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20/08/2020 11:46 -03 | Atualizado 20/08/2020 18:25 -03

Steve Bannon, ex-assessor de Trump e amigo de Eduardo Bolsonaro, é preso nos EUA

Justiça concedeu liberdade a Bannon mediante pagamento de fiança de US$ 5 milhões. Ele é acusado, junto com outras 3 pessoas, de desviar doações de mais de US$ 25 milhões para a construção de um muro na fronteira entre os EUA e o México.

Reprodução/ Twitter
Bannon convidou Eduardo Bolsonaro para liderar o seu grupo político, o 'The Movement',  na América Latina.

Steve Bannon, o controverso ex-estrategista-chefe de Donald Trump e amigo próximo do deputado Eduardo Bolsonaro, foi preso nesta quinta (20) nos Estados Unidos acusado de desviar dinheiro de doações para a construção de um muro entre o país e o México. De acordo com a CNN, ele foi preso em um barco que estava na costa de Connecticut, estado próximo a Nova York.

Bannon teve a liberdade concedida pela Justiça mediante pagamento de fiança de US$ 5 milhões. Ainda não foi informado se ele já pagou e deixou a prisão. O estrategista de ultradireita e outras três pessoas foram acusados de fraude envolvendo mais de US$ 25 milhões doados ao fundo “We Build the Wall” (Nós construímos o muro).

A procuradora interina do distrito sul de Nova York, Audrey Strauss, disse que os acusados “cometeram uma fraude envolvendo centenas de milhares de doadores, capitalizando seu interesse de financiar um muro na fronteira para arrecadar milhões, sob o falso pretexto de que todo o dinheiro seria gasto na construção”.

Bannon é um dos primeiros expoentes do movimento alt-right nos Estados Unidos e por puxar o discurso de extrema direita no país.

Após deixar o governo Trump, fundou o chamado “The Movement”, grupo que apoia o nacionalismo populista e rejeita a influência do globalismo. No início de 2019, logo após a posse de Jair Bolsonaro, seu filho, o deputado Eduardo Bolsonaro anunciou ter sido convidado para liderar o “The Movement” na América Latina.   

“Trabalharemos com ele para recuperar a soberania surrupiada pelas forças elitistas globalistas progressistas e expandir o nacionalismo para todos os cidadãos da América Latina. Vamos restaurar a dignidade, a liberdade e as oportunidades econômicas para nossas grandes nação [sic] e seus vizinhos. Vamos percorrer nosso programa de unir as forças do nacionalismo”, escreveu Eduardo Bolsonaro no tuíte de janeiro de 2019.

Em meio à campanha presidencial no Brasil, Eduardo se encontrou com Bannon, durante tour nos EUA para promover seu pai em agosto de 2018.

“Foi um prazer encontrar STEVE BANNON, estrategista da campanha presidencial de Donald Trump. Tivemos uma ótima conversa e compartilhamos a mesma visão de mundo. Ele disse ser um entusiasta da campanha de Bolsonaro e certamente estamos em contato para unir forças, especialmente contra o marxismo cultural”, escreveu Eduardo na época no Twitter.

Fora da Casa Branca, Bannon se aproximou da família do presidente pelas mãos do assessor de relações internacionais, Filipe Martins, pupilo de Olavo de Carvalho. Nos Estados Unidos, Olavo de Carvalho e Bannon se encontraram em ocasiões em que Eduardo viajou ao país.

Joshua Roberts / Reuters
Bannon conversa com Olavo de Carvalho durante coquetel em março de 2019, quando Jair Bolsonaro viajou aos Estados Unidos.
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