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15/06/2020 10:34 -03 | Atualizado 15/06/2020 10:52 -03

Bolsonarista Sara Winter é presa pela PF após ato contra prédio do STF

Além de Winter, outros 5 integrantes do grupo '300 pelo Brasil', que lançou fogos de artifício contra o Supremo, tiveram a prisão temporária autorizada por Alexandre de Moraes.

Reprodução Twitter
A ativista Sara Winter, alvo do inquérito das fake news e presa nesta segunda na investigação sobre atos antidemocráticos.

Na manhã desta segunda-feira (15), a ativista Sara Winter, líder de um grupo de apoio ao presidente Jair Bolsonaro chamado de “300 pelo Brasil” foi presa pela Polícia Federal no âmbito de um inquérito que apura a realização de atos contra o Supremo Tribunal Federal e o Congresso Nacional.

O grupo de Winter realizou um protesto, com cerca de 30 pessoas, na noite de sábado (13), em que atirou fogos de artifício contra o prédio do STF, em Brasília. Outros 5 integrantes do grupo também são alvo de pedidos de prisão temporária.

Após a ação de sábado, o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Dias Toffoli, afirmou em nota no domingo (14) que a corte “jamais se sujeitará, como não se sujeitou em toda a sua história, a nenhum tipo de ameaça”. “Infelizmente, na noite de sábado, o Brasil vivenciou mais um ataque ao Supremo Tribunal Federal, que também simboliza um ataque a todas as instituições democraticamente constituídas”, escreveu Toffoli na nota.

Apoiadores ofenderam com xingamentos os ministros da corte e, em tom de ameaça, questionavam se eles tinham entendido o recado e diziam que eles “se preparassem”.

Após pedido de Toffoli para que fossem identificados e responsabilizados os participantes e financiadores do ato, o procurador-geral da República, Augusto Aras, abriu uma investigação preliminar.

Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, os pedidos de prisão, no entanto, já tinham sido feitos na sexta, 12, antes da ação com fogos de artifício, pelo vice-procurador-geral da República Humberto Jacques de Medeiros e enviados ao gabinete do ministro do STF Alexandre de Moraes, que autorizaria depois as prisões. Isso porque o grupo já vinha sendo investigado por outros atos.

Antes de Winter, outro integrante do grupo, Renan Sena, ex-funcionário do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, havia sido detido. Sena, que foi identificado em vídeos da ação contra o prédio do STF, já tinha sido flagrado agredindo uma enfermeira que fazia uma manifestação pacífica em Brasília no dia 1º de maio em favor do isolamento social – combatido por Bolsonaro. O ex-funcionário do ministério também era visto com frequência no “cercadinho” dos apoiadores do presidente em frente ao Alvorada.

Os ativistas tiveram o pedido de prisão decretado dentro do inquérito que investiga o financiamento de manifestações antidemocráticas. Bolsonaro participou de algumas das manifestações com cartazes contra o STF e o Congresso, investigadas pelo Supremo, e chegou a discursar em uma delas que foi realizada em frente ao quartel-general do Exército, em Brasília.

Sara Winter já havia sido alvo de um mandado de busca e apreensão no âmbito do inquérito aberto por iniciativa do Supremo e que investiga a elaboração e disseminação de fake news e ataques e ameaças contra ministros da corte.

Depois de ser alvo de busca e apreensão, Winter fez vários vídeos em que ameaçava o ministro do STF Alexandre de Moraes, que autorizara a ação da PF.

“Pena que ele [Moraes] mora em São Paulo. Porque, se ele morasse aqui [em Brasília], eu já estava na frente da casa dele convidando para trocar soco comigo. Juro por Deus. Essa é a minha vontade. Queria trocar soco com esse fdp, esse arrombado. Infelizmente, não posso”, disse em um dos vídeos.

“Ele mora lá em São Paulo, não é? Pois você me aguarde, senhor Alexandre de Moraes. Nunca mais vai ter paz na sua vida. A gente vai infernizar sua vida, vamos descobrir os lugares que o senhor frequenta, a gente vai descobrir quem são as empregadas domésticas que trabalham para o senhor. A gente vai descobrir tudo da sua vida até o senhor pedir para sair”, completou. 

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