POLÍTICA
20/06/2019 10:28 -03 | Atualizado 20/06/2019 10:31 -03

Santos Cruz critica governo a revista: 'É um show de besteiras'

"Tem muita coisa importante que acaba não aparecendo porque todo dia tem uma bobagem ou outra para distrair a população", disse general à Época.

AFP via Getty Images

Fora do governo de Jair Bolsonaro há cerca de uma semana, o general Carlos Alberto dos Santos Cruz afirmou à revista Época que o governo tem que acabar com a cortina de fumaça e mostrar à população o que o governo está fazendo de importante.

″É um show de besteiras”, resumiu o general à reportagem especial. “Tem muita coisa importante que acaba não aparecendo porque todo dia tem uma bobagem ou outra para distrair a população, tirando a atenção das coisas importantes.”

O ex-secretaria de Governo da Presidência da República ainda disse que o governo também tem que parar de “criar coisas artificiais” que tiram foco de pautas sérias. “Todo mundo tem que tomar consciência de que é preciso parar com bobagem”, acrescenta. 

Afastado do cargo de ministro após críticas e perseguições de Olavo de Carvalho e Carlos Bolsonaro, o general criticou o uso irresponsável das plataformas, como Twitter e Facebook, que, segundo ele, criou situações que atrapalham o governo. “Você discordar de métodos de trabalho é normal, até publicamente. (...) Mas, atacar as pessoas em sua intimidade, isso acaba virando uma guerra de baixarias.”

Santos Cruz nunca respondeu aos ataques de adversários do governo e diz que não sabe até hoje por que foi demitido. 

“Ele [Bolsonaro] resolveu me substituir por alguma razão que é ele que tem de dizer, tem de ser perguntada para ele”, disse à Época. “Meu estilo é de conversar e explicar o porquê. Já vivi 48 anos de vida profissional, já tive de substituir gente. Sempre explico o porquê. Mas tem outras pessoas cujo estilo não é esse.”

General foi o terceiro ministro a cair em menos de 6 meses de governo. Sua demissão não teve um motivo claro, mas, desde março, o ministro era alvo de críticos da ala olavista e, em abril, o clima ruim aumentou com a chegada de Fabio Wajngarten na Secretaria de Comunicação (Secom). Os dois divergem ideologicamente.

Além disso, Bolsonaro teria reclamado de o ministro ter dado declaração contrária a dele sobre o veto da propaganda do Banco do Brasil, que celebrava a diversidade.