OPINIÃO
27/01/2020 21:29 -03 | Atualizado 28/01/2020 09:37 -03

'Salve-se Quem Puder' estreia com texto mastigado, humor pastelão e pirotecnia desnecessária

Percebe-se que o folhetim faz parte do pacote de novelas feitas para a audiência fácil, que não exigem nada do telespectador, a não ser passividade.

Paulo Belote/TV Globo
Vitória Strada, Deborah Secco e Juliana Paiva interpretam o trio de protagonistas de "Salve-se Quem Puder".

Uma sucessão de esquetes de humor. Foi isso o que se viu na estreia da nova novela das sete da Globo, Salve-se Quem Puder, nesta segunda-feira (27). O texto do autor Daniel Ortiz é mastigado, direto e sem pudores na tentativa de fazer graça.

Algumas interpretações beiraram o histrionismo, principalmente Vitória Strada, atriz talentosa, reconhecida por seu potencial em papeis dramáticos. Nesta novela, ela precisa descer alguns tons. As sequências na chuva, no teatro e no avião ficaram over demais, culpa do texto e direção. 

Das três personagens protagonistas - Alexia (Deborah Secco), Kyra (Vitória Strada) e Luna (Juliana Paiva) - nem Luna foge da caricatura, já que parece ser o protótipo da mocinha romântica e maniqueísta.

O texto sem sutilezas deixou claro os perfis de cada uma delas: Luna, menina pobre, batalhadora e romântica à procura a mãe (a escolha pela nacionalidade mexicana não poderia ser mais apropriada); Kyra, a patricinha com sonhos de casamento burguês, mas muito, muito (muito mesmo) atrapalhada; e Alexia, candidata a atriz já balzaquiana e, claro, canastrona.

Reprodução
Vitória Strada vive a personagem Kyra em "Salve-se Quem Puder"

A parte técnica exibiu muita chuva, uma mostra do furacão que abalará a trama nos próximos capítulos, e um avião em pane ao estilo Apertem os Cintos, o Piloto Sumiu - mas sem a graça do filme. Não precisava de tanta pirotecnia, a não ser que fosse algo tecnicamente fenomenal, o que não foi o caso.

As cenas no Caribe foram belíssimas. A abertura é legal, apesar de nenhuma novidade.

O que se percebe é que Salve-se Quem Puder faz parte do pacote de novelas feitas para a audiência fácil, que não exigem nada do telespectador, a não ser passividade. Confesso que gostaria de estar enganado.

Todas essas críticas e opiniões são - logicamente - prematuras, embasadas apenas no que se viu neste primeiro capítulo. Mas ora, a estreia não tem a função de fisgar o público? Achei que poderia ser um capítulo melhor elaborado e finalizado.

Espero mesmo que a história arranque e que vá ao encontro do que o público deseja assistir, independentemente da proposta da novela ser a mera desopilação da realidade ou não.

Nilson Xavier assina este espaço no HuffPost. Siga-o no Twitter e acompanhe seus melhores conteúdos no site dele. Também assine nossa newsletter aqui com os melhores conteúdos do HuffPost.

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