MULHERES
19/09/2020 14:47 -03 | Atualizado 20/09/2020 08:57 -03

Adeus a Ruth Bader Ginsburg, a juíza feminista da Suprema Corte dos EUA

Juíza que se transformou em símbolo progressista, que lutava pela igualdade de gênero e direitos de minorias, morreu na noite de sexta-feira (18), aos 87 anos.

Em uma noite fria de sexta-feira (18), em um ano político acalorado em Washington, nos Estados Unidos, várias centenas de pessoas forma vistas segurando velas, flores e cartazes silenciosamente nos degraus da Suprema Corte norte-americana para marcar a morte da a juíza Ruth Bader Ginsburg, que se tornou ícone progressista, por defender igualdade e minorias políticas.

Ginsburg era o membro mais velho da corte e o segundo mais antigo entre os juízes atuais, atrás de Clarence Thomas. Ela foi a segunda mulher a ser nomeada para o tribunal, depois que a juíza Sandra Day O’Connor foi nomeada 12 anos antes.

Segundo a agência de notícias Reuters, um pouco antes da meia-noite, uma mulher cantou o “Kaddish” dos enlutados, uma oração da tradição judaica pelos mortos cantada na primeira noite de Rosh Hashanah, o início do Ano Novo Judaico.

″É muito bom estar aqui com outras pessoas que pensam da mesma maneira”, disse à Reuters Dominik Radawski, 46, em pé nos degraus que costumam ser palco de confrontos barulhentos quando o tribunal ouve argumentos sobre casos delicados. “Não há ninguém aqui com raiva. É essa sensação de contemplação silenciosa, essa sensação de respeito.”

Alexander Drago / reuters
“Não há ninguém aqui com raiva. É essa sensação de contemplação silenciosa, essa sensação de respeito", disse fã de RBG em evento na frente da Suprema Corte.

Advogada pioneira em direitos das mulheres antes de entrar para o tribunal em 1993, Ginsburg - popularmente conhecida por suas iniciais RBG - emergiu como símbolo improvável nos últimos anos. Atualmente, sua imagem estampa ecobags, canecas de café, camisetas e até já foi tema de livros infantis. 

“RBG inspirou tantas mulheres jovens a seguir seus sonhos e visar coisas que tantas pessoas consideravam impossíveis. E ela os tornou possíveis”, disse Claire Shelby, de 19 anos à agência de notícias. “Acho que todos aqui esta noite estão aqui para homenagear sua memória e certifique-se de que ela não seja manchada na história. ”

A candidata a vice-presidente do Partido Democrata, Kamala Harris, e seu marido, Douglas Emhoff, foram até a Suprema Corte na manhã deste sábado (19), segundo um assessor de campanha.

Joshua Roberts / reuters

Homenagens em outros estados

Na liberal São Francisco, na noite de sexta, mais de 200 enlutados fizeram uma vigília à luz de velas e marcharam pelo distrito de Castro da cidade carregando uma grande placa que dizia “Não vamos decepcionar você, RBG”.

Outra homenagem foi realizada em Nova York, onde uma imagem de Ginsburg e as mensagens alternadas “obrigado” e “descanse no poder” foram projetadas na fachada do prédio da Suprema Corte Civil do Estado de Nova York, em Manhattan.

Ginsburg, uma defensora dos direitos das mulheres, morreu em sua casa em Washington de complicações de câncer pancreático metastático, disse o tribunal em nota à imprensa. Ela estava cercada por sua família.

“Nossa nação perdeu uma jurista de estatura histórica”, disse o presidente do tribunal John Roberts em comunicado. “Nós na Suprema Corte perdemos um colega querido. Hoje lamentamos, mas com a confiança de que as gerações futuras se lembrarão de Ruth Bader Ginsburg como a conhecemos - uma incansável e resoluta defensora da justiça.”

A ausência de Ruth pode alterar dramaticamente o equilíbrio ideológico do tribunal, que atualmente tem uma maioria de 5-4 conservadores, movendo-o ainda mais para a direita.

“Fomos colocados nesta posição de poder e importância para tomar decisões para as pessoas que nos orgulharam com seu voto, e a escolha dos juízes da Suprema Corte dos Estados Unidos é considerada como uma das mais importantes”, disse Trump, pelo Twitter. “Temos esta obrigação, sem demora!”.

Trump, que busca a reeleição em 3 de novembro, já nomeou dois conservadores para cargos vitalícios no tribunal, Neil Gorsuch em 2017 e Brett Kavanaugh em 2018.

As nomeações para a Suprema Corte exigem confirmação do Senado, e os colegas republicanos de Trump controlam a câmara.

Os juízes da Suprema Corte, que recebem nomeações vitalícias, desempenham um papel enorme na definição das políticas dos EUA sobre questões polêmicas como aborto, direitos LGBT, direitos de armas, liberdade religiosa, pena de morte e poderes presidenciais.

Por exemplo, o tribunal em 1973 legalizou o aborto em todo o país - uma decisão que alguns conservadores estão ansiosos para reverter - e em 2015 permitiu o casamento entre pessoas do mesmo sexo nos Estados Unidos.

Veja as imagens das homenagens à juíza Ruth Bader Ginsburg:

  • USA-COURT/GINSBURG
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    Alexander Drago / reuters
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    Carlos Barria / reuters
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