MULHERES
06/10/2020 15:44 -03

Serena Williams diz que se considera 'desvalorizada' como mulher negra no tênis

Em entrevista à Vogue britânica, atleta falou abertamente sobre sexismo e racismo que já sofreu durante sua carreira. “Agora, nós, como negros, temos uma voz."

Serena Williams, 39, disse que foi “paga a menos (e) desvalorizada” como mulher negra no tênis e fez elogios ao movimento norte-americano Black Lives Matter por lançar luz sobre o racismo enraizado. As declarações foram dadas em entrevista à edição britânica da revista Vogue.

A estrela do esporte que já ganhou 23 títulos de Grand Slam, falou abertamente sobre sexismo e racismo que sofreu na carreira, e disse que a tecnologia também tem papel fundamental contra a discriminação racial e a violência.

“Agora, nós, como negros, temos uma voz ―e a tecnologia tem sido uma grande aliada nisso”, afirmou à revista.  “Vemos coisas que estiveram escondidas por anos; as coisas pelas quais nós, como pessoas, temos que passar. Isso vem acontecendo há anos. As pessoas simplesmente não conseguiam pegar seus telefones e gravar isso antes.”

Eu acho que, por um minuto, eles (os brancos) começaram ―não a entender, porque eu não acho que se possa entender―, mas eles começaram a ver.Serena Williams, em entrevista à Vogue britânica
REUTERS/Christian Hartmann
Jogadora norte-americana Serena Williams, em Roland Garros, Paris, na França.

“Eu acho que, por um minuto, eles (os brancos) começaram ―não a entender, porque eu não acho que se possa entender―, mas eles começaram a ver”, acrescentou. “Eu estava tipo: bem, você não viu nada disso antes? Tenho falado sobre isso durante toda a minha carreira. Tem sido uma coisa após a outra.”

Williams está entre as estrelas do tênis mais conhecidas e bem-sucedidas do mundo, junto com sua irmã Venus, e já destacou repetidamente o preconceito que enfrentou dentro e fora das quadras.

Ela boicotou o torneio BNP Paribas Open, no resort California Indian Wells, por 14 anos depois de receber comentários racistas em 2001, um incidente que ela disse tê-la deixado chorando no vestiário por horas.

Mas tenista, que é a número um do mundo, vai lembrar para sempre da data em que venceu a alemã Angelique Kerber na final de Wimbledon em 2016 e igualou o recorde de 22 títulos de grand slam da lendária tenista Steffi Graf.

 

Em 2018, ela apontou o sexismo após perder um ponto por quebrar sua raquete em ato de frustração no Aberto dos Estados Unidos, com a pioneira do tênis feminino Billie Jean King elogiando-a por expor um “padrão duplo” para as jogadoras.

Mas Williams, de 39 anos, disse à Vogue britânica que tem orgulho de representar “belas mulheres negras” e espera que as atitudes possam estar mudando gradualmente.

“Talvez isso não melhore a tempo para mim, mas alguém na minha posição pode mostrar às mulheres e pessoas não-brancas que temos uma voz, porque Deus sabe que eu uso a minha”, disse.

A construção de uma lenda do tênis mundial

Osman Orsal / Reuters
Serena Williams, dos EUA, comemora sua vitória contra Li Na, da China, após a partida final do campeonato de tênis WTA em Istambul, 27 de outubro de 2013.

Assim como fez para a Vogue britânica, em 2016, Williams já tinha escrito uma carta sobre desigualdade de gênero e machismo “para todas as mulheres incríveis que se esforçam para serem excelentes”. O texto foi publicado na edição de dezembro da revista Porter e reproduzido pelo The Guardian.

Ela escreveu sobre como sempre sonhou em ser a melhor tenista do mundo e como se esforçou para realizar isso desde então. “Eu tive a sorte de ter uma família que apoiou meu sonho e me incentivou a segui-lo. Eu aprendi como é importante lutar por um sonho e, o mais importante, sonhar grande. Minha luta começou quando eu tinha três anos e eu não fiz uma pausa desde então.”

A atleta fez críticas ao fato de sempre ser rotulada entre “as melhores tenistas mulheres do mundo”. Como se por ser mulher, precisasse estar em uma categoria à parte. 

“As pessoas me chamam uma das ‘maiores atletas mulheres do mundo’. Eles dizem que LeBron é um dos melhores atletas homens do mundo? E o Tiger? Federer? Por que não? Certamente porque eles não são mulheres.”

Na carta, ela também reconhece que ser mulher e negra fizeram seus objetivos mais difíceis de alcançar.

“Como sabemos, as mulheres têm de quebrar muitas barreiras no caminho para o sucesso. Uma dessas barreiras é a forma como somos constantemente lembradas de que não somos homens, como se fosse uma falha.”

Leia o texto completo aqui.

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