MULHERES
28/07/2019 18:30 -03 | Atualizado 29/07/2019 16:08 -03

Atrizes prestam homenagem à pioneira Ruth de Souza, que morreu aos 98 anos no Rio

Ela foi a primeira atriz negra a se apresentar no Theatro Municipal e abriu caminhos no audiovisual.

Reprodução/Instagram/@zezemotta
Ruth de Souza ao lado de Zezé Motta -- em imagem publicada nas redes sociais para homenagear a atriz, que morreu aos 98 anos neste domingo (28).

“Imortal. Lendária. Icônica”, foi com estas três palavras que a atriz Zezé Motta encerrou um texto publicado em seu Instagram em que faz uma homenagem à não só pioneira, mas considerada “dama da televisão”, Ruth de Souza.

Depois de uma vida inteira dedicada ao teatro, cinema e televisão, a atriz que abriu caminho para tantas outras mulheres negras morreu neste domingo (18), aos 98 anos, no Rio de Janeiro. Ela estava internada na Unidade de Tratamento Intensivo do Hospital Copa D’Or, em Copacabana, desde o dia 25 de julho.

“Aos 98 anos nossa amada partiu, deixando um legado, uma história incrível e portas abertas para muitos jovens artistas negros”, disse Zezé, ao pontuar que durante sua carreira, já foi “filha, amiga, entre tantos papéis” ao lado de Ruth.

A atriz ainda revela sem mais detalhes que, há 15 dias, gravou uma cena com ela para um filme que ainda está em produção e será lançado em breve. “Ruth partiu fazendo aquilo que mais amava”, escreveu Zezé.

A causa da morte da atriz não foi confirmada até o momento. À época da internação, no início desta semana, a assessoria do hospital afirmou que a família da atriz não tinha autorizado a divulgação de informações.

O jornal O Globo informa que a atriz tinha quadro de pneumonia.

Além de Zezé Mota, outras mulheres ― atrizes, produtoras, artistas ou ativistas ― que beberam na fonte do legado de Ruth como Grace Passô, Djamila Ribeiro, Taís Araújo, Maju Coutinho e Adriana Lessa homenagearam a atriz.

Veja abaixo:

Grace Passô, atriz

“Uma atriz negra não é apenas uma atriz. Nem apenas uma mulher. Quem é sabe.  Entre heroína e mito, é sempre um corpo tentando traduzir a liberdade, ou melhor, tentando inventar a liberdade. Porque ela não existe, tem que ser inventada”, escreveu a atriz dos longas Temporada e Praça Paris, Grace Passô.

“Dona Ruth de Souza, a rainha, das profundezas do mundo, brilhante, que tudo que você inventou no teu corpo nos mova até nascer a liberdade. Você brilha nos olhos de quem te viu. Obrigada por tua luz. Reina!”, concluiu.

Taís Araújo, atriz

“Ela veio antes de todas nós. Ela veio antes da Chica Xavier, ela veio antes da Lea Garcia, antes da Zezé Motta. Ela veio antes de muitas antes de nós”, escreveu Taís Araújo em seu perfil do Instagram ― ao postar uma foto ao lado de Ruth e de Zezé Motta.

Djamila Ribeiro, filósofa e ativista

“Obrigada por tudo, Dona Ruth de Souza, nossa grande dama da dramaturgia. Obrigada pelo legado, Orun está em festa”, escreveu a filósofa e autora de Quem tem medo do feminismo negro?, Djamila Ribeiro.

Adriana Lessa, atriz

“Agradeço por sua vida. Agradeço por abrir caminhos, pelos ensinamentos de vida. Grandes aprendizados!”, escreveu Adriana Lessa em seu Facebook.

Maju Coutinho, jornalista

“Descanse em paz, querida Ruth de Souza. Obrigada por ter aberto caminhos com seu talento. Foi um prazer te conhecer pessoalmente”, escreveu Maju Coutinho em seu Instagram ao publicar uma foto ao lado de Ruth.

Maria Gal, atriz e produtora

“Perdemos uma das nossas grandes referências de atrizes negras do Brasil”, escreveu Maria Gal, atriz e produtora ― que teve contato desde cedo com Ruth.

Camila Pitanga, atriz

“Eu to muito sentida com sua partida. O que me dá alento é saber que vc está florescendo em muitas mulheres negras como eu. Muito mas muito amor a você”, escreveu a atriz Camila Pitanga.

 

Quem foi Ruth de Souza

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Ruth em sua primeira novela da TV Globo, Passo dos Ventos, escrita por Janete Clair.

Nascida em 12 de maio de 1921, no bairro do Engenho de Dentro, no Rio de Janeiro, Ruth é considerada pioneira por ter sido a primeira atriz brasileira indicada a um prêmio internacional de cinema, em 1954; e por também ter o título de ser a primeira atriz negra a se apresentar no Theatro Municipal.

Ela abriu caminho para mulheres negras no audiovisual brasileiro, se tornou ícone da comunidade negra e foi reconhecida internacionalmente em sua carreira. Neste ano, Ruth também foi homenageada pela escola de samba Santa Cruz durante desfile da Série A do carnaval do Rio. 

Na TV Globo, ela iniciou carreira em 1968, na novela Passo dos Ventos de Janete Clair. Seu último trabalho foi na minissérie Se eu fechar os olhos agora, da mesma emissora, em 2019.