MULHERES
14/10/2019 03:00 -03

Esta série de fotos íntimas explora o que significa a condição de mulher em 2019

“Entendi que precisávamos criar as imagens que queríamos ver.”

The Womanhood Project
“Meu corpo é o navio e eu sou apenas a passageira. Eu vou onde ela me leva; ouço e aprendo com ela.” - Tika, 33 anos

Ser mulher é complexo. É belo e é confuso. É algo que muda de uma pessoa a outra e que vai se modificando internamente para cada uma de nós também, ao longo do tempo. Então de que jeito transmitir isso em uma foto?

As amigas Sara Hini e Cassandra Cacheiro, de Montreal, procuraram explorar exatamente isso em sua série de fotos íntimas intitulada The Womanhood Project (Projeto Condição Feminina, em tradução livre).

A série traz pessoas que se identificam como mulheres e também não-binárias, fotografadas como elas querem. Foi perguntado a cada uma o significado da condição feminina para elas em 2019.

“Eu estava cansada da homogeneidade absurda das imagens mostradas no Instagram”, disse Hini, explicando o que inspirou o projeto. “E mais ainda quatro anos atrás – havia uma falta enorme de diversidade entre modelos, fotógrafos e influencers.”

Mas Hini também sabia que a plataforma tem um poder enorme quando utilizada corretamente. “Entendi que em vez de ficarmos nos queixando, precisávamos criar as imagens que queríamos ver”, explica.

The Womanhood Project
Sara Hini e Cassandra Cacheiro.

Cacheiro, que se identifica como womxn (termo usado nos Estados Unidos para substituir a palavra “man” contida em “woman”), se interessou pela ideia de formar a parceria com Hini porque ela nunca se sentiu “representada na mídia”.

“Pouco a pouco estamos tentando falar mais abertamente dos tabus e dificuldades das womxn, e ao mesmo tempo representar todos os tipos de corpos, culturas e modos de vida”, ela diz.

“Sempre enxerguei muita beleza nas womxn que estão na minha vida, mas não entendia porque essas mulheres nunca estavam representadas na mídia. O Womanhood Project surgiu para divulgar e promover todos os tipos de beleza.”

The Womanhood Project
“Aqui estou, simplesmente eu, uma pessoa que está criando outra pessoa dentro de mim. Me sinto muito empoderada, mas não de um jeito tipo Deusa Terra Mamãezona, senão os estereótipos de gênero me oprimiriam também.” – Camille, 27 anos

Ao lado das fotos, Hini e Cacheiro entrevistaram pessoas de todos os setores da sociedade sobre a realidade de sua vida, passando pelos temas do gênero, maternidade, abusos, saúde mental, aborto, menstruação, pelos corporais e muito mais.

Entre as participantes está Camille, que está tentando definir o que significa identificar-se como não-binária quando está grávida, e Gloria, que compartilha como sua mãe a ajudou a rejeitar a ideia de que “negra e feia seriam a mesma coisa”.

O projeto também traz Cassie, que fala de como sua visão da condição feminina mudou desde que concebeu através de FIV com sua esposa, e Béatrice, que fala de como é ter dismorfia corporal.

Hini espera que, depois de verem as imagens, as pessoas entendam que “não existe um jeito certo ou errado de ser”. “O conceito de ser mulher é complexo, belo e está em evolução constante”, ela comenta.

Cacheiro acrescenta: “Quero que a diversidade passe a ser a nova normalidade, que todos os tipos de formas corporais e tons de pele sejam mostrados em todo lugar. Se alguém se sentir mais bem compreendida ou se gostar mais depois de visitar nosso site ou nossa página no Instagram, nosso trabalho terá sido feito.”

Veja abaixo mais imagens da série ou confira o material completo no site do The Womanhood Project.

The Womanhood Project
“Passei a infância num bairro predominantemente branco e racista e desenvolvi inseguranças enormes sobre minha aparência física desde muito pequena. Com 7 anos de idade, já comecei a interiorizar a ideia de que a negritude é sinônimo de  feiura.” – Gloria, 20 anos
The Womanhood Project
“Uma coisa interessante é que eu me sinto mais feminina quando estou exercendo papéis tipicamente masculinos: dirigindo meu carro, sendo chefe, transando com minha mulher, sendo a provedora de minha família. Mas descobri que, como mulher, nunca é possível ficar muito à vontade. Esse aprendizado está sendo doloroso.” – Cassie, 30 anos
The Womanhood Project
“Sou uma curandeira que precisa primeiro curar a si mesma. Estou ingressando em um novo capítulo da vida que me obriga a me olhar no espelho e enfrentar meus demônios. A dor é um desafio, e o desafio é crescimento.” – Mallory, 21 anos
The Womanhood Project
“Eu precisava me lembrar que, por mais que eu o odiasse, meu corpo era meu herói quando minha mente não podia ser.” – Béatrice Martin, 29 anos, falando de como é conviver com a dismorfia corporal