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05/05/2020 04:00 -03

Quem é Rolando Alexandre de Souza, o novo diretor-geral da Polícia Federal

Empossado menos de 1h após ser nomeado por Jair Bolsonaro, novo chefe da corporação decidiu mudar Superintendente da PF no Rio, como desejava o presidente.

Marcio Ferreira/Governo de Alagoas
Rolando Alexandre já atuou na PF em Alagoas e disse, ao assumir lá, que políticos corruptos são piores que "traficantes de esquina".

Nomeado nesta segunda-feira (4) pelo presidente Jair Bolsonaro para assumir a direção-geral da Polícia Federal, Rolando Alexandre de Souza até então chefiava a Secretaria de Planejamento e Gestão da Abin (Agência Brasileira de Inteligência), subordinada a Alexandre Ramagem, diretor-geral da agência.

Souza é o segundo nome de Bolsonaro para a PF. Antes, ele tentou nomear Ramagem, mas foi barrado pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

Nesta segunda, o presidente foi ágil, nomeou o braço direito de Ramagem e o empossou em menos de uma hora. Logo em seguida, o novo comandante da PF decidiu trocar a chefia da Superintendência do Rio de Janeiro, como queria Bolsonaro. 

Rolando é filho de militar e chegou a começar a Academia Militar das Agulhas Negras, mas não concluiu por problema de saúde.

Consta no currículo do novo diretor-geral da PF uma passagem pelo comando  da Superintendência de Alagoas onde, ao assumir, comprometeu-se com o combate à corrupção.

Em 2017, segundo o jornal O Estado de S.Paulo, Rolando Souza, quando foi chefe o Serviço de Repressão a Desvios de Recursos Públicos (SRDP), afirmou que políticos corruptos são mais perigosos que “traficantes de esquina”. 

Ramagem impedido

A posse de Alexandre Ramagem foi suspensa por uma decisão do ministro do STF Alexandre de Moraes no último dia 29. Moraes aceitou um pedido de liminar feito pelo PDT que pleiteava a suspensão de trecho do decreto editado por Bolsonaro que nomeou Ramagem para o comando da Polícia Federal.

O partido alegou desvio de função, pois Ramagem tem relação de amizade com a família Bolsonaro e, ao anunciar sua demissão do Ministério da Justiça, Sergio Moro acusou o presidente de buscar interferir politicamente na PF. Bolsonaro negou essa intenção em pronunciamento, mas admitiu que quer no comando do órgão alguém com quem tenha interlocução direta.

Ao acolher o pedido do PDT, Moraes justificou sua liminar pelo prejuízo que poderia ser causado pela demora em uma decisão, já que a posse de Ramagem estava marcada para a tarde daquele mesmo dia, e pelos sinais relevantes de um possível comprometimento de Ramagem. 

Um dia depois, o presidente Jair Bolsonaro classificou como “política” a liminar concedida por Moraes e disse que ela quase causou uma crise institucional.

“Ontem quase tivemos uma crise institucional. Quase, faltou pouco. Eu apelo a todos que respeitem a Constituição”, disse Bolsonaro.

No domingo (3), o presidente participou de mais um ato antidemocrático. Durante transmissão da manifestação em sua página no Facebook, as lentes da gravação focaram uma pequena multidão, que gritava as seguintes palavras de ordem: “STF presta atenção, a sua toga vai virar pano de chão”. Um pouco depois, o presidente, seus seguranças e apoiadores desceram para caminhar ao lado dos manifestantes.

Ao lado de seus apoiadores, o presidente ainda disse: “peço a Deus que não tenhamos problema nesta semana porque chegamos no limite, não tem mais conversa, ok? Daqui pra frente não só exigiremos, como faremos cumprir a constituição. Ela será cumprida a qualquer preço, e ela tem dupla mão, não é uma mão de um lado só, não”.

(Com informações da Reuters)

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