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08/05/2020 14:06 -03 | Atualizado 08/05/2020 15:12 -03

Com curva de contaminação em alta, São Paulo prorroga quarentena até 31 de maio

"Como governador de São Paulo, eu gostaria de dar uma notícia diferente da que vou dar agora, mas o cenário é desolador", disse Doria.

NurPhoto via Getty Images
“Nenhum país do mundo conseguiu relaxar o isolamento social com a curva de contaminação em alta. Repito: nenhum”, disse Doria.

A quarentena para conter a disseminação do coronavírus no Estado de São Paulo será prorrogada até o dia 31 de maio, anunciou nesta sexta-feira o governador paulista, João Doria (PSDB). Ele afirmou ser impossível relaxar as medidas de restrição, como fechamento do comércio não essencial, num momento em que a curva da pandemia está em ascensão.

“Como governador de São Paulo, eu gostaria de dar uma notícia diferente da que vou dar agora, mas o cenário é desolador. Teremos que prorrogar a quarentena até 31 de maio”, disse Doria em entrevista coletiva no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista.

No dia 22 de abril, Doria anunciou que o governo elaborava um plano para reabertura da economia paulista ―que dependeria do andamento da pandemia no Estado, da adesão ao isolamento social e da ocupação de leitos― a partir do fim do decreto atual, no dia 10 de maio, e que seria detalhado nesta sexta.

Segundo o governador, o avanço da pandemia em São Paulo ―com a aceleração do número de casos― e a baixa adesão ao isolamento social ―que tem estado abaixo de 50% em dias de semana― inviabilizaram a reabertura.

“Nenhum país do mundo conseguiu relaxar o isolamento social com a curva de contaminação em alta. Repito: nenhum”, disse Doria.

São Paulo vem prorrogando a quarentena desde 7 de abril. No dia 17, quando anunciou uma das prorrogações, o governador afirmou que “para reabrir o comércio e os serviços precisamos ter o sistema de saúde também em condições de atendimento para salvar vidas”. “Aqui não tomamos medidas irresponsáveis, precipitadas ou baseadas no achismo ou ideologia”, acrescentou.

Na época, Doria também destacou baixa adesão ao isolamento. Sistema de monitoramento do estado mostrou que no dia 16, o índice de isolamento foi de 49%. O ideal para conter a disseminação do vírus, de acordo com o governo do estado, é manter em torno de 70%.

Máscaras obrigatórias

Desde de quinta (7), é obrigatório o uso de máscaras no transporte público em São Paulo. A exigência vale para metrô, trens da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) e ônibus municipais e intermunicipais, além de táxis e transporte por aplicativos. 

Passageiros e motoristas deverão usar a máscara. O motorista poderá recusar a corrida ou negar a entrada do passageiro se não houver o uso da proteção. O ônibus que tiver ao menos um passageiro sem máscara será multado em R$ 3,3 mil por dia. O passageiro será advertido verbalmente.

Segundo o secretário de Transportes Metropolitanos, Alexandre Baldy, a medida é uma reedição do que vem sido adotado em vários países. “E vem sendo observada como assertiva e recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Não será permitido o acesso ao transporte sem máscara. Podem ser as caseiras, de pano. É uma medida de proteção à saúde e à vida de quem precisa do transporte para se locomover todos os dias”, afirmou.

Rodízio

Também na quinta, as autoridades decidiram tornar mais rígido rodízio de veículos na cidade de São Paulo. As novas regras valem a partir da próxima segunda-feira (11), segundo anunciou o prefeito Bruno Covas (PSDB).

Em entrevista coletiva, o prefeito disse que a nova modalidade de rodízio de veículos valerá em toda a cidade, durante as 24 horas do dia, inclusive aos sábados e domingos, e deixará fora de circulação metade dos carros da cidade todos os dias.

“Momentos e questões extremas exigem medidas extremas, razão pela qual a gente anuncia hoje o retorno do rodízio na cidade de São Paulo, inclusive de uma forma ainda mais restritiva do que ele era aqui na cidade”, afirmou.

“Não dá para a gente deixar de tomar medidas como essa num momento em que a gente observa uma taxa de ocupação de leito passar os 80% e metade dos hospitais municipais referenciados para covid já estão com mais de 95% de ocupação dos leitos de UTI”, afirmou.

A cidade de São Paulo tem 3.206 óbitos confirmados pela covid-19 e 39.928 diagnósticos positivos para a doená.