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17/10/2019 09:02 -03

UE e Reino Unido anunciam novo acordo sobre Brexit e moedas disparam

"Onde tem vontade, tem acordo, e nós temos um", disse o chefe do poder Executivo da UE.

Henry Nicholls / Reuters
Primeiro-ministro Boris Johnson antes do acordo com a União Europeia.

Faltando apenas duas semanas para o prazo final do Brexit, Reino Unido e União Europeia chegaram nesta quinta-feira (17) a um acordo para garantir que o país tenha uma saída ordenada do bloco.

O pacto foi alcançado após uma noite inteira de negociações entre Londres e Bruxelas e, segundo o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, trata-se de um compromisso “justo e equilibrado” para os dois lados.

“Onde tem vontade, tem acordo, e nós temos um. Recomendamos que o Conselho Europeu endosse esse acordo”, disse o chefe do poder Executivo da UE. Já o primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, afirmou que o Parlamento precisa aprovar o tratado para que o país “possa seguir em frente e focar em outras prioridades, como custo de vida, saúde, criminalidade e meio ambiente”.

Após o anúncio, o premier partiu para Bruxelas, onde participa nesta quinta da reunião de cúpula do Conselho Europeu. O órgão é a principal instância política da UE e reúne os líderes de todos os Estados-membros, que precisam aprovar o texto por unanimidade.

“A paciência é uma virtude, e o Brexit é uma escola de paciência. Encontramos um acordo sobre a saída ordenada e sobre nossas relações futuras. É resultado de um trabalho intenso”, disse o negociador-chefe da União Europeia, Michel Barnier.

De acordo com ele, o novo texto mantém boa parte do que foi apresentado no ano passado, mas com “elementos novos sobre a ilha da Irlanda e sobre a declaração política”.

Votações

Apesar da celebração nos dois lados, o acordo ainda precisa ser aprovado tanto pelo Parlamento britânico como pelo Legislativo da União Europeia. No Reino Unido, o Partido Unionista Democrático (DUP), legenda norte-irlandesa que dá sustentação a Johnson, e o Partido Trabalhista, de oposição, criticaram o novo texto.

“Do jeito que as coisas estão, não podemos apoiar o que tem sido sugerido”, disse a líder do DUP, Arlene Foster. Já o chefe da oposição, Jeremy Corbyn, afirmou que o acordo é pior que o obtido pelo governo de Theresa May, rejeitado três vezes no Parlamento.

“Se Johnson terá ou não maioria no Parlamento, veremos no sábado [19], mas por enquanto parece que ele não tem apoio nem de seus aliados, e nós não apoiamos esse acordo”, acrescentou.

O acordo

O plano de Johnson para o Brexit prevê que todo o Reino Unido saia da UE e da união aduaneira europeia no fim de 2021, quando terminar o período de transição, mas que a Irlanda do Norte permaneça no mercado único para bens agrícolas e industriais ao menos até 2025.

Por outro lado, a proposta estabelece a instituição de controles aduaneiros entre as Irlandas, mas não na linha de fronteira, que deve permanecer sem barreiras para respeitar o acordo de paz do fim dos anos 1990.

A ideia é uma alternativa ao “backstop”, mecanismo que previa que a Irlanda do Norte e a República da Irlanda mantivessem fronteiras abertas caso Londres e Bruxelas não conseguissem fechar um acordo comercial durante o período de transição do Brexit.

Johnson considera esse sistema “incompatível com a soberania do Reino Unido”, uma vez que ele poderia criar uma fronteira dentro do país. O primeiro-ministro já disse que a única alternativa à sua proposta é um Brexit sem acordo.

Se o texto for aprovado, o rompimento acontecerá em 31 de outubro de 2019, com um período de transição até o fim de 2021. 

Acordo ‘ambicioso’

A Comissão afirmou que a principal mudança na declaração política anexada ao novo acordo de divórcio foi a opção do governo britânico por um acordo de livre comércio.

“A declaração política prevê um acordo de livre comércio ambicioso, com tarifas e cotas zero entre a UE e o Reino Unido. Ela afirma que compromissos sólidos em condições equitativas devem garantir uma concorrência aberta e justa”, afirmou a Comissão em comunicado.

“A natureza precisa dos compromissos será proporcional à ambição do futuro relacionamento, e levará em conta a conexão econômica e a proximidade geográfica do Reino Unido.”

Euro e libras disparam

A libra saltou mais de 1% contra o dólar nesta quinta-feira, depois de o Reino Unido alcançara um acordo para o Brexit. A libra avançou 6% contra o dólar nas últimas seis sessões, maior série de ganhos desde outubro de 1985, de acordo com dados da Refinitiv.

O euro subia para seus níveis mais altos em quase dois meses contra o dólar nesta quinta-feira, depois que a União Europeia e o Reino Unido fecharam um acordo sobre o Brexit.

Embora o acordo ainda precise ser ratificado pelo Parlamento britânico, os operadores elevaram rapidamente a libra e o euro em mais de 1% e 0,5%, respectivamente.

As esperanças de um acordo do Brexit esta semana tiraram o euro de uma tendência de baixa e o elevaram acima de 1,11 dólar pela primeira vez em um mês.