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01/03/2020 09:17 -03 | Atualizado 02/03/2020 11:47 -03

Santos Cruz: Divulgação de vídeo pró-manifestação por Bolsonaro cria 'ambiente bastante agitado'

Ao HuffPost, ex-ministro da Secretaria de Governo diz que, no lugar do presidente, não teria compartilhado vídeo e que retorno dos militares ao poder é 'ideia aventureira'.

Adriano Machado / Reuters
Para general Santos Cruz, intervenção militar é uma "ideia aventureira". 

Oito meses depois de deixar o governo, o general da reserva do Exército Carlos Alberto dos Santos Cruz, ex-ministro da Secretaria de Governo da Presidência, ainda acompanha de perto as crises e as tensões que envolvem a administração de Jair Bolsonaro

Sobre a mais recente delas, em que Bolsonaro compartilhou um vídeo convocando a população para uma manifestação com pauta contrária ao Congresso, Santos Cruz diz que a ação do presidente criou um “ambiente bastante agitado” e que “sem dúvida não faria da mesma forma”.  

“O problema é esse. O presidente não é uma pessoa. Ele é uma instituição. Então, tudo o que ele faz tem um reflexo muito forte”, disse o general em entrevista ao HuffPost na tarde de sexta-feira (28). “Ele é o Poder Executivo, ele é uma instituição nacional, é uma pessoa que tem todas essas imagens. [Esse tipo de ação] Cria um ambiente bastante agitado para aqueles que acompanham.” 

Alvejado da Secretaria de Governo da Presidência após fritura nas redes sociais orquestrada pelo guru ideológico do governo, Olavo de Carvalho, e apoiada por um dos filhos, o vereador Carlos Bolsonaro, o general avalia que os apoiadores do presidente que transitam pela internet “tumultuam”. À CPI das Fake News, o ex-funcionário do governo classificou fritura como a “escória do comportamento político”.  

É nas redes sociais que tem ocorrido a mobilização para os protestos. Para Santos Cruz, “esses extremismos” causam “agitação” e “perturbam”. Esse foi um dos motivos pelos quais o general correu para se manifestar sobre o uso da imagem de quatro militares fardados, entre eles o vice-presidente Hamilton Mourão, e o ministro Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional), em um banner chamando para a manifestação. Nele, há porém, uma mensagem a mais: “os generais aguardam as ordens do povo”. 

“Você pegar fotografia de quatro generais fardados, para as pessoas que não têm conhecimento, parece que uma Força Armada inteira está comprometida com aquilo. Você quer criar uma ideia institucional, de que tem uma instituição militar, de que os militares estão envolvidos como instituição. Isso está errado. Isso é falta de responsabilidade”, criticou o general.

Os vídeos compartilhados pelo presidente falam em uma manifestação de apoio a Bolsonaro. Porém, apoiadores do mandatário fazem circular pelas redes e pelo WhatsApp mensagens com outras agendas que vão de “fora Maia e Alcolumbre” a fechamento do Congresso e retorno do regime militar. 

Essa última pauta evocada, a intervenção militar, é classificada por Santos Cruz como “uma ideia aventureira”. “Não posso falar pelo Exército, muito menos pelas Forças Armadas, mas o pessoal que está lá é muito bem preparado. Esse anseio de militar no poder é um negócio que não tem sentido”, diz. 

Acostumado a resolver turbulências de toda ordem - comandou as forças da ONU (Organização das Nações Unidas) no Haiti e no Congo -, o militar da reserva acredita na necessidade de se manter uma estabilidade e não vê no período atual nada além de uma “agitação”.

Entre as causas disso, para ele, estão, entre outros motivos, ataques reiterados à imprensa: “A imprensa como um todo é uma instituição. Todas as instituições têm que ser reforçadas. Você só vai ter democracia se você tiver instituições fortes”. 

AFP via Getty Images
Santos Cruz em entrevista coletiva à imprensa como comandante das tropas da ONU no Congo, em junho de 2013. 

Confira os principais trechos da entrevista: 

 

HuffPost Brasil: Desde o início do governo Bolsonaro, há uma disputa de poder interna entre a ala ideológica e a ala militar, disputa em que o senhor se viu envolvido, inclusive. Recentemente, chefes de pastas que tinham esse viés ideológico foram substituídos por militares, que ganharam mais peso no governo. Por que o senhor acha que isso aconteceu? 

General Santos Cruz: Não vejo como uma substituição de pessoas ideológicas. O caso do Onyx Lorenzoni, que saiu da Casa Civil e foi para a Cidadania, acho que não tem nada a ver com ideologia. Na SAE [Secretaria Especial de Assuntos Estratégicos], acho que desde a época do general Santa Rosa estava vago o cargo e vem um almirante [Flávio Augusto Viana Rocha].

E também nunca houve essa “ala militar”. Quando eu estava lá [no governo], o Heleno e eu, depois o Floriano [general Floriano Peixoto, que era ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência] um tempinho, a gente nunca teve nenhum contato, nenhuma conversa, nada que caracterizasse uma ala. A gente fazia o trabalho da gente sem nenhuma ideia de coordenação militar. 

Esses grupos mais radicais, ideológicos, a gente nem sabe quem são direito. Você vê as coisas acontecerem na internet, coisas anônimas. Não dá para ficar caracterizando. Acho até que atrapalham muito o governo. O presidente tem uma legitimidade muito forte de urna, ele foi eleito. Não precisa esse tipo de extremista radical. Isso alimenta o extremismo radical da esquerda também. Não contribui. Um governo que tem essa força da eleição, numa época onde a oposição, o PT particularmente, vinha com uma mancha muito forte de problemas, de corrupção, de aparelhamento, etc. É um período muito favorável para governar e esses radicalismos atrapalham. 

Dentro do governo a gente vê que há alguns núcleos radicais… 

Essas pessoas aí têm uma limitação muito grande, que é um conflito permanente entre direita e esquerda - ou tudo que não é a favor é do outro lado. Uma divisão muito simplista. Isso não conduz a resultados bons. Governo tem uma variedade, e é bom que tenha, de sugestões, de discussões. 

Uma declaração recente do general Augusto Heleno, captada em um áudio, em que ele diz que os parlamentares fazem “chantagem” com o governo aumentou a tensão na Esplanada. O senhor concorda com ele? 

Essa foi a expressão dele. Não vi exatamente como aconteceu. Vejo que a democracia é feita por jogo de pressão. São centros de poder, do Executivo, do Legislativo, do Judiciário, do Ministério Público, a mídia, a sociedade civil. Todo esse conjunto, na democracia, está sempre em jogo de pressão. Esse caso despertou uma disputa por Orçamento que o presidente e o Legislativo têm todas as condições de sentar e resolver. Até porque não será a primeira vez que vão discutir isso. Vão discutir Orçamento várias vezes. Isso é coisa de rotina. E isso é uma discussão que você não pode colocar em termos de vitória e derrota, que um ganha e o outro perde. Democracia não é assim. 

Às vezes as pessoas estão levando para um extremo quando o presidente e o Congresso estão acostumados a discutir, a obrigação deles é essa. Eu não estou vendo nada de absurdo. Isso vai se ajeitar. E não significa derrota nenhuma para o Legislativo. Negocia outras coisas, tem outras situações, outras legislações. É um conjunto de coisas. Não sou de me alarmar com esse tipo de situação. 

O presidente Bolsonaro compartilhou vídeos apoiando as manifestações do dia 15 de março, mas em momento algum se pronunciou contrário àqueles que defendem como pauta dos protestos o fechamento do Congresso. Como o senhor vê isso? 

O problema é esse. O presidente não é uma pessoa. Ele é uma instituição. Então, tudo o que ele faz tem um reflexo muito forte e, além disso, tem essas derivações todas. Você tem uma agitação muito grande. Tem que tomar muito cuidado. Quando você vê essa agitação toda, eu olho qual a repercussão daquilo em termos de números - num País de mais de 200 milhões, a repercussão às vezes é de mil, 1,5 mil. Esses fenômenos têm que ter muita calma para analisar. Mas uma manifestação do presidente, claro… Ele é o Poder Executivo, ele é uma instituição nacional, é uma pessoa que tem todas essas imagens. Cria um ambiente bastante agitado para aqueles que acompanham. 

O senhor acha que o presidente poderia ter compartilhado o vídeo, mesmo que de forma particular? 

Olha, eu não vou entrar no mérito do que ele deveria fazer. O presidente sabe as consequências do que ele faz. Se fosse eu, sem dúvida não faria da mesma forma. Mas é uma coisa de avaliação pessoal. É uma situação muito confortável para mim criticar o presidente. Ele é quem tem que ter a noção das consequências daquilo que ele faz. 

Não se vê o presidente repudiando essas pautas antidemocráticas que fazem parte dos protestos. Porque o senhor acha que ele não se manifesta nesse sentido? 

As decisões políticas dele, o porquê faz ou não faz, em primeiro lugar, depende da personalidade da pessoa. Em segundo, eu não sei o que ele está pensando. Às vezes está pensando em uma estratégia, uma tática qualquer para atingir os objetivos dele ali como Poder Executivo. São atitudes individuais de uma pessoa que está investida de uma função muito alta e é confortável para a gente de fora fazer qualquer crítica. Mas só ele mesmo sabe o porquê. 

Coube ao senhor, que já não está mais no governo, reagir a montagens chamando para a manifestação que sugerem que os militares aguardam ordens para agir contra o Congresso. O que motivou a sua reação?

Vamos separar bem. Aquilo ali não é coisa de governo. Poder Executivo é uma coisa. Aquilo ali é de um grupo qualquer. Em primeiro lugar, é anônimo, então, é complicado. A partir do momento que se tem a possibilidade de fazer qualquer coisa e não se identificar, a irresponsabilidade está no ar. Você pegar fotografia de quatro generais fardados e fazer um pôster desse de convocação para as pessoas que não têm conhecimento está comprometendo uma… Parece que uma Força Armada inteira está comprometida com aquilo. Você quer criar uma ideia institucional, de que tem uma instituição militar, de que os militares estão envolvidos como instituição. Isso está errado. Isso é falta de responsabilidade. A possibilidade do anonimato esconde muita covardia junto. Por isso eu falei: não pode usar a imagem do pessoal. Você quer fazer convocação, que fazer seu pôster de convocação, faz. Mas não tem nada que ficar comprometendo uma instituição. 

Uma das pautas das manifestações é o retorno de militares ao poder. O que o senhor acha disso? 

Isso não tem nada a ver. O Brasil tem instituições, tem presidente eleito, tem um Congresso eleito, tem instituições funcionando. Se estão funcionando mal, têm que ser aperfeiçoadas. Isso é simples. É um processo constante de aperfeiçoamento. Você nunca vai parar de procurar aperfeiçoamento. Vai ter defeito sempre, porque é feito de pessoas. É um processo. A Justiça não está funcionando bem? Então vamos ver por que não está e tentar melhorar. O Congresso, a mesma coisa. Também o Executivo. As instituições estão aí, com os defeitos todos, com as virtudes todas, que nem as pessoas. Não aprovou a reforma da Previdência? Não era para aprovar? Não adianta querer um falso moralismo de achar que tudo e todos têm que ser perfeitos. Não é assim. Ideia de colocar militar não tem sentido nenhum. 

Passei 48 anos no Exército. Não posso falar pelo Exército, muito menos pelas Forças Armadas, mas o pessoal que está lá é muito bem preparado. Os soldados são bem treinados, os cabos, sargentos são muito bons. Tenentes, capitães, coronéis, generais, comandantes têm liderança, controle de tudo. Tem a missão Constitucional. Esse anseio de militar no poder é um negócio que não tem sentido. 

E de onde o senhor acha que vem essa ideia defendida por alguns? 

Houve deterioração de alguns valores na sociedade, valores esses que ainda conseguem ser preservados dentro da instituição militar, como a hierarquia, o respeito, organização, capacidade de planejamento, uma série de coisas. E tem gente que quer essas características em outros setores. Quer importar isso. Mas pode importar aquilo de bom, sem querer trazer a instituição para o controle do poder. Se acha que tem características boas, traz as características, não precisa trazer a responsabilidade. 

Então, pelo que o senhor conversa com seus pares, essa possibilidade de retorno dos militares ao poder não existe? 

Eu acho que não existe nenhuma. Achar que existe uma coisa dessas é negar a qualidade dos comandantes. Os comandantes são pessoas sensatas, preparadas. Se você pegar o currículo do comandante do Exército, da Marinha, da Aeronáutica, do Ministério da Defesa, são pessoas destaque na geração profissional deles. Eles sabem o que fazem. Não existe isso. É uma ideia aventureira que não tem sentido. 

Agora uma das coisas que têm chamado a atenção no governo é que têm sido constantes a convocação e nomeação de militares - não só no Planalto, mas no Inmetro e também para resolver as filas do INSS. No Planalto isso chama mais a atenção e há parlamentares que têm olhado para esse reforço militar e avaliado que isso afasta o presidente da articulação política....

Acho que a escolha de muitos militares realmente, hoje, está um pouco mais enfatizada e isso pode trazer uma confusão para o público de que existe institucionalmente, do Exército, das Forças Armadas… Mas não tem nada a ver. São funções individuais que não têm nada a ver com as instituições.

O presidente tem toda a liberdade de escolher quem ele quer. Nas Forças Armadas é um campo neutro, onde ele não tem que fazer todas aquelas escolhas e divisões políticas, porque o nosso pessoal não é politizado partidariamente. Talvez pela facilidade de acesso, para ele, autoridade que está escolhendo. Mas tem esse inconveniente de trazer uma percepção de que está vindo de uma fonte só.

Acho que todos os setores da sociedade têm pessoas excelentes, da área técnica, administração, na educação, em qualquer área que você queira nesse Brasil, você tem uma quantidade imensa de pessoas habilitadas. E militar está nesse conjunto. Mas aí realmente uma concentração num elemento só desse conjunto traz essa sensação. Acho que isso é válido, acontece e, com o tempo talvez… É preferência de autoridade. Não tem jeito. Mas tem pessoas excelentes em todos os campos de atividades. Militar não é a palavra mágica. 

Um dos filhos do presidente, o deputado Eduardo Bolsonaro, tem estimulado os protestos contra o Congresso. Na última quarta, ele fez um post no Twitter sugerindo que o lançamento de uma bomba H sobre o Congresso seria bem recebido pela população. Como o senhor vê esse tipo de declaração vindo de um filho do presidente?

É estilo dele e tem as consequências, mas só ele pode avaliar. Falar em bomba H é coisa figurada, né. Mas, sendo filho do presidente, sempre tem a repercussão maior. Tem 513 deputados, mas só tem um que é filho do presidente. Então, quando junta as duas situações, ele não vai se regular por ser filho do presidente, mas também tem que entender que, por ser filho do presidente, tem uma avaliação diferente. Tem que ver até onde o Congresso o leva a sério e qual o objetivo dele. 

Já que falamos em filhos do presidente, como o senhor avalia a influência deles em questões do governo, certas intervenções? 

O mais velho [Flávio] é senador, então ele tem todo direito de ter a conduta política que ele quiser. O mais novo é deputado [Eduardo]. Também tem espaço como deputado federal e segue o estilo que ele quiser. A responsabilidade é dele, as consequências são dele também. Já o outro [Carlos] não tem função nenhuma de nível federal, em assuntos de governo. Ele tem intervenção lá em assuntos de vereança no Rio de Janeiro e aí qualquer interferência sempre tem uma consequência, porque é filho do presidente.

Tem sempre que tomar muito cuidado, porque a sociedade percebe e sabe bem em quem ela votou. Votou no Jair Bolsonaro. Os outros dois têm espaço, um como deputado federal, o outro como senador, que podem tratar dos assunto nacionais. O outro já não tem essa prerrogativa. Pode falar como cidadão. Então, qualquer interferência, a sociedade brasileira sabe fazer essa distinção. Normalmente, quando alguma coisa se caracteriza como interferência familiar, quando sai só da parte funcional, normalmente a sociedade reage. 

Mas o senhor acredita que há mesmo essa reação? Parece haver uma parcela da população apoiando isso. 

Não sei se tem boa parcela da população. Mais talvez aquelas pessoas que participam de grupos de WhatsApp, Facebook - não sei se a gente pode dizer que isso é a sociedade brasileira. Às vezes é só a natureza do assunto que causa escândalo.

O senhor fala muito de estilo. O senhor acredita que esse estilo pode afetar o governo? 

Acho que o estilo às vezes pode criar um pouco de agitação. Dependendo desse nível de tensão que ele gera. Acho que a sociedade gosta de equilíbrio. Gosta de votar de quatro em quatro anos e ter tranquilidade, precisa disso. Por exemplo: medidas econômicas não são de hoje para amanhã. Tem que ter um tempo, um ano, um ano e meio. A não ser coisas imediatas, como liberação de FGTS. E esse tempo a sociedade tem que esperar com confiança. Tem que tomar muito cuidado para essas jogadas de estilo não perturbarem a tranquilidade que tem que existir para esperar as melhorias. 

Qual o momento que o senhor acha que estamos vivendo? Estamos no momento de equilíbrio?

Estamos bem no meio de uma discussão bastante acalorada, com todo esse problema de vídeo, discussão com jornalistas, Twitter… Não acho que é desequilíbrio, mas agitação. Equilíbrio está aí, as instituições estão aí. Para mim, o Congresso discute, também se manifesta, o outro fala. Não vejo nada de anormal. 

Temos visto constantes ataques à imprensa, intimidações, atuações de milícias virtuais. Como o senhor vê isso?

O que eu acho que perturba mais são essas milícias virtuais, grupos anônimos interferindo em todo o processo. O estilo do presidente, se o pessoal não se acostumou, vai ter que se acostumar, porque não tem jeito. O Congresso é esse aí. “Ah, não tem uma base parlamentar”. Não, não tem. Então, vão arrumando outros mecanismos para arrumar as votações deles. 

Agora, grupos anônimos interferindo, isso é uma coisa que perturba e atrapalha. O fator que mais complica é exatamente esse extremismo nas mãos de pessoas que se beneficiam de anonimato. Os mecanismos de mídia social têm uma consequência muito grande. 

O governo, Executivo, Legislativo, Judiciário, isso tem problema, tem que resolver, tem que melhorar. Quem fez esse pôster? Foi o governo? Não foi. Foi um grupo qualquer. Quem cria o tumulto? Quem faz uma agenda contra o Congresso, o STF, contra não sei o quê? Quem faz isso não é governo, são os grupos. Isso causa mais agitação. 

Mas essa agenda das manifestações tem sido proposta por apoiadores do presidente.

Eu acho que esse pessoal atrapalha, sem dúvida. Um governo eleito, com boas expectativas, com oposição que não está, no momento, organizada. Muitos fatores contribuindo para uma tranquilidade governamental. Aí vêm fatores externos que tumultuam. Eles não fazem só propaganda do lado deles. Eles estão fazendo propaganda para os dois lados. Essas interferências dão vida para a oposição. Do ponto de vista lógico, atrapalha. 

O senhor, mesmo fora do governo, segue alvo de ataques nas redes sociais. Como se sente? Como lida com isso? Por que acha que isso acontece?

Em primeiro lugar, para mim, não tem efeito nenhum. É uma coisa que não me afeta em nada. Segundo, são pessoas desqualificadas, normalmente, ou anônimas. Os anônimos estão assinando atestado de covardia. Então, tranquilo. Não dou bola para isso. E se for pessoa identificada, que fala porque não gosta de mim, pelo meu estilo, ou qualquer razão, tudo bem. E se for via de Justiça, então vai para Justiça. É normal falar se não gosta do estilo que a pessoa administra, do jeito que ela trata no serviço público, mas o que se vê é muita gente deformada. Apesar que tem muita gente que usa mídia social como terapia né. Aí, tem que deixar também. Terapia ocupacional. 

Para encerrar, como o senhor tem visto especificamente esses ataques reiterados à imprensa e em tom cada vez mais elevado? 

Em primeiro lugar, a imprensa tem que ser absolutamente livre. Segundo, a imprensa tem um monte de problema também, como tem em qualquer lugar. O Congresso, o Judiciário, famílias, pessoas, todos têm problemas. Mas ela tem que ser livre, completamente. E a outra coisa é que, qualquer reação não pode ter objetivo nem de intimidação, nem de redução do espaço da imprensa. O cara quer xingar, problema dele. Se ele ficar dentro dos limites legais. Vejo que isso uma coisa sistemática assim não constrói nada. Uma coisa pontual, como já saiu, escrevo lá para o diretor, digo que não concordei. Mas sistemático… 

Está havendo muita generalização. A imprensa como um todo é uma instituição. Você não pode classificar as instituições por causa das pessoas. Você tem que reforçar o valor da imprensa. Todas as instituições têm que ser reforçadas. Você só vai ter democracia se você tiver instituições fortes. 

O que não se pode é classificar negativamente as instituições, inclusive a imprensa. Quer brigar com o jornalista X, briga, problema teu. Mas não pode classificar que a imprensa é isso, é aquilo, senão a gente perde o limite das coisas.