MULHERES
25/02/2019 13:35 -03

Mães confessam quanto tempo esperam para fazer sexo depois do parto

E como foi a espera.

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Não há "normal" quando se trata de sexo pós-parto. Mas muitas vezes há lubrificante.

Todo o mundo se recorda de sua primeira vez.

A ansiedade, a falta de jeito, a promessa de ir com calma, a pressa em arrancar a roupa, o lubrificante em abundância, a dor, parar no meio, mais lubrificante, mais lubrificante, mais lubrificante, o abraço gostoso depois sob o brilho suave da babá eletrônica...

Sim, a primeira vez que vocês tentam transar de novo depois de ter um bebê é realmente memorável. Mas é diferente para cada casal (se bem que o lubrificante pareça realmente ser um tema comum a todos), e por isso mesmo pedimos às nossas leitoras que nos contassem em suas próprias palavras como foi para elas.

As respostas que recebemos são honestas, corajosas, empoderadoras, assustadoras (tente não se arrepiar quando ler “foi como uma lâmina cortando dentro de minha vagina”), e, o mais importante de tudo, mostraram que as dificuldades são inteiramente normais.

Uma das finalidades de nossa nova série sobre maternagem e paternagem, “Life After Birth”, é destacar conversas sobre as partes mais difíceis da condição materna. E, como discutimos em nosso episódio mais recente, o sexo no pós-parto é um tópico difícil e delicado.

Muitas mamães ganham o sinal verde para retomarem sua atividade sexual quando retornam ao médico para uma avaliação seis semanas depois de dar à luz. Para algumas mulheres, fazer sexo seis semanas depois de dar à luz pode parecer simplesmente impossível, absurdo. E isso é normal. Outras talvez queiram transar menos de seis semanas depois do parto. Isso também é normal – mas por favor converse com o médico ou a parteira antes de arrancar esse band-aid, já que fazer sexo antes do prazo recomendado pode colocá-la sob risco de sofrer infecções ou outros problemas de saúde.

As sete mães recentes com quem conversamos cobrem toda uma gama de respostas, tendo esperado desde apenas duas semanas até dois anos inteiros. Esperamos que as entrevistas com elas lhe ajudem  em sua própria experiência de sexo pós-parto, lhe deem a esperança de que tudo vai melhorar e lhe mostrem que, se você faz parte das que simplesmente não conseguem, não é a única nessa situação.

Devido à natureza muito íntima e pessoal dos depoimentos, algumas das mulheres pediram que fosse usado apenas seu primeiro nome ou ficaram anônimas.

Tara Moore via Getty Images

Nome: Myriam

Onde vive: Moncton, New Brunswick, Canadá

Ela aguardou: Duas semanas.

O sexo foi: “Estranho. Doloroso. Bom.”

Em suas próprias palavras: “A sensação foi igual à primeira vez que você transa, quando você perde a virgindade. Você se redescobre de maneiras ruins e boas.

Eu não sofri nenhum rasgo nem levei suturas, então o médico me disse que quando eu sentisse vontade de transar outra vez, poderia. Então, quinze dias mais tarde, sem ter dormido, com os peitos cheios de leite e cheirando a quem não tomava banho havia dois dias, resolvi que era hora de recomeçar.

Nome: Te-Anna Paradis

Onde vive: Goderich, Ontário.

Ela aguardou: Três semanas depois do primeiro bebê, cinco semanas após o segundo.

O sexo foi: “Muito bom.”

Em suas próprias palavras: “Muitas mulheres têm histórias pavorosas para contar ou morrem de medo de voltar a fazer sexo. Meus dois partos foram normais, sem anestesia. No primeiro eu sofri um rasgo muito pequeno. Meus hormônios enlouqueceram naquele período do pós-parto, e depois de umas três semanas eu surpreendi meu marido, tomando a iniciativa de transar. Aquela primeira vez foi ótima; ele tomou muito cuidado, foi bem cauteloso. Só transamos de novo algumas semanas depois disso, mas não houve o menor problema.

Nosso segundo filho nasceu em outubro passado. Não rasgou nada, e na realidade me senti melhor no dia em que dei à luz do que tinha me sentido durante a gravidez. Esperamos cinco semanas antes de fazer sexo outra vez, mas principalmente porque a vida é muito corrida com um recém-nascido e outro filhinho ainda pequeno. De novo, não houve dor nem qualquer outro problema.

Meu conselho é o seguinte: vá com calma e lembre-se que depois de dar à luz, o lubrificante é imprescindível! As flutuações hormonais e o cansaço realmente mudam as coisas, então é melhor simplesmente dar essa ajudinha a mais a seu corpo.”

Nome: Alannah

Onde vive: Victoria

Ela esperou: Cinco semanas

O sexo foi: “Tudo bem.”

Em suas próprias palavras: “Vou começar por dizer que meu nenê nasceu três dias antes da data prevista. O parto foi totalmente natural, e eu sofri um pequeno rasgo no mesmo lugar onde acontecera anteriormente quando tive minha filha. Não foi uma laceração séria, mas precisei levar pontos. Nos mandaram aguardar seis semanas antes de fazer sexo. Acabamos transando depois de cinco semanas (não conte para meu médico, hehehe).

Eu estava com vontade de transar, sentia falta da intimidade. Fizemos com MUITO cuidado. Ficamos na posição papai-mamãe. Meu companheiro é bem dotado, então com essa posição pudemos tomar o cuidado de ele não penetrar fundo demais. Foi bom. Não me machucou, mas não direi que foi altamente prazeroso. Meu companheiro ficou agradavelmente surpreso ao sentir que tudo parecia estar normal lá embaixo, como era antes da chegada do bebê.

Não lamento nem um pouco, na realidade fico feliz que a gente tenha transado logo nas primeiras semanas, porque hoje meu filhote me mantém tão ocupada que meu companheiro e eu mal temos tempo de pensar em sexo.

Nome: France

Onde vive: Ottawa

Ela esperou: Seis meses

O sexo foi: “Suave, devagar e eu defini o ritmo.”

Em suas próprias palavras: “Já tive seis bebês e estou grávida do sétimo. Com todos eles eu aguardei uns seis meses para voltar a fazer sexo, por razões diferentes.

Depois do primeiro filho, esperamos seis meses porque sofri um rasgo interno muito grave e passei meses perdendo os pontos, então fiquei com medo. Mas esperamos também porque o fato de ter um bebê pequeno para cuidar e amamentá-lo a toda hora me fez perder o interesse. Por essa razão também esperamos seis meses depois dos outros partos. Por eu estar cansada e simplesmente não sentir interesse em transar. Meu marido sempre foi respeitoso e nunca tentou me pressionar. Ele via o que eu estava passando e percebia como pode ser traumático.

Depois de cada bebê, a intimidade com meu marido não começou com uma relação sexual. Começou com sessões de carícias românticas. E acho que isso ajudou a melhorar tudo. Foi suave, foi devagar e eu defini o ritmo. A intimidade física depois de dar à luz pode ser dolorosa, e, para mim, o fato de eu não me sentir pressionada ajudou. Nosso corpo muda tanto depois de termos um filho. Coisas que a gente gostava antes podem deixar de nos dar prazer. Então pode ser preciso levar algum tempo para ver como tudo está funcionando e sentir-se à vontade com seu novo corpo.

Outro elemento a levar em conta é que quando você está amamentando, há uma regra para o marido: “acima da cintura não pode”. Faz parte de nossa redescoberta mútua. O relacionamento muda, e o relacionamento físico, também. Bom, foi o caso conosco, pelo menos. Isso não precisa ser negativo, pode ser uma delícia! E ter um companheiro super compreensivo e amoroso ajuda.”

 

trumzz via Getty Images

Nome: Anônima

Onde vive: Ottawa

Ela esperou: Nove meses depois do primeiro filho, duas semanas depois do segundo.

O sexo foi: “Não foi indolor.”

Em suas próprias palavras: “Esperamos nove meses antes de voltar a transar. Passei os primeiros oito meses em agonia. Doía para andar, para dirigir o carro e para ficar sentada por muito tempo.

Tive parto natural, sofri lacerações apenas de segundo grau e me deram sinal verde para voltar a fazer sexo seis semanas depois do parto, porque eu estava visivelmente recuperada. Mas eu sofrera lesões nos nervos, uma coisa que ninguém podia diagnosticar e que levamos muito tempo para entender o que era. Vários médicos me disseram repetidas vezes que eu estava ótima, apesar de eu chorar de dor até quando tentava ir ao parque empurrando meu bebê no carrinho. Eu quase não saía de casa.

Oito meses depois de meu bebê nascer, a sensação de dormência e ardência mudou. Procurei uma fisioterapeuta que trabalha o assoalho pélvico, e ela sugeriu que os nervos já deviam ter crescido outra vez (quem poderia saber que nervos levam tanto tempo para se recuperar?). Ela prescreveu um vibrador com “cabeças” de vários tamanhos, e tivemos que usar o vibrador para me “dessensibilizar” antes até de tentar premilinares. Mais brochante que isso, impossível.

Era uma coisa cômica de tão fria, e, se eu já não tivesse tido minha perereca totalmente exposta durante o parto, acho que não teria tido coragem de deixar meu marido fazer isso comigo. Mas, já que ele foi a razão porque meus nervos foram destruídos, achei que era certo que ele participasse do processo de cura. Um aparte, você já ouviu aquele ditado que assistir à sua mulher dando à luz é como ver seu pub favorito ser destruído num incêndio?

Mas, falando a sério, a primeira vez que tentamos transar foi seis meses após o parto. Doeu horrores, ele mal conseguiu entrar, eu fiquei gritando e chorando. Passei os 15 dias seguintes tentando convencer meu marido a me deixar para ficar com alguma mulher que fosse capaz de desempenhar seu “papel de esposa”. Lembrando disso hoje, parece engraçado, mas eu estava tão afetada pelos hormônios que foi uma fase terrível. Agora, a partir do momento que tudo se resolveu lá embaixo, nove meses depois do bebê nascer, pudemos recomeçar com tudo.

Ainda estávamos decidindo (discutindo) se devíamos ou não ter mais velhos (eu: não, ele: sim), quando engravidei sem querer. Optamos pelo parto natural outra vez, apesar de meu obstetra ter proposto uma cesárea, devido às complicações anteriores. Foi um risco enorme, mas, por alguma razão milagrosa, não sofri as mesmas lesões nos nervos.

Meu filhinho nasceu há oito semanas e já estou MUUUUITO melhor. Já tentamos transar de novo, e não é totalmente indolor, mas estou prevendo que vou voltar ao normal em poucas semanas. Não sei o que foi diferente desta vez. Meu filho nasceu com 4.1 kg, quase um quilo a mais que minha filha. Portanto, se você estiver morrendo de medo do segundo filho, baseada no que passou para ter o primeiro, meu caso é uma história de sucesso que pode ser inspiradora para você.”

Nome: Anônima

Onde vive: Ottawa

Ela esperou: 11 meses

O sexo foi: “Melhor do que eu tinha previsto.”

Em suas próprias palavras: “Depois de ter um parto normal e sofrer rasgos, simplesmente pensar em sexo era uma coisa que me apavorava durante pelo menos dez meses depois de dar à luz. Eu estava solteira desde a gravidez, então achei ótimo não sentir a pressão de tentar agradar a um companheiro ou transar só para conservar  o relacionamento.

Uma noite, 11 meses depois de dar à luz, de repente senti: ‘É isso aí, estou preparada para transar de novo!’. Liguei para um ex-namorado meu com quem sempre me senti super à vontade sexualmente, e ele teve o maior prazer em vir me dar prazer. Num primeiro momento fiquei um pouco nervosa, mas foi melhor do que eu tinha previsto. Mas meus seios ainda eram intocáveis.

Quanto mais fomos praticando, melhor foi ficando, mas eu ainda estava cansada demais para conseguir investir em ficar mais sexy. Mesmo dois anos depois do parto meu corpo ainda não tinha realmente voltado ao normal. Fico feliz por ter podido me dar aquele tempo para me recuperar, sem pressão.”

Nome: Anônima

Onde vive: Victoria

Ela esperou: Dois anos

O sexo foi: “Melhor do que eu havia previsto, mas não incrível.”

Em suas próprias palavras: “O aniversário de 2 anos do meu bebê. O timing foi coincidência – era uma noite de sábado e meu único fim de semana de folga havia algum tempo. Por que levou tanto tempo: vulvodinia (dor crônica na vulva) que se agravou após a gravidez, eu precisava esperar para meus seios se recuperarem depois de amamentar (apesar de ter parado de amamentar um ano antes), a dificuldade em encontrar tempo, com um filhinho pequeno e meus horários de trabalho malucos, e minha falta de libido.

Mas, falando francamente, a razão principal foi que eu não tinha vontade de transar com meu companheiro, sendo que passávamos 90% do tempo irritados um com o outro. E nossas “linguagens amorosas” são muito diferentes; o jeito dele de expressar interesse em mim não me estimulava. Como foi o sexo: melhor do que eu havia previsto, mas não incrível. Melhorou na única outra vez que fizemos desde então. O que ajudou: terapia, muito sexo não penetrativo e muuuito lubrificante.”

*Este texto foi originalmente publicado no HuffPost Canada e traduzido do inglês.