LGBT
07/02/2020 12:43 -03 | Atualizado 07/02/2020 12:45 -03

Discurso de cunho homofóbico está crescendo expressivamente na Europa, aponta ONG pró-LGBT

Segundo relatório da ILGA, discurso de ódio por parte de líderes políticos e religiosos aumentou em 17 países nos últimos anos.

Hindustan Times via Getty Images
Segundo a ILGA, o discurso de ódio por parte de líderes políticos e religiosos aumentou em 17 países da região.

A retórica homofóbica e transfóbica e crimes brutais motivados pelo ódio contra pessoas LGBT estão aumentando em toda a Europa, atiçados por políticas polarizadoras e grupos socialmente conservadores que também fazem campanha contra o acesso ao aborto, aponta relatório da ILGA (Associação Internacional de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais e Intersexuais), maior organização mundial em defesa dos direitos LGBT.

O relatório foca, principalmente, na Europa. Segundo a ILGA, o discurso de ódio por parte de líderes políticos e religiosos aumentou em 17 países da região, incluindo Portugal, Espanha e Finlândia, conhecidos por serem acolhedores a esta população. A violência homofóbica, como um todo, também cresceu na região, de acordo com o estudo.

O partido nacionalista que governa a Polônia protestou contra a “ideologia LGBT” em sua campanha de reeleição no ano passado, o presidente do Parlamento húngaro equiparou a adoção por casais gays à pedofilia e políticos espanhóis e finlandeses criticaram Paradas do Orgulho LGBT no país.

“Não são só países do leste da Europa, em que as pessoas tradicionalmente pensam que existe uma oposição mais organizada. Os grupos que estão se opondo à igualdade LGBTI estão aparecendo em mais lugares”, disse Evelyne Paradis, diretora-executiva do ILGA-Europe.

Em março de 2019, o então vice-primeiro-ministro italiano, Matteo Salvini, que comanda o partido de extrema-direita Liga, falou em Verona no Congresso Mundial das Famílias, uma conferência que defende a “família natural” contra os direitos LGBT e descriminalização do aborto.

“Estes grupos tendem a ser mais ativos onde existe insegurança e ansiedade em geral na população, onde o discurso político em geral, não só sobre os direitos LGBTI, é um pouco mais tóxico, onde partidos populistas são muito ativos”, explicou Paradis.

O mapa mundi da LGBTfobia

ASSOCIATED PRESS
Movimento LGBT realiza uma parada do orgulho LGBT em Varsóvia, Polônia, no sábado, 8 de junho de 2019.

Em todo o mundo, 70 países ainda tratam relações homossexuais como crime. Em 44 deles, a criminalização vale para todos os gêneros. Nos demais, apenas para homens. Em 6, a lei prevê pena de morte.

Os dados estão na 13ª edição do estudo “Homofobia Patrocinada pelo Estado”, divulgado na última semana pela ILGA (Associação Internacional de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais e Intersexuais), maior organização mundial em defesa dos direitos LGBTI+.

“Não são apenas números, mas leis que realmente impactam a vida cotidiana de pessoas com diversas orientações sexuais ao redor do mundo”, afirma Ruth Baldacchino, co-secretária-geral da ILGA, em texto de apresentação do estudo. “As leis propositivas fazem toda a diferença: podem contribuir para mudar as atitudes e dizer às pessoas que elas são igualmente dignas de direitos”.

O estudo de 500 páginas fez uma revisão na legislação vigente em todos os países que atualmente são membros da ONU (Organização das Nações Unidas) ― 193 no total ― e foi apresentado na reunião anual da ILGA realizada na Nova Zelândia.