OPINIÃO
04/04/2019 07:55 -03 | Atualizado 04/04/2019 07:55 -03

Divertido e conservador, 'Shazam!' é um filme de super-herói 'como antigamente'

DC aposta na leveza e em valores tradicionais para deixar seu universo sombrio para trás.

HuffPost Brasil
Zachary Levi, como Shazam, e o sonho de qualquer adolescente: virar adulto.

Parece um daqueles raros alinhamentos cósmicos que acontecem uma vez a cada trocentos anos. Por uma diferença de pouco mais de 1 mês, as arqui-inimigas Marvel e DC lançaram filmes de dois “Capitães Marvel”. Sim, porque o herói de Shazam!, que estreia nesta quinta-feira (4), é o primeiro Capitão Marvel, mesmo sendo da DC.

Uma breve explicação: O Capitão Marvel nasceu em 1939, na finada Editora Fawcett. Depois de algumas décadas, a DC comprou os direitos do personagem, que era uma criança que se transformava em um super-herói adulto quando gritava a palavra mágica “shazam”. Isso, porém, aconteceu depois que a editora Marvel já havia criado o seu próprio Capitão Marvel, nos anos 1960. Foi aí que a DC resolveu chamar o personagem simplesmente de Shazam.

No entanto, as coincidências entre Capitã Marvel e Shazam! terminam por aí. Se o primeiro é uma tentativa da Marvel de recuperar o bonde da história e trazer uma protagonista feminina poderosa que esteja em sintonia com o discurso feminista, o segundo é uma volta ao passado, uma aposta da DC nos dias mais “ingênuos” da era de ouro dos super-heróis.

HuffPost Brasil
Quando Freddy (Jack Dylan Grazer) descobre que Billy é Shazam, tudo que eles pensam é em se divertir com os superpoderes.

É curioso como Shazam! Consegue ser, ao mesmo tempo, novo e conservador. Ele é muito mais leve e divertido que qualquer outro filme da DC, que normalmente produz uns bem sombrios, mas é tão imbuído de valores tradicionais que seu roteiro parece ter sido escrito na década de 1950.

Billy Batson (Asher Angel) é um garoto órfão de 14 anos que pula entre lares adotivos enquanto procura sua mãe. Certo dia, ele conhece um velho mago que passa a ele seus poderes. Assim, quando Billy diz a palavra mágica “shazam”, ele se transforma em um super-herói adulto (Zachary Levi). Mas, por dentro, ele segue sendo um adolescente e terá que - mesmo ainda totalmente despreparado - enfrentar o Dr. Thaddeus Sivana (Mark Strong), um homem amargurado que acha que o poder que o mago deu a Billy pertence a ele.

HuffPost Brasil
Mais do que salvar o mundo, Billy/Shazam precisa proteger sua família.

Talvez esteja aí o ponto de virada para a editora no cinema. A DC parece ter conseguido sintonizar o zeitgeist do mundo atual. Shazam! é uma peça de entretenimento que não se preocupa nem um segundo em se aprofundar em qualquer questão mais “séria”. Além disso, tem muito apelo entre os adolescentes, que se identificam com Billy, e diverte como “nos bons e velhos tempos”.

Isso se reflete na importância que o filme dá ao papel da família. Tanto na história em si quanto no sentimento de resgate de valores perdidos.

A impressão é que a DC quer desesperadamente aumentar seu público e que, com Shazam!, talvez tenha encontrado a fórmula perfeita para combater a rival Marvel, que até hoje nunca teve seu trono no cinema ameaçado.