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25/01/2019 09:09 -02

Robinho faz 35: Do sonho de melhor do mundo a um time pouco conhecido da Turquia

Atacante surgiu no Santos como candidato a craque, mas teve carreira regular no continente europeu.

ASSOCIATED PRESS

Robson de Souza, ou simplesmente Robinho, completa 35 anos nesta sexta-feira (25), gozando do bom momento de seu atual clube, o surpreendente Istambul Basaksehir, líder do Campeonato Turco pela primeira vez na história.

No entanto, para quem um dia sonhou ser “o melhor do mundo” encerrar a carreira num time praticamente desconhecido no resto do planeta talvez não seja o melhor desfecho de sua trajetória.

Robinho foi descoberto nas quadras de futsal e, com apenas 12 anos, em 1996, trocou o cimento pelo gramado ao ser aprovado em um teste para defender a categoria infantil do Santos Futebol Clube.

Franzino e extremamente habilidoso, chegou a ser apontado como “novo Pelé” e, verdade seja dita, até deixar o clube da Vila Belmiro para tentar a sorte na Europa em 2005, mostrou um futebol digno de ser comparado ao rei.

Lançado no time profissional do Santos por Celso Roth, mas elevado à categoria de titular por Emerson Leão em 2002, Robinho foi, ao lado do amigo Diego (hoje no Flamengo), protagonista da conquista do título do Campeonato Brasileiro daquela temporada, com apenas 18 anos. Com direito a gol, pedaladas e um show de futebol na partida final diante do Corinthians, no Morumbi.

Robinho ainda viria a conquistar mais um título brasileiro pelo Santos 2 anos mais tarde, em um ano bastante conturbado em sua vida pessoal. O jogador teve de superar o sequestro de sua mãe, que o deixou afastado dos campos por mais de um mês, e ainda retornar com a responsabilidade de ser “o cara” do time nas rodadas finais do campeonato.

 

O fiasco na Europa e o retorno ao Brasil

Cumprido o dever de levar o Santos à taça do Brasileirão 2004, Robinho acabou seduzido pela oferta do Real Madrid, um dos clubes mais poderosos do mundo. Partiu para a Europa sem a menor questão de ser modesto.

O jogador deixou a Baixada no início de 2005 para atuar ao lado de craques como Ronaldo Fenômeno e Zidane, com um pensamento fixo: “Ser o melhor do mundo”. 

Após 3 anos bastante conturbados em Madri, Robinho, sem muito espaço com o treinador alemão Bernd Schuster, passou a forçar sua saída publicamente para o Chelsea, da Inglaterra, que havia manifestado interesse por sua contratação.

No dia 1º de setembro de 2008, Robinho finalmente conseguiu o que queria e partiu para o futebol inglês. Não para o Chelsea, e sim para o Manchester City, que dava os primeiros passos sob a administração de um milionário xeque árabe e sonhava em se tornar o maior clube do planeta.

A passagem de Robinho pelo futebol inglês, no entanto, foi ainda mais decepcionante - e o jogador, mais uma vez, adotou a estratégia de forçar sua saída do clube.

Em 2010, foi emprestado por 6 meses ao Santos, e retornou à Vila com status de ídolo para conquistar, com uma nova geração de Meninos da Vila, puxada por Neymar, os títulos do Campeonato Paulista e da Copa do Brasil daquele ano.

 

Nova chance na Europa e último retorno ao Santos

Ofuscado pelo talento crescente do ainda menino Neymar, e sem acerto financeiro entre Santos e Manchester City para sua permanência no Brasil, Robinho voltou para a Inglaterra - mas, sem espaço, acabou cedido ao Milan, da Itália, com o qual assinou contrato por 4 temporadas.

Apesar de ter tido um desempenho razoável no futebol italiano, o jogador sentiu saudades de casa e, em julho de 2014, foi novamente emprestado ao Santos e ajudou o clube de coração a conquistar o título paulista do ano seguinte.

ASSOCIATED PRESS

 

Portas fechadas na Vila

A partir daí, o amor pelos contratos mais altos passou a valer mais do que o carinho que Robinho guardava pelo Santos. O jogador aceitou proposta milionária para atuar na China, pelo Guangzhou Evergrande e, após uma temporada, retornou ao Brasil, mas não para o time da Vila Belmiro.

Após fazer um verdadeiro leilão salarial, Robinho acertou seu ingresso no Atlético Mineiro. em 2016. O ato foi repudiado pela torcida santista, que o vaiou impiedosamente e atirou moedas no gramado quando o time de Belo Horizonte foi à Vila Belmiro enfrentar o ex-time de Robinho.

O “amor” pelo Galo mineiro, no entanto, também logo passou. Robinho recebeu uma proposta do Sivasspor, da Turquia, e partiu para um clube sem qualquer expressão no continente europeu, mas que pagava bem e em dia.

Vez ou outra o nome do jogador ainda era ventilado por um conselheiro aqui e outro ali no Santos, mas a rejeição entre os torcedores impedia qualquer abertura de negociação.

Hoje, Robinho segue na Turquia, à beira da aposentadoria, em um time que chegou há 4 anos apenas na principal divisão do futebol do País e está recheado de veteranos como ele.

Se o salário é bom, a realização parece pequena para quem tinha em mente o sonho de se tornar o melhor jogador do mundo - e teve os meios e os times fortes da Europa para alcançá-lo -, mas não teve cabeça.

 

Neymar, o contraponto

Neymar, com quem Robinho chegou a atuar brevemente no Santos, também saiu da Vila Belmiro para um dos clubes mais poderosos do planeta - o Barcelona.

O jovem, no entanto, não deixou o Brasil afirmando que seria o melhor jogador do mundo em dois ou três anos, e sim que estava disposto a aprender com Lionel Messi, Xavi, Iniesta e as demais estrelas de seu novo time.

Neymar brilhou, galgou degraus, se tornou protagonista da Seleção Brasileira (algo que Robinho jamais foi) e, mesmo criticado pelo “teatro” que faz em campo quando sofre faltas, já superou o ex-companheiro de Santos, sendo escolhido como terceiro melhor jogador do mundo na temporada 2017.

Hoje divide o posto de principal estrela do Paris Saint-Germain, que pagou mais de 200 milhões de euros para tirá-lo do Barça, com o campeão mundial Kylian Mbappe, e é cogitado para voltar ao próprio time catalão ou para defender o Real Madrid no futuro.

Mais uma prova de que Robinho poderia, sem dúvida alguma, ter chegado mais longe na carreira se tivesse pensado mais no futebol.