NOTÍCIAS
17/01/2020 13:09 -03

'Não sabia a origem', diz secretário de Cultura sobre frase nazista em vídeo

Segundo Roberto Alvim, as ideias “ligadas à arte nacionalista” reproduzidas no vídeo foram “trazidas por assessores”.

Reprodução/ Facebook
Alvim e Bolsonaro em foto publicada no perfil do Facebook do secretário da Cultura.

Após a imprensa noticiar a decisão do presidente Jair Bolsonaro de demiti-lo, o secretário de Cultura, Roberto Alvim, publicou nas redes sociais um pedido de desculpas e disse que deixava o cargo à disposição do presidente. 

Segundo Alvim, ele não sabia a origem da frase - cujos trechos são idênticos ao do discurso de Joseph Goebbels, ministro da Propaganda da Alemanha nazista - e as ideias “ligadas à arte nacionalista” foram “trazidas por assessores”.

“No meu pronunciamento, havia uma frase parecida com uma frase de um nazista. Não havia nenhuma menção ao nazismo na frase, e eu não sabia a origem dela. O discurso foi escrito a partir de várias ideias ligadas à arte nacionalista, que me foram trazidas por assessores”, escreveu, em um post no seu perfil do Facebook.

Alvim pede perdão à comunidade judaica, pela qual tem “profundo respeito”. “Do fundo do coração: perdão pelo meu erro involuntário”, disse. “Mas, tendo em vista o imenso mal-estar causado por esse lamentável episódio, coloquei imediatamente meu cargo a disposição do Presidente Jair Bolsonaro, com o objetivo de protegê-lo.”

 No início da manhã, ele tinha escrito que havia uma “coincidência retórica em UMA frase sobre nacionalismo em arte”. 

“Foi apenas uma frase do meu discurso na qual havia uma coincidência retórica. Eu não citei ninguém. E o trecho fala de uma arte heróica e profundamente vinculada às aspirações do povo brasileiro. Não há nada de errado com a frase”, escreveu anteriormente.

Ele ainda acrescentou: “A frase em si é perfeita: heroísmo e aspirações do povo
- é o que queremos ver na Arte nacional”.

No vídeo, o secretário afirma que “a cultura não pode ficar alheia às imensas transformações polutas que estamos vivendo”. “A arte brasileira da próxima década será heróica e nacional. Será dotada de grande capacidade de envolvimento emocional e será igualmente imperativa, posto que profundamente vinculada às aspirações urgentes de nosso povo, ou então não será nada”, completa.

A frase é semelhante à do ministro nazista. “A arte alemã da próxima década será heróica, será ferreamente romântica, será objetiva e livre de sentimentalismo, será nacional com grande páthos e igualmente imperativa e vinculante, ou então não será nada”, disse Joseph Goebbels em discurso para diretores de teatro documento no livro Joseph Goebbels: Uma biografia, do historiador alemão Peter Longerich.

No entanto, a referência não se dá só nesta frase.

Outra referência do nazismo é a música de fundo, da ópera Lohengrin, de Richard Wagner, obra que Hitler disse ter sido decisiva em sua vida, em sua autobiografia.

O guru do Bolsonarismo, Olavo de Carvalho, após publicar que Alvim “talvez não esteja muito bem da cabeça”, sugeriu em seu perfil no Facebook que “ou o Alvim pirou, ou algum assessor petista enxertou a frase do Goebbels no discurso dele para assassinar sua reputação”.

Olavo ainda repostou um texto que sugere que Alvim foi sabotado “por esquerdistas”que “continuam infestando o sistema”.  

Eleições nos EUA
As últimas pesquisas, notícias e análises sobre a disputa presidencial em 2020, pela equipe do HuffPost