LGBT
16/10/2019 02:00 -03

RuPaul recebe prêmio da Variety e fala sobre como ser 'drag queen' é uma revolução

Com humor e paixão, em dez anos, o reality show "RuPaul Drag Race" ajudou a promover a inclusão da comunidade LGBT.

Danny Moloshok/Invision/AP
RuPaul, com prêmio recebido no 70º Primetime Emmy Awards, em setembro de 2019.

Foram anos de muito trabalho e equilíbrio em cima de um salto alto até alcançar o sucesso. “Todos nós éramos meninos para quem a sociedade disse: ‘Não há lugar para você aqui’. Então começamos por aí. Começamos nessa comunidade da luta”, disse RuPaul, drag queen e apresentadora do cultuado reality show RuPaul’s Drag Race, ao receber prêmio da Variety durante a Mipcom, maior feira do mercado audiovisual, realizada em Cannes, na França.

Em entrevista após a premiação, realizada na última segunda-feira (14), a drag, que também faz a produção executiva do reality, fez um desabafo emocionante sobre sua trajetória à revista norte-americana. Embora tenha “passado por momentos difíceis”, afirmou que a “crença na magia” a fez continuar.

″Às vezes se diz que as coisas são azedas [no reality], mas sempre volta a: Você é minha irmã, você é meu irmão, e nós viemos do mesmo lugar”, disse, ao citar o clima de comunidade e união que há no programa. “Eu sempre acreditei em magia e na capacidade de criar a vida que você deseja ter neste planeta.”

Há dez anos, RuPaul Charles dava o pontapé inicial no que se tornaria o maior programa de televisão LGBTde todos os tempos. A primeira temporada de RuPaul’s Drag Race foi ao ar em fevereiro de 2009. 

Eu sempre acreditei em magia e na capacidade de criar a vida que você deseja ter neste planeta.Ru Paul, em entrevista à Variety

À época, o reality show, que buscou referências de America’s Next Top Model e Project Runway, reuniu nove drag queens na disputa pelo título de honrar de próxima “drag superstar” dos Estados Unidos.

O formato pegou e lá se foram dez anos. Nascido na Logo TV, o maior canal LGBT americano, o programa passou a ser exibido no gigante de entretenimento VH1 em 2017. 

O show ganhou até um spin off, a RuPaul’s Drag Race: All Stars - hoje na sua quarta temporada - que reúne as drags mais icônicas que passaram pela passarela da “Mama Ru” para uma nova disputa pela coroa. 

Apesar de seu sucesso na atualidade, Ru Paul sempre manteve a consciência de que “o imperador está nu” e que é isso que conta, porém “um pouco de maquiagem não faz mal”.

“Eu sempre fui capaz de ver além do superficial, e ser drag é sobre isso. Ser drag lembra a nossa cultura de que o verdadeiro ‘eu’ não é o que está na superfície. Olhe mais fundo. E isso me serviu muito bem”, disse à Variety.

Apesar do sucesso, RuPaul manteve a consciência e os pés no chão: “Eu sempre fui capaz de ver além do superficial, que é o ser drag queen. A drag lembra à nossa cultura que o verdadeiro você não é o que está na superfície. Olhe mais fundo. E isso foi muito bom para mim”. 

A drag lembra à nossa cultura que o verdadeiro você não é o que está na superfície.RuPaul, em entrevista à Variety

E o sucesso é tanto que, em 2018, o programa venceu pela terceira vez consecutiva o prêmio de “Melhor Apresentadora de Reality Show” no Emmy Awards. Neste ano, o show venceu novamente, na categoria “Melhor Reality Show de Competição”. A décima primeira temporada da corrida original, com um time de 14 rainhas inéditas, estreou no dia 1º de março de 2019.

Com humor e paixão, o Drag Race também ajudou a promover a compreensão e a inclusão da comunidade LGBT ao contar as histórias de pessoas e artistas que frequentemente enfrentam discriminação apenas por serem quem são.

É claro que o Brasil não ficaria de fora do febre que virou a Drag Race. Por aqui, o reality também virou uma paixão e os fãs brasileiros marcam presença nas redes sociais das drags favoritas de cada temporada.