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31/01/2020 10:12 -03

Em meio a crise no MEC, secretário de Educação Superior pede demissão

Arnaldo Lima Junior era responsável pelo Sisu, que foi afetado por erros no Enem; secretário alegou “motivos pessoais” para deixar o posto.

Valter Campanato/Agência Brasil
Em carta, Lima Junior alega “motivos pessoais” e diz que vai “abraçar um novo propósito profissional”.

Em meio a uma crise no Ministério da Educação após falhas no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), o secretário de Educação Superior, Arnaldo Lima Junior, pediu demissão na quinta-feira (30).

Em carta enviada ao ministro Abraham Weintraub e publicada pelo site G1, Lima Junior alega “motivos pessoais” e diz que vai “abraçar um novo propósito profissional”.

A secretaria de Ensino Superior, responsável pelas universidades federais, esteve no epicentro das polêmicas do ministério em 2019, com o bloqueio de recursos pela pasta.

Os problemas no Enem são responsabilidade de outra secretaria no ministério, mas o Sisu (Sistema de Seleção Unificada), também afetado pelos problemas no Enem, estava sob a alçada de Lima Júnior.

“Quando assumi a Secretaria, estava ciente da responsabilidade que resultaria desse ato, mas nunca deixei de ousar e nunca fiz nada sozinho”, escreveu o secretário na carta ao ministro.

Logo após a liberação dos resultados do Enem, no último dia 17, estudantes foram às redes sociais reclamar que a nota não era compatível com a correção feita com base no gabarito oficial.

No dia seguinte, o Ministério da Educação reconheceu a falha. O erro atingiu 5.974 dos 3,9 milhões de estudantes que participaram do processo.

De acordo com o presidente do Inep, órgão do ministério responsável pela prova, Alexandre Lopes, a prova desses estudantes foi corrigida por um gabarito trocado. Segundo ele, a gráfica que imprime os cadernos de questões e o caderno de respostas cria códigos de barra para cada um deles. O erro teria acontecido na geração dos códigos e na hora em que outra máquina une os dois documentos.

Com a suspeita de que estudantes poderiam ser prejudicados com o erro nas correções, a Justiça suspendeu a divulgação dos resultados do Sisu - sistema do ministério por meio do qual instituições públicas de ensino superior oferecem vagas. Ainda assim, o MEC chegou a divulgar os resultados por alguns segundos na data prevista (dia 28). Questionado, o ministério alegou que as notas não eram as oficiais.

No fim do dia, quando o governo conseguiu derrubar a decisão da Justiça e divulgou as notas, o resultado batia com o que havia sido publicado pela manhã.