“Você já ouviu falar de vazamento de fotos íntimas, certo? E de invasão de e-mail ou de redes sociais, discurso de ódio e até ameaças feitas por comentários na internet? Tudo isso é violência online. Ou seja, como acontece na vida real, as mulheres são muitas vezes os principais alvos”. É assim que se apresenta a página da Isa.Bot, uma robô virtual recém lançada e que tem como objetivo principal fazer da internet um local mais seguro para as mulheres.
A ferramenta, idealizada pelas ONGs Think Olga, Mapa do Acolhimento e Nossas.Org com apoio do Facebook, Google e ONU Mulheres, foi lançada na última segunda-feira (25), no contexto da campanha anual 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência Contra as Mulheres, iniciativa da ONU Mulheres para prevenir a violência de gênero, que vai até o próximo dia 10 de dezembro.
O nome do bot (diminutivo de “robot”, que significa robô, em inglês) que visa promover informação, segurança e acolhimento às mulheres é, na verdade, uma junção destas três palavras, formando o acrônimo “Isa”. Ela opera no Facebook e, em breve, também estará disponível no Google Assistente.
Dados mais recentes divulgados pela ONG SaferNet – que atua na defesa dos direitos humanos em ambientes virtuais – apontam que as denúncias de crimes ligados à violência contra a mulher na internet tiveram uma explosão em 2017. Naquele ano, foram registradas 961 denúncias desse tipo, contra 16.717 em 2018 – um crescimento de 1.640%.
Os dados divulgados foram recolhidos pela Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos, plataforma de denúncias de crimes na rede mantida pela SaferNet em parceira com instituições como o Ministério Público Federal.
Como a Isa.Bot funciona?
Quando uma mulher for vítima de violência online, ela poderá conversar com a robô que, por meio de uma experiência interativa com textos e vídeos, apresentará informações e recursos voltados para três públicos e situações.
O primeiro passo é: para ativar a ″Isa” basta chamá-la no Messenger da página no Facebook tanto por mensagem de texto ou mensagem de voz.
Quando a usuária escolher seguir pelo caminho de “Ajuda agora”, a bot oferecerá ferramentas para mulheres que estejam sofrendo ou tenham sofrido violência on-line, com informações específicas para situações como o Compartilhamento Não-Consensual de Imagens Íntimas (a chamada “pornografia de vingança”), assédio, sextorsão, entre outras.
Ela receberá dicas sobre preservação de provas e recursos como, por exemplo, o contato do Mapa do Acolhimento, plataforma que conecta mulheres que sofreram violência a uma rede de psicólogas e advogadas voluntárias.
Para quem escolher a opção “Saber mais”, a Isa.Bot oferecerá conteúdos para quem deseja ajudar a promover uma internet acolhedora, além de dicas para ajudar a manter um ambiente seguro para as mulheres, incluindo informações sobre como usar as ferramentas disponíveis para relatar problemas em plataformas como Facebook e Google, por exemplo.
Também há a opção de escolher por um espaço seguro com conteúdos para ativistas, jornalistas, militantes, lideranças comunitárias, líderes empresariais, e mulheres que fazem parte de campanhas políticas ou são alvo constante de ataques na internet.
Elas receberão uma palavra secreta que lhes dará acesso a informações e dicas adicionais, sobre como proteger suas contas, e ferramentas para denunciar possíveis ameaças.
Os números da violência contra a mulher no Brasil
Em 7 de agosto de 2006, a Lei Maria da Penha estabeleceu que é dever do Estado criar mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra as mulheres e que todas elas, “independentemente de classe, raça, etnia, orientação sexual, renda, cultura, nível educacional, idade e religião”, devem gozar dos direitos fundamentais, “oportunidades e facilidades para viver sem violência”.
Apesar dos treze anos da existência de uma legislação como esta no Brasil, é crescente o número de mulheres assassinadas no País. Segundo o Atlas da Violência de 2019, 4.963 brasileiras foram mortas em 2017, considerado o maior registro em dez anos.
A taxa de assassinato de mulheres negras cresceu quase 30%, enquanto a de mulheres não negras subiu 4,5%. Entre 2012 e 2017, aumentou 28,7% o número de assassinatos de mulheres na própria residência por arma de fogo.
A Defensoria Pública de São Paulo, por meio do Núcleo de Promoção e Defesa dos Direitos da Mulher (Nudem), disponibiliza cartilhas com orientações de atendimentos à mulher vítima de violência, além de endereços de delegacias especializadas.