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08/04/2020 18:47 -03

Brasil vai começar a fabricar respiradores para hospitais enfrentarem covid-19

Em 90 dias, 14 mil unidades serão entregues, segundo diretor de Logística do Ministério da Saúde.

O Ministério da Saúde anunciou, nesta quarta-feira (8), que quatro empresas brasileiras irão começar a fabricar respiradores para hospitais no Brasil. O equipamento é essencial para tratar casos graves de covid-19, a doença causada pelo novo coronavírus.

De acordo com o diretor de Logística (DLOG) do Ministério da Saúde, Roberto Ferreira Dias, a expectativa é que em 90 dias, sejam produzidos 14 mil unidades, sendo 7 mil para UTIs (unidades de tratamento intensivo ) e outros 7 mil de transporte. 

Desse total, 6,5 mil equipamentos são resultado de contrato assinado com a Magnamed. As outras três empresas que produziam pequena quantidade foram redimensionadas para responder à pandemia.

Segundo Roberto Ferreira Dias, um do desafios para produção é a dependência de peças internacionais. Ele afirmou que tanto o Ministério de Relações Exteriores quanto o embaixador do Brasil na China têm atuado neste sentido.

A mudança irá aumentar a previsibilidade e permitir uma independência maior do País, que não ficará refém de importações. 

Desde fevereiro, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, tem alertado sobre dificuldades logísticas envolvendo insumos para o sistema de saúde, que incluem falta de matéria-prima, alta de preços e decisões comerciais de países. Ele repete diariamente que a China fechou as exportações em fevereiro e março para atender ao mercado interno, o que impacta no comércio global, uma vez que o País representa mais de 90% da produção mundial dos equipamentos.

Nesta quarta, Mandetta admitiu que uma proposta de compra assinada com a China foi descartada porque a companhia não deu garantia de entrega.

Sobre a produção nacional, o ministro afirmou que conta com parcerias com várias empresas numa “enorme força-tarefa” para viabilizar a produção de equipamentos. Ele citou Klabin, Positivo, Embraer, White Martins e bancos, entre outras.

Andre Coelho via Getty Images
Respiradores são essenciais para tratar casos graves de covid-19, a doença causada pelo novo coronavírus.

Hospitais no combate à covid-19

Também foi anunciado nesta quarta um remanejamento para que hospitais de pequeno porte - que têm de 31 a 49 leitos - possam receber pacientes e desafogar os leitos dos hospitais de alta complexidade. A medida irá liberar até 15 mil leitos em hospitais.

“Não vão ser lá atendidos os pacientes de covid-19. Terá um custeio de R$ 186 mil a 294 mil por mês conforme o porte. E o custo da emergência será de R$ 360 milhões. A autorização será feita a partir de solicitação do gestor do local, ou seja dos município”, disse Mandetta.

De acordo com o ministro, 664.565 profissionais de saúde se inscreveram voluntariamente para atuar na pandemia, se preciso. “Não estamos aqui falando de convocação não. Se precisar a gente convoca”, disse. Outros 89.376 estudantes também se registraram e se somam.

O ministro também afirmou que será construído um hospital de campanha para indígenas. Foi fechada a entrada de pessoas em aldeias, mas casos da covid-19 nessa população preocupam. “Sabemos do histórico de maus resultados quando indígenas são infectados por vírus vindo de outras partes que não aquele seu ecossistema”, disse. A obra deve custar R$ 10 milhões e ficar pronta em 15 dias.