LGBT
29/09/2019 13:25 -03

O que podemos aprender sobre sexualidade com Reynaldo Gianecchini

Entrevista do ator ao jornal O Globo abriu um debate sobre ele ter dito que sua ‘sexualidade não cabe numa gaveta’.

Desiree Navarro via Getty Images
Reynaldo Gianecchini: "minha sexualidade não cabe numa gaveta".

A entrevista do ator Reynaldo Gianecchini ao jornal O Globo, publicada neste domingo (29), gerou uma série de debates. Ele falou sobre o casamento com a apresentadora Marília Gabriela, sobre velhice, doença e, principalmente, sobre sua sexualidade.

O fato de o ator ter rejeitado o título de gay acendeu um debate caloroso sobre o tema. Ele critica o fato de o quererem colocar em uma gaveta e diz reconhecer todas as partes dentro dele.

“O homem, a mulher, o gay, o hétero, o bissexual, a criança e o velho. Como dentro de todo mundo. A sexualidade é muito mais ampla e as pessoas são levianas”, diz.

As reações foram aos dois lados.

Mas para além dos debates sobre se é possível ter tido romances com homens e não aceitar o rótulo de ‘gay’, há uma série de reflexões que podem ser feitas a partir das falas dele.

Selecionamos algumas.

O ato de se assumir 

“Todo mundo fala da minha sexualidade, né? Me cobram muito, “quando é que você vai sair do armário?”. Primeiro, quero falar para essas pessoas: antes de você achar tão interessante a sexualidade dos outros, dá uma olhadinha na sua. Talvez ela tenha mais nuances do que você pensa.”

Rótulos

“A sexualidade é muito mais ampla e as pessoas são levianas. Querem te encaixar numa gaveta, e eu não consigo, porque a sexualidade é o canal da vida e a minha sexualidade não cabe numa gaveta. Nossas questões e tabus passam por esse canal.”

Momento político 

“Já tive, sim, romances com homens e acho que é esse o momento de dizer isso. Mas nunca me senti obrigado a empunhar bandeira de homossexualidade. O desejo para mim não passa pelo gênero e nem pela idade. Demorei para falar porque isso esbarra sempre no tamanho do preconceito no Brasil. Mas agora é importante reafirmar a liberdade, por mim e por quem enfrenta repressão.”

Conceito LGBT

“Para essa galera de vinte e poucos anos não existem mais esses rótulos. Acham horrível essa história de hétero ou gay. Uma amiga empresária, hétero a vida inteira, se apaixonou loucamente por uma mulher e casou com ela. O filho dela é a coisa mais fofa e repreendeu a mãe: “Você disse gay? Esquece essa palavra”. Esse menino fala na frente da namorada: “Aquele rapaz é lindo, eu pegava”. Não é mais uma questão.” 

Homofobia

“O que falta olhar com uma lupa é a repressão. Todo mundo perdeu tempo querendo agradar e ser validado, se encaixar no que foi estabelecido como correto. As mulheres foram massacradas, e os homens também, porque tinham que ser os fodões, os bons de esporte, pirocudos, provedores, os que não choram. E aí, como você faz com uma criança que nem eu, que nasce numa família totalmente feminina e sempre foi muito sensível? Eu tinha pânico de ser chamado de viadinho. Um documentário que indico a todos os meus amigos com filho menino se chama The mask you live in. O índice de suicídios de meninos é impressionante. Eu me identifiquei, chorei muito. Não conseguia nem jogar bola direito, travava. Era coisa de menino e eu gostava de jogar vôlei. O homofóbico é aquele que não quer olhar para a própria sexualidade. Para quem está bem com a sua, não importa a do outro.” 

O ator também falou sobre a idade, jeito de viver a vida, como superou um câncer, feminismo, entre outros. São posições pessoais, que também geram debate e abrem espaço para controvérsias. A íntegra está no site do jornal O Globo.