MULHERES
21/03/2019 17:08 -03

Primeiro remédio para tratamento de depressão pós-parto é liberado nos EUA

A medicação funciona rapidamente, dentro de 48 horas. Mas é cara e requer estadia em um centro médico.

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“A depressão pós-parto é uma condição séria que, quando grave, pode ser fatal”, disse em nota a pesquisadora Tiffany Farchione, da FDA.

O uso de um remédio específico para mulheres que sofrem de depressão pós-parto foi liberado nesta semana, nos Estados Unidos. É a primeira vez que um medicamento para este tratamento é aprovado. O anúncio foi feito pela FDA, agência americana responsável pela regulação de alimentos e medicamentos. 

O anúncio está sendo considerado positivo pela comunidade médica porque, pela primeira vez, pode existir um caminho para o tratamento específico e eficaz da complicação que é considerada a mais comum da gravidez, já que o medicamento tem uma ação mais rápida comparada a antidepressivos comuns.

A doença afeta mais de 25% das brasileiras, e 1 em cada 7 mulheres nos Estados Unidos. Segundo o NYT, especialistas dizem que o novo tratamento irá fornecer “alívio imediato” para as mães, cuja depressão as impede de fornecer aos seus bebês cuidados, vínculos e nutrição cruciais para o desenvolvimento.

“A depressão pós-parto é uma condição séria que, quando grave, pode ser fatal”, disse em nota a pesquisadora Tiffany Farchione, que é diretora interina da Divisão de Produtos de Psiquiatria da FDA.

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A doença afeta mais de 25% das brasileiras, e 1 em cada 7 mulheres nos Estados Unidos.

“A depressão pós-parto também pode interferir no vínculo materno-infantil. Essa aprovação [do medicamento] marca a primeira vez em que uma droga foi especificamente aprovada para tratar a depressão pós-parto, fornecendo uma nova e importante opção de tratamento”, completa Farchione.

Porém, há limitações. Segundo a FDA, a brexanolona ― droga sintética utilizada no medicamento, que será vendido como Zulresso ― promete efeito em 48 horas e, para isso, é administrada ao longo de 60 horas.

O que é a depressão pós-parto

O Ministério da Saúde brasileiro define a doença como: 

“uma condição de profunda tristeza, desespero e falta de esperança que acontece logo após o parto. Raramente, a situação pode se complicar e evoluir para uma forma mais agressiva e extrema da depressão pós-parto, conhecida como psicose pós-parto. 

A depressão pós-parto traz inúmeras consequências ao vínculo da mãe com o bebê, sobretudo no que se refere ao aspecto afetivo. A literatura cita efeitos no desenvolvimento social, afetivo e cognitivo da criança, além de sequelas prolongadas na infância e adolescência.”

Por ser ministrado por muitas horas, o medicamento provoca efeitos colaterais como sonolência, desidratação, tontura e até perda de consciência. É recomendado que a aplicação seja feita em um hospital ou centro médico. 

O custo da droga, fabricada pela Sage Therapeutics, varia de US$ 20 mil a US$ 35 mil (o equivalente entre 70 e 120 mil reais). 

Para chegar ao medicamento ideal

Os estudos realizaram dois testes clínicos com cerca de 250 mulheres de idades entre 18 e 45 anos. Todas elas tinham sido diagnosticadas com depressão pós-parto.

Após a droga ser ministrada por cerca de 60h ficou comprovado que metade das que ingeriram não tinham mais os sintomas clínicos em pelo menos 48h.

Segundo a FDA, a pesquisa atestou que efeitos do medicamento perduram por 30 dias. 

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