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27/02/2019 15:35 -03 | Atualizado 27/02/2019 15:36 -03

Rodrigo Maia, Paes, Cabral e Lindbergh são acusados de caixa 2 em delação da OAS

Conteúdo do relatório da delação foi revelado pelo jornal O Globo nesta quarta.

Montagem/AP

Ex-executivos da empreiteira OAS afirmaram ter repassado caixa 2 a políticos tradicionais, como Rodrigo Maia, presidente da Câmara, o ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, e o ex-prefeito da capital carioca, Eduardo Paes.

Além deles, os ex-executivos citaram pagamentos para a campanha do ex-senador do Lindbergh Farias (PT) e do ex-deputado Indio da Costa (PSD).

As informações fazem parte do acordo de delação premiada homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O conteúdo do documento foi divulgado nesta quarta-feira (27) pelo jornal O Globo, que teve acesso ao relatório de mais de 70 páginas.

Na lista dos beneficiados, ainda constam nomes como o senador Jaques Wagner (PT), o ministro Vital do Rêgo, do Tribunal de Contas da União (TCU), além do ex-governador Fernando Pimentel (PT), do ex-deputado Eduardo Cunha (MDB) e do ex-ministro Edison Lobão (MDB). O senador José Serra (PSDB) e o deputado Aécio Neves (PSDB) também teriam recebido o caixa dois.

Segundo o relatório, entre 2010 e 2014, a OAS foi responsável pela distribuição de cerca de R$ 125 milhões em propinas e repasses de caixa 2 para, pelo menos, 21 políticos de 8 partidos diferentes.

Está é a primeira vez que os ex-funcionários da empreiteira explicam como o esquema de propina funcionava. Eles faziam parte da “Controladoria de Projetos Estruturados”, que envolvia o comando do superfaturamento de obras como a construção de estádios para a Copa do Mundo em 2014, o Porto Maravilha, no Rio, e a engenharia da transposição do Rio São Francisco.

 

Políticos envolvidos na delação da OAS

De acordo com Adriano Santana, um dos delatores, o atual presidente da Câmara Rodrigo Maia teria recebido da empreiteira o repasse de R$250 mil via caixa 2 durante a sua campanha à Prefeitura do Rio em 2012. 

Em nota ao O Globo, Maia negou as acusações: “Jamais, em tempo algum, associei meu mandato a quaisquer empresas”, disse.

O também executivo José Ricardo Breghirolli afirmou que organizou o pagamento de de R$ 25 milhões para a campanha de Eduardo Paes via caixa dois no mesmo ano. Para Cabral, o valor do repasse teria sido de R$ 10 milhões.

A defesa do ex-prefeito disse que as contas de sua campanha foram “devidamente declaradas e aprovadas na Justiça Eleitoral” após o pleito. Procurado pelo jornal, Cabral disse que não iria comentar as delações. 

Também em 2012, outro delator da OAS, Mateus Coutinho de Sá, afirmou ter feito a transferência de R$ 400 mil para a empresa do publicitário João Santana. O dinheiro teria sido usado para cobrir despesas de publicidade do então senador petista Lindbergh Farias. A defesa do petista disse que não tinha conhecimento do fato.

Já para Indio da Costa, o repasse teria totalizado R$ 1 milhão, segundo Breghirolli.  Naquele ano, o ex-deputado foi candidato a vice-presidente de José Serra. Procurado, Indio negou a acusação.