ENTRETENIMENTO
11/05/2020 12:14 -03 | Atualizado 11/05/2020 12:34 -03

Sebastião Salgado faz apelo por índios em meio à pandemia de covid-19

Fotógrafo conversou com presidente de museu de Roma: "o risco de perdê-los é enorme".

O fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado participou de um conversa online com a presidente do Museu Nacional das Artes do Século 21 (Maxxi) de Roma, na Itália, Giovanna

Melandri, e fez um apelo pelos indígenas que vivem na Amazônia, especialmente, neste momento da pandemia do novo coronavírus (Sars-CoV-2).

Na ação chamada “Um novo mundo”, Salgado ressaltou que a Covid-19 causa mais um grande preocupação contra uma população que já é ameaçada pesadamente por um ataque sistêmico de mineradores e de todas as formas de desmatamento. Em quase 40 minutos de entrevista, o fotógrafo também não poupou críticas ao presidente Jair Bolsonaro, segundo o qual, “foi eleito pelo agronegócio e é apoiado por grupos religiosos evangélicos que querem as almas dos índios”.

“Eles [indígenas] podem ser completamente infectados e eliminados, sem a possibilidade de ajuda e assistência por conta da vastidão do território amazônico. O risco de perdê-los é enorme”, disse à presidente do Maxxi.

Durante a sua fala, o fotógrafo falou sobre uma petição que lançou no portal Avaaz.com e que busca 300 mil assinaturas para fazer pressão no governo para proteger a população indígena que vive na Amazônia. A ação foi criada em parceira com sua esposa, Lélia Wanick Salgado, e já tem mais de 237 mil assinaturas recolhidas.

 

INA FASSBENDER via Getty Images
"Não há tempo a perder”, afirma Sebastião Salgado sobre avanço da covid-19 nas aldeias indígenas.

Conforme Salgado, há 102 grupos indígenas na região que nunca tiveram contato com pessoas externas ao seu ambiente. Notícias recentes apontam que há 120 índios infectados pela Covid-19 e 38 deles morreram nas áreas suburbanas de Manaus. O temor é que essas pessoas que não vivem mais em isolamento, mas ainda se deslocam para visitar aqueles que moram na floresta, contaminem os demais.

“O Exército poderia fazer muito para ajudá-los, mas é preciso uma ordem explícita. Para esse objetivo, fizemos o manifesto para criar uma força-tarefa para uso militar na defesa das populações indígenas”, ressalta o especialista pontuando que há a necessidade de uma pressão política, inclusive, com envolvimento internacional.

 

 

A conversa com Salgado foi uma das atividades que antecipam uma grande mostra que o brasileiro fará no Maxxi em 2021, em que serão apresentadas fotos tiradas de tribos de Amazônia em um projeto que já dura cerca de 10 anos. A mostra também será exibida em Paris, na França, em São Paulo e no Rio de Janeiro. Pela primeira vez, terá uma trilha sonora com melodias do francês Jean Michele Jarre, além de composições de Heitor Villa-Lobos.

“A música e as minhas fotos serão um grande espetáculo. Ainda teremos um vídeo com intervenções na língua deles, oito ao todo, de líderes dos movimentos indígenas”, destaca ainda. “Precisamos fazer mais. A esperança é que todos tomem consciência que o desaparecimento das populações indígenas seria uma tragédia extrema para o Brasil e uma perda imensa para a humanidade. Não há tempo a perder”, finaliza Salgado.