OPINIÃO
07/02/2020 03:00 -03 | Atualizado 07/02/2020 03:00 -03

Por que já passou da hora de Scarlett Johansson ganhar um Oscar

No melhor ano de sua carreira, a atriz de 35 anos emplaca uma rara indicação dupla e prova que o rótulo de "musa" é ridículo.

Mesmo que Renée Zellweger e Laura Dern sejam as grandes favoritas a conquistar o Oscar de Melhor Atriz e o de Melhor Atriz Coadjuvante em 2020, não há ninguém em Hollywood que tenha mais motivos para comemorar indicações ao prêmio do que Scarlett Johansson.

Não que seja uma surpresa ela ter emplacado seu nome nas duas categorias de atriz, mas isso é bem raro de acontecer. E, convenhamos, já passou da hora dessa atriz novaiorquina de 35 anos ganhar um Oscar.

Tanto que, em 91 anos de história do prêmio mais famoso do cinema, apenas 11 pessoas conseguiram disputar a estatueta de Melhor Ator/Atriz e Melhor Ator/Atriz Coadjuvante.

A má notícia para Johansson é que, desses, apenas Holly Hunter, Al Pacino e Jamie Foxx conseguiram levar o prêmio como protagonistas. Já Fay Bainter, Teresa Wright, Barry Fitzgerald e Jessica Lange venceram como coadjuvantes. Enquanto Sigourney Weaver, Emma Thompson, Julianne Moore e Cate Blanchett saíram da premiação de mãos vazias.

Independentemente se ganhará o prêmio como Nicole, de História de um Casamento, ou Rosie, de Jojo Rabbit, Johansson está longe de ser apenas uma “musa”, como muita gente ainda insiste em rotulá-la. Com uma carreira de 25 anos nas costas, ela já trabalhou com cineastas cultuados, como Sofia Coppola, Woody Allen, Brian De Palma, Christopher Nolan, Jonathan Glazer, Joel e Ethan Coen, Wes Anderson, entre outros.

E vem se desafiando com papeis completamente distintos em produções de todos os tamanhos, da mais independente a blockbusters gigantescos - como Vingadores: Ultimato, filme que detém o recorde de maior bilheteria de todos os tempos. 

Uma carreira diversificada

Divulgação/Montagem
Scarlett Johansson em "Ghost World - Aprendendo a Viver", "Encontros e Desencontros", "Sob a Pele" e "Vingadores".

Apesar de sua carreira ter começado quando ela tinha apenas 10 anos, Johansson começou a ficar mais conhecida quando estava prestes a completar 17, como a Rebecca de Ghost World - Aprendendo a Viver (2001), filme baseado no quadrinho cult de Daniel Clowes em que atuou ao lado de uma atriz adolescente bem mais conhecida na época, Thora Birch - que dois anos antes tinha chamado atenção em Beleza Americana (1999), vencedor do Oscar de Melhor Filme em 2000. Ela ganhou um prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante no Festival de Toronto com esse filme.

Mas Johansson explodiu mesmo em 2003, como a Charlotte de Encontros e Desencontros, papel que lhe rendeu prêmios de Melhor Atriz no Festival de Veneza e no Bafta, o “Oscar britânico”. O trabalho bem sucedido com a cultuada cineasta Sofia Coppola foi logo emendado com outro papel marcante, o de Griet em Moça com Brinco de Pérola, também de 2003.

No ano seguinte, seu único trabalho de mais impacto foi na animação Bob Esponja - O Filme, dando voz à sereia Mindy, mas, em 2005, ela voltou a chamar a atenção da crítica e do público no drama Ponto Final - Match Point, de Woody Allen, cineasta com quem trabalhou em mais dois filmes: Scoop - O Grande Furo (2006) e Vicky Cristina Barcelona (2008).

Depois de cair nas graças de Allen, Johansson fez parceiras com mais dois diretores muito conceituados - ambas em 2006. Com Brian De Palma, foi Kay Lake, em Dália Negra, e com Christopher Nolan, foi Olivia Wenscombe, em O Grande Truque. No entanto, nenhuma das duas produções foi um grande sucesso de bilheteria.

A grande virada veio longos quatro anos depois, quando Johansson finalmente conseguiu um papel importante em um blockbuster. Ela entrou para o time da Marvel em Homem de Ferro 2 (2010), sua primeira aparição como a Viúva Negra, personagem que entraria no principal grupo de super-heróis do MCU (Universo Cinematográfico Marvel): Os Vingadores.

Curiosamente, Natasha Romanoff, a Viúva Negra, foi a única da equipe a não ganhar uma aventura solo até o fim da trilogia dos Vingadores, que terminou em Ultimato (2019). Mas esse equívoco será logo corrigido, pois, em 4 de abril, o filme protagonizado pela personagem será lançado no mundo todo.

Mesmo com o sucesso nos arrasa-quarteirões da Marvel, Johansson seguiu explorando seu talento em papéis nada convencionais em produções bem mais modestas, como Como Não Perder Essa Mulher (2013), primeiro filme dirigido pelo ator Joseph Gordon-Levitt; Sob a Pele (2013), do uber cult Jonathan Glazer; Ela (2013), do também cultuado cineasta Spike Jonze; Chef (2014), de seu amigo de Marvel Jon Favreau;  Lucy (2014), do francês Luc Besson; Ave, César! (2016), dos irmãos Coen; e Ilha dos Cachorros (2018), do hipster Wes Anderson.

A Hora e a vez do Oscar

Divulgação/Montagem
Scarlett Johansson em "História de um Casamento" e "Jojo Rabbit".

O ano de 2019 foi o mais bem sucedido de Johansson. Começou com dois grandes campeões de bilheteria: Capitã Marvel e Vingadores: Ultimato, e terminou com filmes aclamados pela crítica e que renderam a ela uma indicação dupla ao Oscar 2020: História de um Casamento, como Melhor Atriz, e Jojo Rabbit, como Melhor Atriz Coadjuvante. Ou seja, um resumo do que foi sua carreira, um perfeito equilíbrio entre produções populares e cults em que ela mostra todas as suas facetas como atriz.

É claro que não há como prever o futuro, mas será difícil para ela repetir um ano tão bom. Por isso, seria muito merecido que Johansson fosse premiada com uma estatueta na cerimônia que acontece neste domingo (9). Nós estamos na torcida.