COMPORTAMENTO
05/02/2019 02:00 -02

Os principais tipos de plástico que todos os pais deveriam evitar

O plástico está presente em praticamente todos os aspectos das vidas de nossos filhos.

Taborsk via Getty Images
Os brinquedos que nossos filhos utilizam sempre contêm plásticos.

O plástico está presente em praticamente todos os aspectos das vidas de nossos filhos: nas roupas, nos pratos e copos, nos mordedores, nos berços e camas. Nos primeiros anos de vida, até os bumbuns dos bebês estão envolvidos em – e são limpados com – plástico.

Esse material indestrutível é conveniente, mas também tem má fama – compreensivelmente. Quando derretido ou arranhado, o plástico pode liberar químicos que podem se misturar à comida ou acabar diretamente na boca do bebê.

Alguns desses compostos químicos estão associados a potenciais problemas sérios: eles podem aumentar o risco de câncer e infertilidade e afetar o desenvolvimento do cérebro, por exemplo. Mas não sabemos com certeza até que ponto a exposição constante ao plástico afeta as crianças no longo prazo.

Mesmo que tomemos a decisão consciente de evitá-lo, é difícil evitar o contato da criança com plásticos. Eu sei porque tentei. Tenho dois filhos – um tem 3 anos, o outro, 10 meses. Boa sorte se quiser encontrar uma guloseima ou biscoito que não venha embalada em plástico.

Mas os pais não precisam sentir-se completamente impotentes. Há coisas que podemos fazer para limitar a exposição das crianças aos ingredientes potencialmente perigosos do plástico, diz Aparna Bole, pediatra e integrante do conselho de saúde ambiental da Academia Americana de Pediatria. 

“A tentação é simplesmente jogar as mãos para o alto e desistir”, diz Bole. Ela reconhece que há muita informação desencontrada, e falta clareza na descrição dos ingredientes de cada produto.

Pedimos que ela nos descrevesse ações simples para os pais se livrarem dos tipos de plásticos mais problemáticos. A resposta dela foi surpreendente. 

Bole recomenda olhar o fundo das embalagens, onde estão anotadas as categorias de reciclagem. É um triângulo bem pequenininho, com um número no meio. Os números que você deve evitar são 3, 6 e 7. (Decore estes números.)

Estes três tipos de plástico são feitos com os químicos considerados mais preocupantes em termos de toxicidade. (Produtos “verdes” ou de “base biológica” provavelmente são livres de certos químicos, mas isso não quer dizer que sejam completamente seguros.) Se o plástico não tiver a indicação do número, é simplesmente impossível saber do que foi feito. 

Os plásticos número 3 são tipicamente encontrados em mordedores, brinquedos, cortinas plásticas, embalagens de comida para viagem e produtos de cuidados pessoais. Eles são feitos à base de cloreto de polivinila (mais conhecido como PVC), e o problema potencial é a liberação de ftalatos, um agente colante que torna o plástico maleável e está presente em inúmeros produtos de consumo, não apenas o plástico.

O maior medo é que certos ftalatos possam causar problemas endocrinológicos, afetando os hormônios reprodutivos, de acordo com estudos realizados com roedores. Há muitos tipos de ftalatos, alguns dos quais não podem ser utilizados em brinquedos e produtos para crianças, como mordedores, pois podem afetar o desenvolvimento reprodutivo masculino.

Os pesquisadores estão investigando se os ftalatos podem aumentar a obesidade infantil (ainda não há resultados conclusivos) e contribuir para doenças cardiovasculares. Exposição prematura a ftalatos, que são restritos na Europa, também pode estar associada a problemas de desenvolvimento neurológico e comportamental em crianças pequenas.

Os plásticos número 6 são feitos de poliestireno e inclui pratos e copos descartáveis, bandejinhas de isopor, caixas de ovo e embalagens de comida para viagem. Quando aquecidos, eles podem liberar materiais tóxicos como o estireno, que pode ser absorvido pelo aparelho digestivo. O estireno é associado a dores de cabeça, fadiga, tontura, confusão e outros problemas entre operários de fábricas que inalam grandes quantidades de maneira regular. Não há pesquisas que indiquem efeitos negativos para crianças ou adultos que tenham ingerido pequenas quantidades oralmente. (O estireno também está presente na fumaça do cigarro e é liberado por máquinas fotocopiadoras.) 

O número 7, categoria “miscelânea”, costuma corresponder a uma mistura de plásticos. O número é encontrado em mamadeiras e garrafões de água. Alguns desses produtos contêm bisfenol A (conhecido pela sigla BPA), um químico industrial que pode interferir com o sistema hormonal do nosso organismo.

Embora as crianças sejam mais vulneráveis a esses riscos, porque seus corpos ainda estão em desenvolvimento, Bole diz que evitar esses três tipos de plástico é uma boa regra básica.

(Fiz uma pesquisa exaustiva na minha casa, olhando produtos e espremendo os olhos para descobrir as categorias de cada plástico. Encontrei várias coisas na cozinha que tinham os números 3, 6 e 7, incluindo em itens que eu não suspeitava, como xícaras medidoras que uso há cinco anos.) 

Além de evitar esses três tipos de plástico, Bole também recomenda não colocar plásticos no microondas, mesmo que ele supostamente seja “seguro para o microondas”. Quanto mais mole ou flexível for o plástico, mais importante é evitar colocá-lo longe do microondas.

Idealmente não deveríamos nem sequer colocar itens de plástico na máquina de lavar louça. (Bole também recomenda não colocar água ou outros líquidos quentes em copos ou garrafas plásticas. Isso acontece muito na hora de aquecer mamadeiras, o que ela sugere fazer em garrafas de vidro, se possível.)

Aquecer o plástico é um problema pois isso pode iniciar a decomposição do material, levando ao vazamento de químicos como BPA e ftalatos, considerados “disruptores endócrinos”. A migração desses compostos é provavelmente maior em comidas gordurosas, incluindo carnes e queijos.

Se possível, substitua plástico por outros materiais, como aço inox ou vidro.

Bole lamenta que os consumidores tenham de fazer esse tipo de investigação. Ela afirma que esses químicos não deveriam ser incluídos em produtos do dia-a-dia. Mas armar-se das informações disponíveis é um começo 

“Você pode ficar paralisado”, diz Bole, sobre a tarefa de buscar informações sobre os riscos associados ao plástico. “Mas existem algumas maneiras simples de fazer escolhas saudáveis.”

Esta reportagem é parte de uma série sobre o lixo plástico, patrocinada pela SC Johnson. O conteúdo é editorialmente independente, sem influência ou contribuições da empresa.

*Este texto foi originalmente publicado no HuffPost US e traduzido do inglês.