depois de se meter em uma confusão com a melhor amiga, acaba se reaproximando da religião e passa a frequentar uma igreja evangélica, demonstrando muito interesse em crescer dentro da instituição. 

A naturalidade dos personagens em lidar com mundos tão díspares dentro de um mesmo ambiente é a grande sacada de Sintonia. Mostra o quanto a periferia é isolada da sociedade como um todo, um lugar esquecido pelo Estado que segue seus próprios códigos de conduta em uma área cinzenta em que música, crime e religião coexistem com menos atritos do que se imagina.

Uma visão “de dentro” de um mundo que sofre do julgamento de quem o vê de fora. Algo que Bruna ressalta ao reponder por que o público deve ver a série: “A gente tem que se responsabilizar por nossas atitudes e entender um pouco o que está rolando com o nosso País. A gente precisa ouvir mais. Precisamos escutar o outro. Estar aberto para ouvir o que o outro tem a dizer.”

E o público já vem dando sua resposta positiva.

No Twitter, muita gente já se diz apaixonado por Sintonia:

Outra questão que chamou a atenção do público é o linguajar da série, recheada de irresistíveis gírias paulistanas.