POLÍTICA
31/01/2019 21:20 -02 | Atualizado 01/02/2019 12:14 -02

Renan vence disputa no MDB e será candidato da sigla à presidência do Senado

Se for eleito nesta sexta-feira, Renan assumirá o comando do Senado pela quinta vez.

Ueslei Marcelino / Reuters

O senador Renan Calheiros derrotou, na noite desta quinta (31), a colega de partido Simone Tebet na votação para definir quem concorrerá pelo MDB à presidência do Senado.

Foram 7 votos contra 5, numa votação secreta. Apenas um senador do partido, Jarbas Vasconcelos (PE), não participou da escolha.

Com isso, Renan - que vinha até agora evitando confirmar publicamente que seria candidato - se torna oficialmente um dos favoritos na disputa. Se for eleito nesta sexta-feira (1º), assumirá pela quinta vez o comando da casa.

A votação interna do MDB, que pode ser definidora na disputa da presidência, ocorreu menos de 24 horas antes da eleição no Congresso.

Logo após a votação, Renan recebeu um telefonema do presidente Jair Bolsonaro, que está internado no hospital Albert Einstein, em São Paulo, após uma cirurgia. Bolsonaro parabenizou o emedebista e pediu uma conversa na próxima semana, segundo o jornal O Globo.

Mais tarde, Bolsonaro ligou para os demais candidatos ao Senado, mas só depois que a notícia sobre o telefonema a Renan foi divulgada. Nas redes, o presidente insinuou, mais uma vez, que os jornais estariam divulgando informação errada.  

O cargo de presidente do Senado é determinante na distribuição de postos-chave na Mesa Diretora, nas comissões temáticas, mas principalmente no ritmo de andamento das propostas do governo Bolsonaro, como a reforma da Previdência.

Renan tem buscado uma aproximação com o novo governo, que inclui reuniões com o ministro da Economia, Paulo Guedes. Em outra frente, o parlamentar saiu em defesa do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), filho do presidente e envolvido em investigação de movimentações financeiras atípicas.

Nas última semanas, Renan também tentou se colocar como distante da “velha política”. “O Renan mais antigo está encerrando o mandato e outro renovado pelas urnas vai tomar posse. Vem com os ventos da última eleição”, disse o senador nesta semana.

Ainda não está claro se Tebet tentará lançar sua candidatura de forma avulsa até a votação desta sexta, mas caciques do MDB, como José Maranhão (PB) defendem que, regimentalmente, não existe esta opção. 

Tebet vinha investindo na bandeira da renovação, alinhada ao resultado das urnas. Ela apostava na rejeição popular que Renan tem devido ao envolvimento com escândalos de corrupção - ele foi alvo de 18 inquéritos no STF, sendo que nove foram arquivados.

No entanto, a experiência de Renan nos bastidores da política e sua atuação contra o que considera excessos do Ministério Público nas investigações parecem ter falado mais alto na hora da escolha.