POLÍTICA
02/02/2019 17:52 -02 | Atualizado 02/02/2019 21:12 -02

Após Renan retirar candidatura, Davi Alcolumbre é eleito presidente do Senado

Primeira votação teve fraude e a segunda, barraco com a saída de Renan no meio do processo.

Agência Senado
O senador Davi Alcolumbre, que venceu a eleicão, mostra o voto antes de depositá-lo na urna.

Após um processo de votação extremamente conturbado e a saída de Renan Calheiros (MDB-AL) em meio à disputa, o senador Davi Alcolumbre (DEM-AP), 41, foi eleito presidente do Senado, com 42 dos 77 votos registrados.

Com a renúncia de Renan, restaram, além de Alcolumbre, Esperidião Amin (PP-SC), que teve 13 votos, Angelo Coronel (PSD-BA), com 8, Reguffe (sem partido-DF), com 6, e Fernando Collor (Pros-AL), com 3. 

Renan recebeu 5 votos. Ele deixou o plenário e também não votou. Além do emedebista, estavam ausentes na votação os senadores Jader Barbalho (MDB, Maria do Carmo (DEM-SE) e Eduardo Braga (MDB-AM).

No discurso após a vitória, já sentado na cadeira do presidente, Alcolumbre mencionou o principal opositor derrotado.

“Quero dizer que o senador Renan Calheiros terá desta Presidência o mesmo tratamento que todos os partidos devem ter.”

“A condição de adversário é passageira, permanente é a Constituição. Devemos unidos trabalhar pelo País, situação e oposição trabalharão com mais amplo respeito por essa presidência.”

Segundo o democrata, em seu mandato, “todos serão tratados com a mais absoluta deferência e o mais absoluto respeito”. Ele prometeu “pujança disposição para o diálogo e a mais ampla cooperação”. “Precisamos reunificar o Senado da República em torno do que lhe deve ser mais caro, a República e o interesse público”, afirmou.

Na primeira votação, realizada na tarde deste sábado, houve fraude. Quando a urna foi aberta, foram contabilizados 82 votos de 81 senadores - a votação foi secreta, porém, com votos em cédulas. Com isso, diversos senadores anunciaram seus votos e mostraram a cédula para as câmeras.

Houve impasse para saber o que deveria ser feito, mas a decisão final da mesa e dos representantes dos partidos responsáveis por fiscalizar o processo foi por destruir os votos antes mesmo de apurá-los e realizar um novo pleito.

A senadora Kátia Abreu (PDT-TO), aliada de Renan, que chegou a roubar a pasta de Alcolumbre quando ele presidia a mesa na sessão de sexta-feira, fez piada, no Twitter, com o impasse sobre a fraude de sábado.

Depois de eleito, Alcolumbre prometeu apurar se houve fraude. 

Davi e Golias 

No segundo processo eleitoral, com os ânimos já exaltados na Casa por causa da suspeita de fraude, Renan se irritou porque mais senadores começaram a anunciar os votos e disse que o presidente seria Alcolumbre, anunciando a retirada de sua candidatura.

“Esse Davi não é um Davi, é um Golias”, disse Renan, referindo-se ao aliado do ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni. 

O senador criticou o fato de o PSDB e de Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) - que não tinha anunciado o voto na primeira votação - terem decidido abrir publicamente suas escolhas no segundo processo. O voto secreto beneficiava Renan.

“O filho do presidente fez questão de abrir o voto”, disse Renan, sendo vaiado por colegas na sequência.  

“Eu não sou Jean William (Jean Wyllys, deputado do PSol que renunciou o mandato), não vou desistir do meu mandato, vou ficar aqui no Senado, mas o Brasil é testemunha do que desde ontem está acontecendo nesta Casa.”

Antes de desistir da candidatura, Renan chegou a ensaiar que judicializaria o processo. Segundo ele, é a primeira vez que os senadores anunciam um voto que, de acordo com o regimento da Casa, deveria ser fechado.

Senado Federal

Aos jornalistas, Renan afirmou que na segunda votação o PSDB obrigou os senadores a abrirem os voto - com isso ele perderia 4 votos que tinha na sigla. “Ou seja, escancarou que estão passando sob o Congresso Nacional um peso enorme. Isso não pode acontecer. A democracia não aceita isso.”

“Eles queriam abrir o voto para constranger a maioria, eles vêm atropelando o Congresso desde ontem. Então, a paciência. O Davi… deixa ele assumir”, emendou. 

O sigilo do voto favoreceria Renan. Há senadores que tem vergonha de assumir publicamente o voto em um parlamentar que já foi alvo de 18 inquéritos no STF (Supremo Tribunal Federal), sendo 9 arquivados.

Na sexta-feira (1º), em votação, o Senado havia decidido por 50 votos a 2 fazer a votação aberta. Após uma sessão tumultuada, os senadores empurraram, no entanto, a votação para a manhã de sábado (2).

Na madrugada deste sábado, uma reviravolta: o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Dias Toffoli, acatou reclamação do Solidariedade e o MDB e decidiu que a eleição para o Senado seria fechada.

 

Impasse sobre prosseguimento da votação

Apesar da desistência de Renan, os senadores seguiram votando. Mas a decisão também não foi simples. Alguns senadores pediram para que a eleição fosse reiniciada pela segunda vez, já que poderia ser judicializada no futuro pelos votos que Renan eventualmente já tivesse recebido antes do anúncio da retirada.

Um deles foi Esperidião Amin (PP-SC), também candidato à presidência. Segundo ele, a desistência de Renan criou “uma outra eleição”.

“Resolvemos fazer uma nova eleição porque um voto estaria fraudado. Agora, a fraude é maior. O ‘anti’(Renan) perdeu a motivação. Peço que se renove a votação.”

Já Angelo Coronel (PSD-BA), também concorrente, foi ao microfone para pedir os votos de Renan que não tinham sido ainda depositados.