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11/05/2020 19:34 -03 | Atualizado 11/05/2020 20:08 -03

Sem aval do Ministério da Saúde, Bolsonaro inclui salão de beleza e academia em serviços essenciais

Ministro da Saúde soube da proposta do presidente por jornalistas, mas disse que “qualquer decisão pode ser revista”.

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta segunda-feira (11) que incluiu no novo decreto de serviços essenciais atividades como salão de beleza, academia de ginástica e barbearias. 

Aos jornalistas, em frente ao Palácio da Alvorada, o presidente disse que “saúde é vida” e que esses três serviços são essenciais. Segundo ele, “só aí dá 1 milhão de empregos”.

“Academia é vida. As pessoas vão aumentando o colesterol, tem problema de estresse. (Com a academia) vai ter uma vida mais saudável. A questão de cabeleireiro também. Fazer cabelo e unhas é questão de higiene.”

A notícia pegou o ministro da Saúde, Nelson Teich, de surpresa. No momento em que o presidente falava no Alvorada, o ministro apresentava a jornalistas uma nova ferramenta para estados poderem decidir sobre isolamento social. Questionado sobre a decisão do presidente, o ministro mostrou que não havia sido informado.

Ele tentou contornar a saia justa. Afirmou que há uma relação em que “qualquer coisa que é decidida pode ser revista”. “Existe hoje um diálogo que permite que a gente se posicione se for necessário”, pontuou.

Andressa Anholete via Getty Images

Antes, no entanto, Teich afirmou que, se criar um fluxo que não exponha as pessoas ao risco de se contaminar, é possível trabalhar com retorno de algumas atividades. “Agora tratar isso como essencial é um passo inicial que foi do presidente”, disse.

Ele insistiu que é uma decisão que passa pela capacidade de fazer essa liberação de uma forma que proteja as pessoas. “Quero deixar claro que é uma decisão do Ministério da Economia”, disse mais de uma vez. Segundo ele, é atribuição do ministério “ajudar de forma a fazer com que possa proteger as pessoas”.

Diretrizes para isolamento

Na coletiva de imprensa, o ministro de Saúde anunciou uma nova diretriz da pasta para instruir estados e municípios na adoção do isolamento social. A ferramenta permite até 5 níveis, que vai de um mais simples, o distanciamento seletivo 1, ao mais rígido, o distanciamento máximo.

Para definir qual tipo de isolamento adotar, estados e municípios terão acesso a uma espécie de calculadora. A ferramenta leva em conta eixos como capacidade instalada, perfil epidemiológico, velocidade de crescimento da doença, ocupação de leitos e mobilidade urbana. O detalhamento, porém, ocorrerá na quarta (13).