Tamo Junto

Comercial questiona cultura escandinava e sofre ataques anti-imigração

Empresa escandinava SAS foi alvo de ataques de grupos anti-imigração após campanha publicitária que questiona a origem dos principais símbolos da cultura do país.

E se o Carnaval não fosse nosso? O samba? A feijoada? O acarajé? E se os maiores símbolos da cultura brasileira fossem questionados? Ou melhor, e se eles fossem copiados?

À primeira vista, a resposta para essas perguntas parece complexa. Porém, basta um olhar mais distanciado para lembrar que a nossa miscigenação não permite que nada seja absolutamente nosso, mas resultado de processos culturais e identitários dos povos que nos formaram.

Mas, e quando você decide levar essa discussão para o debate público, e a partir de um posicionamento próprio de sua marca? Foi exatamente isso que a companhia aérea SAS fez.

Partindo do pressuposto que viajar nos torna cidadãos mais globais e mais empáticos, a SAS compartilhou uma campanha na última segunda-feira (10) em que questiona o que seria algo realmente escandinavo.

O vídeo, de cerca de três minutos, expõe os principais elementos considerados como formadores da cultura do país. Em resposta, a empresa sofreu ataques online de grupos anti-imigração e até a ameaça por e-mail de um ataque com bombas.

O pão sueco, na realidade, tem origem turca. Pratos típicos como sanduíches abertos e bolinhas de carne também vieram de outros locais. O modelo de democracia? Só existe por causa dos gregos. E até garantias sociais, como por exemplo a licença paternidade, foram inspirados em outros países.

A campanha, que tem título original What is truly Scandinavian?, foi idealizada pela agência dinamarquesa &Co e é finalizada com a imagem de turistas e viajantes de diversos países em aeroportos da Dinamarca, Suécia e Noruega.

“Nós pegamos tudo que gostamos em nossas viagens, ajustamos um pouco aqui e ali e ele logo se torna em algo unicamente escandinavo”, diz o vídeo.

O comercial tenta quebrar a ideia de que existe uma “cultura pura” e mostra como, ao longo da história, sofremos influências de todos os povos. Apesar da beleza das imagens, porém, a campanha não foi bem recebida.

Menos de 24 horas após ter sido publicada nas redes sociais, a campanha da SAS se tornou alvo de ataques de grupo políticos anti-imigração que se sentiram ofendidos com o questionamento.

“Eu sempre viajei com a SAS, mas agora sentiria um gosto ruim na boca se o fizesse novamente, porque é assim que nos sentimos quando cospem na gente”, declarou Søren Espersen, um dos porta-vozes.

Em resposta, a empresa afirmou que o filme havia sido mal compreendido e que estava “orgulhosa” da sua mensagem.

“As experiências que nós trazemos de nossas viagens nos inspiram como indivíduos, mas também nossa sociedade”, diz o comunicado oficial da SAS. “É uma pena que o filme seja mal compreendido, que alguns tenham escolhido interpretar e usar a mensagem para seus próprios fins”, completa.