NOTÍCIAS
30/03/2020 15:40 -03

São Paulo lança campanha ‘Fique em casa’ em contraponto ao vídeo ‘O Brasil não pode parar’

Doria pede à população que não escute Bolsonaro. “Lamentavelmente, ele não lidera o Brasil no combate ao coronavírus.”

Miguel Schincariol via Getty Images
Nesta segunda, o João Doria refutou ainda a ideia de lockdown, que é uma medida de restrição extrema.

O governador de São Paulo, João Doria, reforçou nesta segunda-feira (30) a recomendação para que os moradores do estado não saiam de casa e pediu ainda que não escutem o presidente Jair Bolsonaro no combate ao coronavírus.

“Quero voltar a reafirmar escutem e atendam as recomendações médicas. E não em informações colocadas nas redes sociais. Ou lamento dizer, mas, neste caso, por favor, não sigam as orientações do presidente da República do Brasil”, disse em coletiva de imprensa.

Doria afirmou que “lamentavelmente [o presidente] não lidera o Brasil no combate ao coronavírus”.

O pedido à população também é feito em peça publicitária do estado, divulgada nesta segunda. O filme orienta os moradores de São Paulo a seguirem, entre outros, recomendações da OMS (Organização Mundial de Saúde), profissionais da área e inclusive o presidente dos Estados Unidos, “que antes dizia para todos irem trabalhar”: “fique em casa”.

“A economia a gente trabalha e recupera. A vida de quem a gente ama não dá para recuperar. Fique em casa”, diz a peça publicitária.

O vídeo vai em direção oposta ao que o governo federal divulgou, no qual dizia que o Brasil não pode parar. Após uma chuva de críticas, a Secretaria de Comunicação deletou das redes sociais e disse que o filme não era oficial.

A troca de farpas entre o governador e o presidente aumentou na pandemia de coronavírus. Na última quarta (25), em reunião de governadores da região Sul e Sudeste com o presidente, Doria criticou o pronunciamento no qual o presidente defendeu a volta à “normalidade”. Bolsonaro se irritou e acusou o ex-aliado de ser “leviano” e de apelar à “demagogia”. 

“Acabou as eleições (sic), me vira as costas e começa a me atacar covardemente àquele que emprestou seu nome para a eleição não de forma voluntária. Guarde essas suas observações para a campanha de 2022, quando Vossa Excelência poderá destilar todo o seu ódio por ocasião das mesmas”, afirmou o presidente a Doria. 

Lockdown

Nesta segunda, o governador refutou ainda a ideia de lockdown, que é uma medida de restrição extrema. De acordo com o secretário de Saúde, José Henrique Germann, “pelos casos iniciais que temos eu diria que não vamos ter a necessidade de repetir o isolamento social muitas vezes mais e nem fazer um isolamento compulsório tipo lockdown”.

Bolsonaro tem defendido uma espécie de isolamento vertical, no qual apenas o grupo de risco seria isolado e o restante da população deveria “voltar à normalidade”.

“Tem que isolar quem você pode. A família tem que cuidar em primeiro lugar, o povo tem que parar de deixar tudo nas costas do governador. (...) Se não tiver ninguém, aí pega um asilo...”

O método, entretanto, não é eficaz nesse momento em que já há transmissão sustentada. Médico do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, em São Paulo, Jamal Suleiman explica que isolar apenas o vírus podia ter sido uma política adotada no início da pandemia, ao testar todas as pessoas e manter em quarentena apenas aquelas com teste positivo.

“Mas desde o início a orientação do Ministério da Saúde foi outra, foi para casos suspeitos com sintomas leves ficarem em casa. Isso foi adotado até porque não tem teste para todo mundo, os testes estão em falta. Se não tem teste, se não sabe quem está com o vírus, vai isolar quem?”, questiona.