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21/07/2020 09:48 -03 | Atualizado 21/07/2020 13:04 -03

Serra e fundador da Qualicorp são alvos de operação por caixa 2 na eleição de 2014

Serra é acusado de usar um caixa 2 de R$ 5 milhões em sua campanha de 2014; Polícia Federal fez buscas em endereços do senador em Brasília.

EVARISTO SA via Getty Images

A Polícia Federal e o Ministério Público Eleitoral de São Paulo deflagraram nessa terça-feira (21) uma operação que tem como alvos principais o senador José Serra (PSDB-SP), acusado de usar um caixa 2 de R$ 5 milhões em sua campanha de 2014, e o empresário José Seripieri Júnior, fundador do grupo Qualicorp, que atua na comercialização e administração de planos de saúde coletivos.

No fim da manhã, uma decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, suspendeu o mandado de busca e apreensão no gabinete do senador. Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, a decisão atendeu a um pedido da mesa diretora do Senado, presidida por Davi Alcolumbre (DEM-AP). O argumento é que a ordem “constitui flagrante violação à hierarquia do Poder Judiciário”.

De acordo com o MP estadual, Seripieri Jr, um dos alvos de mandado de prisão preventiva, é acusado de organizar o recebimento de doações não contabilizadas para a campanha de Serra ao Senado. A Polícia Federal também faz buscas em endereços do senador em Brasília.

A operação cumpre ainda outros três mandados de prisão temporária e 15 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Itatiba e Itu, além de Brasília, nos endereços de Serra. A 1ª Zona Eleitoral de São Paulo também determinou o bloqueio judicial de contas bancárias dos investigados.

De acordo com o MP, o fundador da Qualicorp, ex-presidente da empresa, foi responsável por organizar, operacionalizar e também coletar doações não contabilizadas, por caixa 2, para a campanha de José Serra.

“Com o decorrer das investigações, apurou-se ainda a existência de outros pagamentos, em quantias também elevadas e efetuados por grandes empresas, uma delas do setor de nutrição e outra do ramo da construção civil, todos destinados a uma das empresas supostamente utilizadas pelo então candidato para a ocultação do recebimento das doações”, diz a nota.

Em fato relevante ao mercado financeiro, a Qualicorp confirmou que seu ex-presidente foi alvo da operação e disse que um mandado de busca e apreensão também foi cumprido na sede da companhia.

“A nova administração da companhia informa que adotará as medidas necessárias para apuração completa dos fatos narrados nas notícias divulgadas nesta manhã na imprensa, bem como colaborará com as autoridades públicas competentes”, afirmou a empresa.

Também em fato relevante ao mercado, a empresa JHSF disse que sua sede foi alvo de busca e apreensão determinadas pela Justiça Eleitoral de São Paulo por causa de um contrato firmado em 2014 no qual a empresa adquiriu ingressos para o Grande Prêmio Brasil de Fórmula 1.

“A companhia prontamente atendeu as solicitações a ela endereçadas e manterá seus acionistas e o mercado tempestivamente informados acerca do desenvolvimento do referido assunto”, afirma o documento.

Por volta das 11:00, as ações da Qualicorp lideravam as perdas do Ibovespa, com declínio de mais de 5%, a 30,18 reais. No pior momento, recuaram 7%.

As ações da JHSF recuavam mais de 2%, a 9,90 reais, tendo chegado a 9,64 reais na mínima da sessão até o momento, entre os piores desempenhos do índice Small Caps, que subia 0,7%.

No mesmo horário, o Ibovespa subia 0,3%.

A assessoria de imprensa de Serra classificou a operação de “abusiva”, disse que os endereços do senador foram alvo de mandados de busca e apreensão pela PF há 20 dias, que a investigação se baseia em “fatos antigos” e que ele não tem conhecimento da apuração e jamais foi ouvido.

“José Serra lamenta a espetacularização que tem permeado ações deste tipo no país, reforça que jamais recebeu vantagens indevidas ao longo dos seus 40 anos de vida pública e sempre pautou sua carreira política na lisura e austeridade em relação aos gastos públicos. Importante reforçar que todas as contas de sua campanha, sempre a cargo do partido, foram aprovadas pela Justiça Eleitoral”, afirmou a assessoria do tucano em nota.

Também em nota, o advogado Celso Vilardi, que representa Seripieri, afirmou que “irá se manifestar assim que tiver acesso aos autos”.

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